Detalhes de “More Blood, More Tracks: The Bootleg Series Vol. 14”

Agora temos informações oficiais sobre o próximo Bootleg Series. O décimo quarto volume garimpará as sessões de gravações para o clássico álbum Blood On The Tracks, gravado em seis sessões, entre setembro e dezembro de 1974 e lançado em 20 de janeiro de 1975.

(Sugiro este artigo com alguns detalhes e importância deste álbum para Bob Dylan)

“More Blood, More Tracks” estará disponível em uma versão limitada de luxo e uma versão simples de 1 CD ou 2 LPs.

A versão de luxo terá 6 CDs, com um total de 87 faixas, contendo todas as gravações feitas em New York em setembro de 1974 – incluindo sobras, inícios que não deram certo e outros áudios – além de tudo que restou das sessões de gravação ocorridas em dezembro de 1974 em Minneapolis.

Também haverá dois livros, um de fotos e outro com texto escrito pelo jornalista Jeff Slate.

Foi lançado hoje um lyric video com o primeiro take de “If You See Her, Say Hello”, com imagens do manuscrito feito por Dylan no seu famoso caderno vermelho usado para compor o disco.

Belo, sereno e emotivo, Bob Dylan parece se abrir como raras vezes o vimos, sozinho ao violão e gaita:

A previsão de lançamento é 2 de novembro de 2018, com preço de US$150.

Clinton Heylin lança livro sobre disco

Assim como foi feito nas duas últimas edições do Bootleg Series, o autor e “dylanólogo” Clinton Heylin lançará um livro pela editora Route sobre a época, intitulado “No One Else Could Play That Tune” e com foco exclusivamente nas sessões de New York.

Veja o vídeo sobre o livro:

Confira a lista completa das faixas:

Disc: 1
1. If You See Her, Say Hello (Take 1)
2. If You See Her, Say Hello (Take 2)
3. You’re a Big Girl Now (Take 1)
4. You’re a Big Girl Now (Take 2)
5. Simple Twist of Fate (Take 1)
6. Simple Twist of Fate (Take 2)
7. You’re a Big Girl Now (Take 3)
8. Up to Me (Rehearsal)
9. Up to Me (Take 1)
10. Lily, Rosemary and the Jack of Hearts (Take 1)
11. Lily, Rosemary and the Jack of Hearts (Take 2)

Disc: 2
1. Simple Twist of Fate (Take 1A)
2. Simple Twist of Fate (Take 2A)
3. Simple Twist of Fate (Take 3A)
4. Call Letter Blues (Take 1)
5. Meet Me in the Morning (Take 1)
6. Call Letter Blues (Take 2)
7. Idiot Wind (Take 1)
8. Idiot Wind (Take 1, Remake)
9. Idiot Wind (Take 3 with insert)
10. Idiot Wind (Take 5)
11. Idiot Wind (Take 6)
12. You’re Gonna Make Me Lonesome When You Go (Rehearsal and Take 1)
13. You’re Gonna Make Me Lonesome When You Go (Take 2)
14. You’re Gonna Make Me Lonesome When You Go (Take 3)
15. You’re Gonna Make Me Lonesome When You Go (Take 4)
16. You’re Gonna Make Me Lonesome When You Go (Take 5)
17. You’re Gonna Make Me Lonesome When You Go (Take 6)
18. You’re Gonna Make Me Lonesome When You Go (Take 6, Remake)
19. You’re Gonna Make Me Lonesome When You Go (Take 7)
20. You’re Gonna Make Me Lonesome When You Go (Take 8

Disc: 3
1. Tangled Up in Blue (Take 1)
2. You’re a Big Girl Now (Take 1, Remake)
3. You’re a Big Girl Now (Take 2, Remake)
4. Tangled Up in Blue (Rehearsal)
5. Tangled Up in Blue (Take 2, Remake)
6. Spanish Is the Loving Tongue (Take 1)
7. Call Letter Blues (Rehearsal)
8. You’re Gonna Make Me Lonesome When You Go (Take 1, Remake)
9. Shelter from the Storm (Take 1)
10. Buckets of Rain (Take 1)
11. Tangled Up in Blue (Take 3, Remake)
12. Buckets of Rain (Take 2)
13. Shelter from the Storm (Take 2)
14. Shelter from the Storm (Take 3)
15. Shelter from the Storm (Take 4)

Disc: 4
1. You’re Gonna Make Me Lonesome When You Go (Take 1, Remake 2)
2. You’re Gonna Make Me Lonesome When You Go (Take 2, Remake 2)
3. Buckets of Rain (Take 1, Remake)
4. Buckets of Rain (Take 2, Remake)
5. Buckets of Rain (Take 3, Remake)
6. Buckets of Rain (Take 4, Remake)
7. Up to Me (Take 1, Remake)
8. Up to Me (Take 2, Remake)
9. Buckets of Rain (Take 1, Remake 2)
10. Buckets of Rain (Take 2, Remake 2)
11. Buckets of Rain (Take 3, Remake 2)
12. Buckets of Rain (Take 4, Remake 2)
13. If You See Her, Say Hello (Take 1, Remake)
14. Up to Me (Take 1, Remake 2)
15. Up to Me (Take 2, Remake 2)
16. Up to Me (Take 3, Remake 2)
17. Buckets of Rain (Rehearsal)
18. Meet Me in the Morning (Take 1, Remake)
19. Meet Me in the Morning (Take 2, Remake)
20. Buckets of Rain (Take 5, Remake 2)

Disc: 5
1. Tangled Up in Blue (Rehearsal and Take 1, Remake 2)
2. Tangled Up in Blue (Take 2, Remake 2)
3. Tangled Up in Blue (Take 3, Remake 2)
4. Simple Twist of Fate (Take 2, Remake)
5. Simple Twist of Fate (Take 3, Remake)
6. Up to Me (Rehearsal and Take 1, Remake 3)
7. Up to Me (Take 2, Remake 3)
8. Idiot Wind (Rehearsal and Takes 1 – 3, Remake)
9. Idiot Wind (Take 4, Remake)
10. Idiot Wind (Take 4, Remake)
11. You’re a Big Girl Now (Take 1, Remake 2)
12. Meet Me in the Morning (Take 1, Remake 2)
13. Meet Me in the Morning (Takes 2 – 3, Remake 2)

Disc: 6
1. You’re a Big Girl Now (Takes 3 – 6, Remake 2)
2. Tangled Up in Blue (Rehearsal and Takes 1 – 2, Remake 3)
3. Tangled Up in Blue (Take 3, Remake 3)
4. Idiot Wind – with band
5. You’re a Big Girl Now – with band
6. Tangled Up in Blue – with band
7. Lily, Rosemary and the Jack of Hearts – with band
8. If You See Her, Say Hello – with band

Bob Dylan, 77 anos (ou “Olhando para trás”)

Refletindo sobre as atitudes recentes de Bob Dylan, devo alertar os leitores do Dylanesco: ele mentiu para nós. Desde os anos 60, cunhou não só um documentário como um estilo de vida. “Dont Look Back” era uma bandeira para se desprender das correntes do próximo passado em busca da construção de descobertas constantes. Décadas depois, no documentário No Direction Home, ele explicou que o artista deve sempre estar em um estado de transição, para nunca estacionar num único lugar.

Repito: ele mentiu para nós. Faz um bom tempo que Bob Dylan olha para trás, sem que a gente perceba com clareza. E aqui estão dois indícios recentes:

1) Clássicos da Literatura

Meticulosamente analisado por Richard F. Thomas, a relação de Bob Dylan com os clássicos gregos e romanos data desde a juventude de Bob Dylan, ainda na cidade de Hibbing. Nas primeiras composições, olha para Roma com grande admiração, mas é no segundo milênio que ele remete ao seus estudos da adolescência com mais afinco, dialogando com grandes clássicos e em boa parte das canções que escreveu.

(Leia mais sobre o livro de Richard F. Thomas: “Why Bob Dylan Matters”)

2) Clássicos do Jazz

Desde 2015, Bob Dylan usou suas visitas ao estúdio para gravar clássicos de jazz, a grande maioria já interpretados por Frank Sinatra. Além de ser uma iniciativa que distoa de sua carreira – sendo tratado nos anos 60 como uma solução contrária ao establishment da indústria da época -, Dylan devaneou com os sons que respirou, voluntária ou involuntariamente, em sua juventude. Apesar de fincar os pés na profissão de cantautor (singer-songwriter), Bob também olhou com carinho as poesias pop que sobrevovam ao seu redor.

Viu? Apenas dois exemplos recentes que comprovam minha opinião. Bob Dylan olha, sim, para trás.

… mas calma. Pensando melhor, talvez ele não esteja mentindo para nós.

Bob não tem desdém pelo passado, mas medo pelo canto da sereia Nostalgia. Não quer se aprisionar em um personagem do Dia da Marmota em que não consegue, de fato, viver coisas novas.

Para Dylan, viver o passado não é reviver o que passou, mas recriar os significados das lembranças. Ele rememora como se quisesse organizá-las e desorganizá-las ao mesmo tempo e ininterruptamente. Ele quer ressignificar suas experiências, tornando-as algo novo.
Talvez esteja aí a razão do seu repertório estático dos shows recentes. Talvez Bob Dylan esteja querendo esfregar o passado no presente através da repetição frequente.

Enquanto que muitos de nós tratamos o passado como um canto da sereia que nos aprisiona, Bob Dylan sabe se desviar da hipnose marinha para olhar para trás com a certeza de que já viveu, mas que há ainda muito o que viver – mesmo que seja contemplando, com uma nova ótica a cada momento, o passado.

Feliz aniversário, Bob.

Para ler textos de aniversários anteriores, acesse:

Bob Dylan, 76 anos (ou “O escultor sonoro”)

Bob Dylan, 75, e a ocupação em nascer

Bob Dylan, 74, e a Árvore da Música

Bob Dylan, 73, e o eterno estado de “vir a ser”

Bob Dylan, 72 anos: compreendendo Dylan

Os 71 anos de Bob Dylan (ou como ele nunca olha para trás)

Update: eis uma bela homenagem no Youtube, com Bob Dylan cantando “Old Rock ‘n’ Roller”, de Charlie Daniels Band, e introduzindo “Essa é para quem imagina o que acontece para pessoas como eu”.

[Infográfico] O repertório estático de Bob Dylan

BobDylanLisbon2018_V2

Ao contrário do que sempre costumou fazer, nos últimos anos Bob Dylan passou a fazer shows com um repertório mais estático, com pequenas mudanças entre uma apresentação e outra – este repertório foi apelidado entre os fãs de “The Set”.

2018 talvez seja o ano com o menor número de mudanças e abaixo está um infográfico com alguns números sobre os shows deste ano: