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	<title>Dylanesco</title>
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		<title>Sessões dylanescas (ou mutações instantâneas)</title>
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		<pubDate>Wed, 16 May 2012 02:09:19 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Entre todos que tocam com Dylan, é praticamente unanimidade a opinião de Bob Dylan necessita que sua canção seja tocada de maneira intuitiva, sem passar por uma racionalização que a torna fria e distante. Nos relatos das sessões de gravações, muitos músicos afirmam que após duas ou três tentativas frustradas, Bob Dylan muda [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Entre todos que tocam com Dylan, é praticamente unanimidade a opinião de Bob Dylan necessita que sua canção seja tocada de maneira intuitiva, sem passar por uma racionalização que a torna fria e distante. Nos relatos das sessões de gravações, muitos músicos afirmam que após duas ou três tentativas frustradas, Bob Dylan muda algo &#8211; tempo, ritmo, acordes, entonação e até mesmo tudo &#8211; para trazer o frescor novamente à música.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Like a Rolling Stone</strong></h4>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1375" title="BobStudio2" src="http://dylanesco.com/wp-content/uploads/2012/05/BobStudio2.gif" alt="" width="488" height="317" /></p>
<p style="text-align: justify;">A batida inicial da caixa da bateria é tida como um marco na música. Para muitos, incluindo <a href="http://dylanesco.com/rock-and-roll-hall-of-fame-ou-%E2%80%9Cyou-was-the-brother-that-i-never-had%E2%80%9D/" target="_blank">Bruce Springsteen</a>, toda a atmosfera de <a href="http://dylanesco.com/o-melhor-disco-de-dylan-pt-1-para-a-historia-do-rock/" target="_blank">“Like a Rolling Stone”</a>, que se inicia com uma rajada da bateria e prossegue com o Hammond, guitarra e, claro, a voz de Dylan, obriga qualquer um a prestar a atenção nos próximos seis minutos e onze segundos.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo assim, engana-se quem acha que Bob Dylan apareceria no estúdio no dia 15 de junho de 1965 com toda esta revolução em mente. De fato ele sabia que o conteúdo possuía algo de especial, mas também sabia que dependeria dos músicos para conseguir que a música falasse tudo aquilo que sua letra dizia.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas primeiras versões, em um ritmo de valsa, “Like a Rolling Stone” não tem a raiva da vingança tão intrínseca a letra. Outra coisa que se percebe, é a ausência da tão famosa caixa da bateria. Ela, como muitas outras coisas na obra dylanesca, foi um momento único, mas que dessa vez foi beneficiada pelo registro fonográfico.</p>
<p style="text-align: justify;">Ouça alguns takes de “Like a Rolling Stone”:<br />
<iframe src="http://w.soundcloud.com/player/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Fplaylists%2F1990878&amp;show_artwork=true" frameborder="no" scrolling="no" width="100%" height="450"></iframe></p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Tell Ol’ Bill</strong></h4>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1376" title="BobStudio" src="http://dylanesco.com/wp-content/uploads/2012/05/BobStudio.jpg" alt="" width="320" height="291" /></p>
<p style="text-align: justify;">Já no século XXI, outra sessão de gravação veio a público. <strong>“Tell Ol’ Bill”</strong> foi escrita especialmente para o filme <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/North_Country" target="_blank">“North Country”</a> (2005), estrelado pela atriz Charlize Theron. O filme registra um dos casos mais famosos de abusos sexuais dos EUA, mas a versão escolhida para a trilha tem uma abordagem solta e descontraída. A faixa que entrou na trilha se baseia na canção <a href="http://www.youtube.com/watch?v=3aoGHAedMHY" target="_blank">“I Never Loved But One”</a>, da Carter Family.</p>
<p style="text-align: justify;"><object id="gsSong3079961747" width="250" height="40" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="wmode" value="window" /><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="flashvars" value="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=30799617&amp;style=metal&amp;p=0" /><param name="src" value="http://grooveshark.com/songWidget.swf" /><embed id="gsSong3079961747" width="250" height="40" type="application/x-shockwave-flash" src="http://grooveshark.com/songWidget.swf" wmode="window" allowScriptAccess="always" flashvars="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=30799617&amp;style=metal&amp;p=0" /><img src="http://dylanesco.com/wp-includes/js/tinymce/themes/advanced/img/trans.gif" class="mceItemMedia mceItemFlash" width="250" height="40" data-mce-json="{'video':{},'params':{'wmode':'window','allowScriptAccess':'always','flashvars':'hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=30799617&amp;style=metal&amp;p=0','src':'http://grooveshark.com/songWidget.swf'},'object_html':'&lt;span&gt;Tell Ol\' Bill by &lt;a href=\&quot;http://grooveshark.com/artist/Ion+Storm/496543\&quot; title=\&quot;Ion Storm\&quot;&gt;Ion Storm&lt;/a&gt; on Grooveshark&lt;/span&gt;'}"></img></object></p>
<p style="text-align: justify;">Em 2008, a Columbia lançou o álbum <a href="http://www.bobdylan.com/us/music/bootleg-series-vol-8-tell-tale-signs" target="_blank">“Tell Tale Signs”</a>, o oitavo volume da <strong>“Bootleg Series”</strong>. Nele, incluiu uma versão mais soturna e levemente raivosa da canção.</p>
<p style="text-align: justify;"><object id="gsSong2544947086" width="250" height="40" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="wmode" value="window" /><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="flashvars" value="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=25449470&amp;style=metal&amp;p=0" /><param name="src" value="http://grooveshark.com/songWidget.swf" /><embed id="gsSong2544947086" width="250" height="40" type="application/x-shockwave-flash" src="http://grooveshark.com/songWidget.swf" wmode="window" allowScriptAccess="always" flashvars="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=25449470&amp;style=metal&amp;p=0" /><img src="http://dylanesco.com/wp-includes/js/tinymce/themes/advanced/img/trans.gif" class="mceItemMedia mceItemFlash" width="250" height="40" data-mce-json="{'video':{},'params':{'wmode':'window','allowScriptAccess':'always','flashvars':'hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=25449470&amp;style=metal&amp;p=0','src':'http://grooveshark.com/songWidget.swf'},'object_html':'&lt;span&gt;Tell Ol\' Bill by &lt;a href=\&quot;http://grooveshark.com/artist/Bob+Dylan/138\&quot; title=\&quot;Bob Dylan\&quot;&gt;Bob Dylan&lt;/a&gt; on Grooveshark&lt;/span&gt;'}"></img></object></p>
<p style="text-align: justify;">Contudo e como sempre, a “Bootleg Series” é sempre uma compilação raquítica se comparada ao material existente no “mercado negro”. Abaixo, a sessão da gravação de “Tell Ol’ Bill” e os inúmeros caminhos traçados por Dylan.</p>
<p style="text-align: justify;"><iframe src="http://w.soundcloud.com/player/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Fplaylists%2F1974114&amp;show_artwork=true" frameborder="no" scrolling="no" width="100%" height="450"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Os dois exemplos acima ilustram bem o fenômeno que ocorre na cabeça de Dylan e na maturidade cobrada por ele dos músicos que o acompanham. Mais do que uma “banda de apoio”, Bob Dylan necessita de estruturas fortes, porém versáteis, para embasar todas as suas intenções, que variam em questão de segundos.</p>
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		<title>Michael Moore e sua participação dylanesca em &#8220;Occupy This Album&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 07 May 2012 01:58:32 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[<p></p> <p style="text-align: justify;">O cineasta Michael Moore participou do disco <a href="http://occupythisalbum.org/" target="_blank">“Occupy This Album”</a> cantando a música “The Times They Are A-Changin’”. Em sua releitura, Moore fez uma alteração na letra: no trecho “Come senators, congressmen, Please heed the call, Don&#8217;t stand in the doorway, Don&#8217;t block up the hall”, ele substituiu “block up” [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-large wp-image-1368" title="OccupyThisAlbum" src="http://dylanesco.com/wp-content/uploads/2012/05/OccupyThisAlbum-595x545.jpg" alt="" width="595" height="545" /></p>
<p style="text-align: justify;">O cineasta <strong>Michael Moore</strong> participou do disco <a href="http://occupythisalbum.org/" target="_blank">“Occupy This Album”</a> cantando a música <strong>“The Times They Are A-Changin’”</strong>. Em sua releitura, Moore fez uma alteração na letra: no trecho <em>“Come senators, congressmen, Please heed the call, Don&#8217;t stand in the doorway, Don&#8217;t block up the hall”</em>, ele substituiu <em>“block up”</em> por <em>“fuck up”</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Ouça a versão de Michael Moore para “The Times The Are A-Changin’”:<br />
<iframe src="http://w.soundcloud.com/player/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F45193749&amp;show_artwork=true" frameborder="no" scrolling="no" width="100%" height="166"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;">O projeto tem como objetivo, além de fornecer recursos para o movimento <strong>“Occupy Wall Street”</strong>, documentar as várias músicas que trilharam os dias de ocupação. Para manter a temática “99%”, “Occupy This Album” terá 99 faixas (em quatro CDs). Além do cineasta, diversos músicos participaram, como: <a href="http://dylanesco.com/dylan-cover-4-ani-difranco/" target="_blank">Ani DiFranco</a>, Crosby and Nash, Jackson Browne, Tom Morello, Willie Nelson, The Guthrie Family e muitos outros.</p>
<p style="text-align: justify;">O lançamento será dia <strong>15/05</strong>.</p>
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		<title>Momentos dylanescos pela América do Sul</title>
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		<pubDate>Sat, 05 May 2012 03:42:19 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Cada um que presenciou uma apresentação de Bob Dylan terá em sua mente um momento marcante. Há quem diga que o cantor olhou diretamente para o olho de quem conta a história; outros vão narrar com riqueza de detalhes os passos dylanescos ao longo dos shows ou fazer longas análises sobre a maneira [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Cada um que presenciou uma apresentação de Bob Dylan terá em sua mente um momento marcante. Há quem diga que o cantor olhou diretamente para o olho de quem conta a história; outros vão narrar com riqueza de detalhes os passos dylanescos ao longo dos shows ou fazer longas análises sobre a maneira como a música pulsava.</p>
<div id="attachment_1361" class="wp-caption aligncenter" style="width: 486px"><img class="size-full wp-image-1361" title="SetlistPoA" src="http://dylanesco.com/wp-content/uploads/2012/05/SetlistPoA.jpeg" alt="" width="476" height="525" /><p class="wp-caption-text">Repertório do show de Porto Alegre com as tonalidades de cada música. As marcações em caneta me parecem ser das guitarras usadas por Charlie Sexton em cada canção.</p></div>
<p style="text-align: justify;">Eis apenas alguns pequenos momentos que ajudaram a tornar inesquecível a passagem de Bob pela América do Sul em 2012.</p>
<h4 style="text-align: justify;"></h4>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>How Does It Feel?</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">O quê dizer do momento altruísta de Dylan, quando ele presenteou os mineiros ao deixar que apenas a platéia de Belo Horizonte cantasse o refrão de “Like a Rolling Stone”?</p>
<p style="text-align: justify;"><p><a href="http://dylanesco.com/momentos-dylanescos-pela-america-do-sul/"><em>Clique aqui para assistir o vídeo inserido.</em></a></p></p>
<p style="text-align: justify;">
<h4 style="text-align: justify;"><strong>To Make It Better</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Aqui, um detalhe sutil que abriu a mente de todo mundo que ouviu. Na mesma semana que Bob se apresentava em Porto Alegre, Paul McCartney fez show em Florianópolis. Na hora de apresentar sua banda, após falar de Charlie Sexton, Bob Dylan rascunhou um pequeno trecho de “Hey Jude” e emocionou a todos.</p>
<p style="text-align: justify;"><iframe src="http://w.soundcloud.com/player/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F45353578&amp;show_artwork=true" frameborder="no" scrolling="no" width="100%" height="166"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;">
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Before he can hear&#8230;</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Na última canção do último show na Argentina, durante “Blowin’ in the Wind”, um rapaz conseguiu subir ao palco e tascou &#8211; ou tentou &#8211; um beijo em Dylan (próximo ao minuto 6:00). Apesar de se assustar com a invasão, Bob não se mostrou nenhum nervosismo e continuou a canção como se nada tivesse acontecido. Curiosamente, relatos informaram que o “vândalo” foi colocado de volta ao seu assento pela segurança da casa.</p>
<p style="text-align: justify;"><p><a href="http://dylanesco.com/momentos-dylanescos-pela-america-do-sul/"><em>Clique aqui para assistir o vídeo inserido.</em></a></p></p>
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		<title>Balanço dylanesco: a turnê brasileira</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Apr 2012 23:37:14 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;"></p> <p style="text-align: justify;">Bob Dylan passou pelo país para fazer seis shows em cinco capitais brasileiras. No total, Bob e seu bando tocaram 31 músicas.</p> <p style="text-align: justify;">Os shows de São Paulo e Porto Alegre foram os únicos que tiveram músicas que não se repetiram. No primeiro concerto paulistano, Bob tocou “Every Grain [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter" title="Bob Dylan no Rio de Janeiro" src="http://dylanesco.com/wp-content/uploads/2012/04/BD-RJ4-595x446.jpg" alt="" width="595" height="446" /></p>
<p style="text-align: justify;">Bob Dylan passou pelo país para fazer seis shows em cinco capitais brasileiras. No total, Bob e seu bando tocaram <strong>31 músicas</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Os shows de São Paulo e Porto Alegre foram os únicos que tiveram músicas que não se repetiram. No primeiro concerto paulistano, Bob tocou <strong>“Every Grain of Sand”</strong>. Já no dia seguinte, ele resolveu estreiar na turnê a canção <strong>“Not Dark Yet”</strong>. Em Porto Alegre, tocou pela primeira vez no ano a música <strong>“John Brown”</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Em todas as apresentações Bob Dylan abriu com a mesma música, <strong>“Leopard-Skin Pill-Box Hat”</strong> e fechou com a mesma seleção (exceto no bis &#8211; que os cariocas não viram).</p>
<p style="text-align: justify;">Outro ponto interessante foi a ausência da <a href="http://dylanesco.com/ladies-and-gentlemen-please-welcome/" target="_blank">introdução feita por Al Santos</a> e da <a href="http://dylanesco.com/wp-content/uploads/2012/04/Bob_Dylan_Logo.gif" target="_blank">imagem do olho</a>, logo recorrente em turnês anteriores, que dessa vez apareceu minimamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Abaixo, uma tabela comparativa do repertório dos show &#8211; o número indica a ordem das músicas em cada apresentação.</p>
<div id="attachment_1349" class="wp-caption aligncenter" style="width: 605px"><a href="http://dylanesco.com/wp-content/uploads/2012/04/Tabela-DylanBR.png"><img class="size-large wp-image-1349" title="Tabela comparativa das músicas" src="http://dylanesco.com/wp-content/uploads/2012/04/Tabela-DylanBR-595x513.png" alt="" width="595" height="513" /></a><p class="wp-caption-text">Clique na imagem para visualizá-la em tamanho maior.</p></div>
<p style="text-align: justify;">Enquanto esteve no Brasil, Bob Dylan aproveitou para andar pelas <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,bob-dylan-de-gorro-nas-ruas-de-copa,861558,0.htm" target="_blank">ruas de Copacabana</a>, passear pelo <a href="http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2012/04/17/interna_diversao_arte,298340/bob-dylan-passeia-por-hotel-antes-de-seu-primeiro-show-em-brasilia.shtml?utm_source=twitterfeed&amp;utm_medium=twitter" target="_blank">hotel de Brasília</a> e até caminhou, em plena sexta-feira, <a href="http://instagr.am/p/JqUjwZgTqn/" target="_blank">na Av. Paulista</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Confira as resenhas de todas as apresentações no país:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong><a href="http://dylanesco.com/resenha-bob-dylan-rio-de-janeiro-15042012/" target="_blank">Rio de Janeiro</a></strong><br />
<strong> <a href="http://dylanesco.com/bob-dylan-em-brasilia-por-eduardo-bueno/" target="_blank">Brasília</a></strong><br />
<strong> <a href="http://dylanesco.com/bob-dylan-em-bh-por-eduardo-bueno/" target="_blank">Belo Horizonte</a></strong><br />
<strong> <a href="http://dylanesco.com/resenha-bob-dylan-em-sampa-2104/" target="_blank">São Paulo (21/04)</a></strong><br />
<strong> <a href="http://dylanesco.com/resenha-bob-dylan-em-sp-2204/" target="_blank">São Paulo (22/04)</a></strong><br />
<strong> <a href="http://dylanesco.com/bob-dylan-em-porto-alegre-por-eduardo-bueno/" target="_blank">Porto Alegre</a></strong></p>
</blockquote>
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		<title>Bob Dylan em Buenos Aires (27/04), por Eduardo e Lízia Bueno</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Apr 2012 14:09:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pedroluts</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Eduardo Bueno e sua filha mandam notícias da Argentina. Inicialmente, a cobertura do Dylanesco ficaria apenas em terras brasileiras, mas ao ler a resenha (e ouvir a nova versão de “Cry a While”), era impossível não deixar o registro aqui.</p> <p style="text-align: justify;"></p> <p style="text-align: justify;">Não há dúvidas: Bob Dylan definitivamente está mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Eduardo Bueno e sua filha mandam notícias da Argentina. Inicialmente, a cobertura do Dylanesco ficaria apenas em terras brasileiras, mas ao ler a resenha (e ouvir a nova versão de “Cry a While”), era impossível não deixar o registro aqui.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1338" title="buenosairesposter_0" src="http://dylanesco.com/wp-content/uploads/2012/04/buenosairesposter_0.jpg" alt="" width="470" height="675" /></p>
<p style="text-align: justify;">Não há dúvidas: Bob Dylan definitivamente está mais em paz, realizado e divertindo-se consigo mesmo nesta sua nova reencarnação. Se ele pelo menos fosse o tipo de pessoa que pudesse olhar para trás, veria que todas as pontes que ele queimou parecem estar sendo reconstruídas pelas próprias pontes que ele alegremente toca em seu teclado, suingando e forte o bastante (apesar de às vezes estar inseguro) para conectar todas as diversas peças de sua criação em uma configuração que, depois de meio século, ainda faz total sentido.</p>
<p style="text-align: justify;">Se às vezes ele realmente se assemelha a uma versão velho-oeste de Vincent Price (como alguém recentemente disse), com olhos de lâminas que poderiam quase derreter a platéia, ele ainda também pode ser o filho de olhos azuis, o sonhador romântico, com o rosto rechonchudo e cabelos encaracolados de um garoto de coral do começo dos anos 60 que criou uma escada para as estrelas, subiu cada degrau e nos deu um arco-íris. Ele parece ser eternamente jovem. Todas essas impressões estavam sendo traçadas nas mentes de várias pessoas que estavam no clássico Grand Rex Theater, onde Bob tocou seu segundo show em Buenos Aires &#8211; ainda melhor que o primeiro, na opinião de quase todo mundo que viu as duas apresentações. Buenos Aires é uma cidade clássica, até mesmo para os padrões de Bob: aqui, a elegância está sempre voltada para desafiar a decadência&#8230; Ele tocaria mais duas noites aqui, então mais surpresas virão, mas poucas serão tão tocante como “Girl From the North Country”.</p>
<p style="text-align: justify;">1) Se o show teve alguma surpresa, ele ainda é aberto pot <strong>“Leopard-Skin Pill-Box Hat”</strong> soando igual, apenas com um toque a mais de entusiasmo. Ou talvez é apenas uma impressão minha, sentado na segunda fileira, menos de dez metros do homem, em um teatro com ótima acústica&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">2) Em <strong>“Girl From the North Country”</strong>, Bob estava disposto novamente a ecoar novamente aquele vagabundo apaixonado que passeia pelas ruas de New York, pensando em seu amor perdido pela distante e cheia de neve planície de sua juventude no Norte. Exceto que, para mim, foi como se ele estivesse cantando para uma garota misteriosa da Patagonia, no lado extremo do mundo, no sul profundo da Argentina. A banda seguiu o sentimento e a paixão muito bem, aquecendo o clima e derretendo toda a neve&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">3) Então, outra surpresa:<strong> “Beyond Here Lies Nothin’”</strong> trocou seu lugar no repertório. Mas não mudou seu humor: a boa e nova canção foi um bom Rock and Roll.</p>
<p style="text-align: justify;">4) Bob largou sua guitarra e pegou a gaita para <strong>“Tangled Up in Blue”</strong>, mas uma vez tocada em uma forma comovente e perspicaz.</p>
<p style="text-align: justify;">5) <strong>“Honest with Me”</strong> foi simples o bastante, mas também um pouco plana.</p>
<p style="text-align: justify;">6) <strong>“Desolation Row”</strong>: a eterna favorita que não tem como dar errado e que foi muito bem. Você não se perde ao seguir Bob, até mesmo quando ele toca a parte do Pied Piper [flautista]. Definitivamente foi um romance químico entre todos os agentes e a multidão de superhomens. Um redondo barbudo estava sentado ao meu lado e eu não consegui evitar em pensar no Alan Moore e seus Watchmen enquanto Bob nos fez subir até a torre de observação e inclinar nossas cabeças longe o bastante das ruas desoladas de Buenos Aires, agora cobertas por lixo e sujeira.</p>
<p style="text-align: justify;">7) O blues e o tango são primos americanos: ambos cantam as dores do amor perdido. Então, pareceu perfeito que Bob tenha decidido escolher a capital do Tango para a estréia de uma nova música na sua atual turnê: a magnífica versão de<strong> “Cry a While”</strong>. Foi o momento mais potente das sete últimas apresentações, na minha opinião, forte o bastante para transformar o amplo e majestoso River Plate no poderoso Mississippi.</p>
<p><iframe width="100%" height="166" scrolling="no" frameborder="no" src="http://w.soundcloud.com/player/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F44615788&#038;show_artwork=true"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;">8 ) Foi quase uma crueldade de Bob por escolher <strong>“Make You Feel my Love”</strong> logo depois de “Cry a While”. Sua performance foi profunda e intensa, revelando o Médico e o Monstro de sua personalidade. Um momento incrível. Como alguém muda seu humor dramático tão rápido entre uma música e outra?</p>
<p style="text-align: justify;">9) A piscina de lágrimas abaixo dos nossos pés inundou o reservatório e a barragem certamente quebrou. O transbordamento de som e equilíbrio, combandado pelo teclado de Bob, contagiou todo o teatro. Era água por toda a parte &#8211; e foi tão bom estar lá. <strong>“The Levee’s Gonna Break”</strong> completou a série de quatro canções perfeitas de uma só vez.</p>
<p style="text-align: justify;">10) Quando você acha que ganhou tudo, Bob prova que às vezes você sempre pode ganhar um pouco mais&#8230; e <strong>“Love Sick”</strong> explodiou como um trovão.</p>
<p style="text-align: justify;">11) <strong>“Highway 61 Revisited”</strong> seguiu e nos forçou a aprofundar na estrada. Para onde estamos indo? Eu não sei, mas ele sabe e nós estamos chegando.</p>
<p style="text-align: justify;">12) <strong>“Simple Twist of Fate”</strong> nos lembra novamente que ainda existe sangue nessas estradas. O homem no longo e negro casaco não nasceu atrasado: ele parece ser o mestre de seu próprio tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">13) <strong>“Thunder On the Mountain”</strong> soou como um boogie solto e Bob não parece se importar mais com a velha estrutura da canção tal como foi gravada na faixa de abertura de Modern Times. Ela se tornou completamente diferente e soou como um momento playground do show. Pelo menos para ele. Se agora ele tem sorrido todo o tempo, em “Thunder” ele quase ri&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">14) Não é preciso de palavras para falar de <strong>“Ballad of a Thin Man”</strong>. Não há espaço no meio da provocação de temor sempre que Bob e sua banda a apresentam. Ele é o Feiticeiro do Temor.</p>
<p style="text-align: justify;">15) Sendo tocada de uma forma tão perfeita e clássica, “Ballad” parece libertar <strong>“Like a Rolling Stone”</strong> e os clássico seguintes do peso do passado. Esta é uma música da Idade da Pedra que agora, pelo menos na atual turnê, foi separada de todas as suas outras importâncias e Bob pode tocá-la e quase brincar novamente no seu teclado, que se tornou uma espécie de caixa de pintura com tintas guache para ele repintar sua obra-prima. “Like a Rolling Stone” está permitida para ser livre e talvez até a pobre e amedrontada garota finalmente encontrou seu caminho de volta para casa. Toda a noite isto aparece de um jeito diferente, a única coisa que não muda é a reação alegre da platéia a isso.</p>
<p style="text-align: justify;">16) Então Bob mergulha em sua versão de<strong> “All Along the Watchtower”</strong> que surpreendemente o bastante começa com ele, no centro do palco, soprando sua gaita. E para competir com o divertimento, ele canta a segunda estrofe tocando a gaita entre cada verso. A banda soou como&#8230; The Band. Na verdade, não é apenas Bob que aparenta estar completo e realizado: sua banda da turnê (a melhor que ele já teve?) também. Eles estão em paz com o chefe: sabem que precisam servir a alguém.</p>
<p style="text-align: justify;">17) Mais uma vez, <strong>“Blowin’ in the Wind”</strong> foi o bis e soprou não apenas o vento idiota do passado, como também nossas mentes. Hora de voltar para a casa e chorar um pouco.</p>
<p><em>Eduardo Bueno</em><br />
<em> Lízia Bueno</em><strong>Similar Posts:</strong>
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		<title>Bob Dylan em Porto Alegre, por Eduardo Bueno</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Apr 2012 03:49:53 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;"></p> <p style="text-align: justify;">Porto Alegre é a capital mais meridional do Brasil, com um milhão e meio de habitantes, muitas árvores, um belo lago, e próxima o bastante ao Uruguai e à Argentina, na única região do país onde se pode sentir um pouco do inverno&#8230; E o inverno está chegando, baby, as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1331" title="BD-PoA3" src="http://dylanesco.com/wp-content/uploads/2012/04/BD-PoA3.jpg" alt="" width="352" height="520" /></p>
<p style="text-align: justify;">Porto Alegre é a capital mais meridional do Brasil, com um milhão e meio de habitantes, muitas árvores, um belo lago, e próxima o bastante ao Uruguai e à Argentina, na única região do país onde se pode sentir um pouco do inverno&#8230; E o inverno está chegando, baby, as janelas já estão quase cobertas de gelo&#8230; Aqui é também a capital gaúcha e, segundo dizem alguns, a cidade mais rock ‘n roll do Brasil. Foi aqui que Bob concluiu a série brasileira da atual turnê, na noite de ontem, com um show afiado, forte e animado, que pareceu a vários espectadores dos últimos cinco shows no país &#8211; como Fernando Viotti &#8211; o melhor até então.</p>
<p style="text-align: justify;">Minhas filhas (Belém, 30 anos, grávida de três meses; Flora, 27 anos, e Lízia, 15 anos), além de duas de minhas ex-mulheres e todos os meus grandes amigos estavam lá, todos eles, obviamente, grandes fãs de Dylan. Como então eu poderia ter distanciamento crítico nessas circunstâncias?</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, minha mulher, a filha dela e eu <a href="http://dylanesco.com/dylan-minha-filha-e-eu-together-in-the-park/" target="_blank">encontramos Bob na noite anterior</a>, andando no parque, de noite, no vento frio, perto de minha casa. Foi o aniversário da filha da minha mulher, Paula (Clara completou 11 anos exatamente naquele dia e estávamos voltando da festa dela), e a garotinha conseguiu entregar a ele um bilhete que escreveu escondido durante a tarde &#8211; de alguma maneira misteriosa, ela sabia que iria encontrá-lo na rua. E ela ainda conversou com ele, e ele foi extremamente educado e gentil, leu o bilhete, guardou-o com ele e até apontou seus cadarços e disse:<em> “Hey, amarre seus cadarços, você pode tropeçar”</em>, como se fosse um velhinho do Exército da Salvação!</p>
<p style="text-align: justify;">O Pepsi on Stage (acho que vou fazer dinheiro sugerindo novos nomes para as casas de shows brasileiras) é uma espécie de barracão de telhado de zinco (uma ex-fábrica, na verdade) que Bob e sua cowboy band conseguiram de algum jeito transformar em um tipo de galpão &#8211; um galpão gaúcho, com certeza, com ecos de antigas músicas country, western, blues e até hillbilly que colocaram muita gente para dançar. Tinha cerca de 3 mil pessoas lá, e eu ouvi que alguns camaradas estúpidos não gostaram. Bem, na minha opinião, eles agiram como quem vai a um museu esperando ver uma mulher voluptuosa pintada por Renoir e acaba tendo que ver exatamente a mesma mulher&#8230; pintada por Picasso. Vão pra casa e não me encham, caras! Saiam da minha janela e na velocidade que EU escolho: a da luz! Fora, fora! AGORA!</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-large wp-image-1328" title="BD-PoA1" src="http://dylanesco.com/wp-content/uploads/2012/04/BD-PoA11-595x595.jpg" alt="" width="595" height="595" /></p>
<p style="text-align: justify;">1) Bem, de novo Bob escolheu <strong>“Leopard-Skin Pill-Box Hat”</strong> para abrir. Viotti achou que é a melhor versão até agora, e com certeza foi intensa, mas eu continuo acreditando que, talvez em Buenos Aires, capital da Argentina, amanhã à noite, Bob possa “change his way way of thinking” e abrir com&#8230; bem, você sabe que música eu escolheria, se eu tivesse poder para isso&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">2) Então veio “It’s All Over Now, Baby Blue”, com Bob no meio do palco, tocando alegremente sua guitarra (“um modelo Rick Kelly Eagle Head Strat, provavelmente feita sob medida para ele”, disse meu amigo Cassiano) e pronunciando cada palavra doce e suavamente e, surpreendentemente, ele foi gentil com a pobre baby blue girl, dando-lhe uma chance de strike another match and start anew&#8230; Uma bela versão &#8211; a melhor este ano, dizem alguns.</p>
<p style="text-align: justify;">3) Como de costume, veio<strong> “Things Have Changed”</strong> &#8211; e foi tão dura e sombria quanto deveria. Eu gostei mesmo da ironia que ela disfarça, porque parece óbvio para mim que, cantando do jeito que ele a cantou, Bob é gentil o suficiente para revelar que ele ainda se importa&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">4) <strong>“Tangled Up in Blue”</strong> parece ter alcançado seu ápice recentemente, e essa versão satisfaz todas as fortes possibilidades emocionais que a música sugere desde que apareceu como a faixa de abertura em Blood on the Tracks. Como nas noites anteriores, a letra parece carregar algumas qualidades de uma pintura ou filme, tão intensamente ligadas ao som que conseguem transportar imediatamente o ouvinte atento ao centro das cenas que o cantor descreve com tantos detalhes dolorosos.</p>
<p style="text-align: justify;"><p><a href="http://dylanesco.com/bob-dylan-em-porto-alegre-por-eduardo-bueno/"><em>Clique aqui para assistir o vídeo inserido.</em></a></p></p>
<p style="text-align: justify;">5) <strong>“Beyond Here Lies Nothing”</strong> não deixou nada para trás. Bob na guitarra, concentrado e persuasivo como nunca. Ele parece gostar muito dessa música &#8211; e nós também.</p>
<p style="text-align: justify;">6) <strong>“Simple Twist of Fate”</strong>. É uma simples história de amor &#8211; aconteceu com ele, de novo&#8230; Como ele consegue reviver uma dor tão aguda tão frequentemente, quase todas as noites da turnê?</p>
<p style="text-align: justify;">7) Então, uma surpresa e, por certo, um prêmio: um tipo de versão cowboy de <strong>“John Brown”</strong> que deixou muitas fãs &#8211; incluindo este &#8211; atordoado. Eu já confessei, mas acho que preciso confessar de novo: eu não reconheci a música. Mesmo assim, eu senti tantas coisas tomado por ela que eu não fiquei nervoso, nem com raiva ou perturbado, apesar de ser um pouco vergonhoso ter que admitir que o nome da música de repende escapou da minha memória&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">8 ) <strong>&#8220;Summer Days”</strong> foi boa o bastante, mas não brilhante, embora se possa admitir que soou perfeita para o estilo “galpão gaúcho” da casa e que tinha mesmo que ser tocada para essa plateia realmente gaúcha. Somos todos cowboys do hemisfério sul, afinal &#8211; e é inegável o fato de que os gaúchos apareceram na História pelo menos 200 anos antes dos cowboys norte-americanos surgirem por lá, cara!</p>
<p style="text-align: justify;">9) <strong>&#8220;Desolation Row”</strong> foi maravilhosa, doce, suave, e Bob parecia cheio de compaixão por todos que sabem menos do que ele, e também piedoso com cada alma naquele bando selvagem de personagens condenados que ele foi capaz de ordenar naquele beco desolado que é sua mente.</p>
<p style="text-align: justify;">10) Então <strong>“Blind Willie McTell”</strong> e, meus amigos, acreditem ou não, soou ainda melhor que em Brasília, uma semana antes, ou em Hollywood, dois meses atrás. É uma benção para todos os fãs de Dylan que esta canção tenha voltado à vida. Então agora não há mais razão para continuar a reclamação de que ele se atreveu a deixar de fora de “Infidels” e trocar por&#8230; qual música? “Neighbourhood Bully”, talvez? Ah, Deus, tenha dó&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><p><a href="http://dylanesco.com/bob-dylan-em-porto-alegre-por-eduardo-bueno/"><em>Clique aqui para assistir o vídeo inserido.</em></a></p></p>
<p style="text-align: justify;">11) <strong>“Highway 61”</strong> foi cantada com uma rapidez das corridas em Daytona e com vontade. A maneira como ele pronunciou “ooone”, depois de “sixty”, era de explodir a cabeça.</p>
<p style="text-align: justify;">12) Então, <strong>“Love Sick”</strong>, ó céus, saiu tão densa, nebulosa, tão intensa que era como se nós todos pudéssemos ouvir o tic-tac dos relógios, sentir a umidade debaixo das nuvens de chuva e caminhar por ruas mortas, vendo amantes na grama e silhuetas na janela (ou nas cortinas atrás de Bob e sua banda, porque a iluminação, desde o começo do show, conferiu uma qualidade de penumbra de cinema). E não havia silêncio, mas com certeza um trovão! Para mim, junto com “Blind Willie” e “Desolation Row”, foi um dos verdadeiros pontos altos da noite.</p>
<p style="text-align: justify;">13) <strong>“Thunder on the Mountain”</strong> no começo soou como se tivesse desfocada, mas este início desleixado (pelo menos para mim) foi como um salvo-conduto, uma permissão extra-oficial para que o próprio Bob improvisasse bastante em seu teclado, fugindo da banda e da própria música, mas logo aceitando ambos &#8211; a banda e a canção &#8211; a encontrá-lo na próxima esquina; então se escondeu novamente atrás da parede sonora. A música mesmo não estava brilhante, eu acho, mas este esconde-esconde foi realmente bem engraçado. Um momento divertido, bacana para curtir neste galpão gaúcho, com Bob jogando o gato por cima e por baixo daquele telhado de zinco quente&#8230; Ele é um bom garoto, realmente.</p>
<p style="text-align: justify;">14) <strong>“Ballad of Thin Man”</strong>: eu acho que ninguém discorda que esta canção é a chave para perceber e entender esta oitava, ou nona, reencarnação de Dylan, aquela que agora é um prêt-a-porter na nossa frente, neste novo século. Não há muito mais para ser dito.</p>
<p style="text-align: justify;">15) <strong>“Like a Rolling Stone”</strong> foi diferente de todas as outras noites no Brasil, e eu ouso dizer que veio à tona em uma versão solta, mas ainda engraçada, boa e com certeza mais leve que tantas outras vezes anteriores &#8211; e Bob, novamente, como em Belo Horizonte, se contentou em cantar o refrão apenas para deixar o público fazer isso por ele. Nós fizemos, mas não chegou À metade da altura e entusiasmo dos mineiros em Belo Horizonte.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1329" title="BD-PoA2" src="http://dylanesco.com/wp-content/uploads/2012/04/BD-PoA2.jpg" alt="" width="525" height="289" /></p>
<p style="text-align: justify;">De algum jeito, foi uma pena, porque Porto Alegre é a cidade natal do grande Lupicínio Rodrigues (1914-1974), um brilhante cantor/compositor boêmio que, lá em 1951, no mesmo ano que Muddy Waters (meio que um equivalente americano) escreveu “Rolling Stone”, ele foi capaz de aparecer com uma ótima canção chamada “Vingança”, um samba-canção com letras bem mais próximas ao espírito da canção de Dylan do que à de Muddy, por ter simples e sofrivelmente dito a uma mulher: “Ela há de rolar como as pedras/ Que rolam na estrada/ Sem ter nunca um cantinho de seu/ Pra poder descansar”. Oh, Deus! Este cara realmente merece um Theme Time Radio Hour em sua homenagem, já que Bob uma vez homenageou a cantora Elis Regina, também nascida em Porto Alegre e uma incrível intérprete das canções de Lupi.</p>
<p style="text-align: justify;">E, enquanto apresentava a banda, um breve momento que nunca mais será ouvido novamente: Bob tocou alguns acordes de “Hey Jude” no teclado e fizeram todos os caras abrirem um grande sorriso &#8211; Paul McCartney está no Brasil e hoje ele tocará a apenas 320 kilômetros de distância, em Florianópolis. Estaria Bob pensando no cara de “Yesterday”?</p>
<p style="text-align: justify;">16) Então <strong>“All Along the Watchtower”</strong> explode, poderosa como sempre, mas, de alguma forma, curta como nunca.</p>
<p style="text-align: justify;">17) Então eles vão embora, voltam e uma versão com violino de <strong>“Blowin’ in the Wind”</strong> é apresentada, de um modo tocante, afetuoso, sonhador o suficiente para nos fazer acreditar que “yes, we can”&#8230; podemos construir um admirável mundo novo, porque muitas pessoas já morreram neste velho mundo. Alguns caras na plateia juram que ele disse “The answer my friends, is&#8230; etc” Friends? Será que ele quis dizer&#8230; nós? Não tenho certeza de que ele realmente disse no plural, mas certamente soou como&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Então, de volta ao hotel, ao aeroporto, ao avião e, amanhã, de volta ao palco, desta vez na cidade realmente gaúcha: a Macho Man Argentina, atualmente governada pela versão patética de Evita Perón&#8230; Será que Bob chorará pela Argentina? Será que eles chorarão por ele? A resposta, meus amigos&#8230;.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Eduardo Bueno</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>fotos: Marcos Matiello</em></p>
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		<title>Bob Dylan em Porto Alegre: repertório</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Apr 2012 02:31:32 +0000</pubDate>
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5. Beyond Here Lies Nothin&#8217;<br />
6. Simple Twist Of Fate<br />
7. John Brown<br />
8. Summer Days<br />
9. Desolation Row<br />
10. Blind Willie McTell<br />
11. Highway 61 Revisited<br />
12. Love Sick<br />
13. Thunder On The Mountain<br />
14. Ballad Of A Thin Man<br />
15. Like A Rolling Stone<br />
16. All Along The Watchtower</p>
<p>(bis)<br />
17. Blowin&#8217; In The Wind</p></blockquote>
<p><img class="aligncenter size-large wp-image-1324" title="BD-PoA1" src="http://dylanesco.com/wp-content/uploads/2012/04/BD-PoA1-595x595.jpg" alt="" width="595" height="595" /><strong>Similar Posts:</strong>
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		<title>Dylan, minha filha e eu, together in the park</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Apr 2012 22:14:38 +0000</pubDate>
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<p><object id="gsSong3292627525" width="250" height="40" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="wmode" value="window" /><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="flashvars" value="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=32926275&amp;style=metal&amp;p=0" /><param name="src" value="http://grooveshark.com/songWidget.swf" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed id="gsSong3292627525" width="250" height="40" type="application/x-shockwave-flash" src="http://grooveshark.com/songWidget.swf" wmode="window" allowScriptAccess="always" flashvars="hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=32926275&amp;style=metal&amp;p=0" allowscriptaccess="always" /><img src="http://dylanesco.com/wp-includes/js/tinymce/themes/advanced/img/trans.gif" class="mceItemMedia mceItemFlash" width="250" height="40" data-mce-json="{'video':{},'params':{'wmode':'window','allowScriptAccess':'always','flashvars':'hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=32926275&amp;style=metal&amp;p=0','src':'http://grooveshark.com/songWidget.swf'},'object_html':'&lt;span&gt;Tomorrow Is a Long Time by &lt;a href=\&quot;http://grooveshark.com/artist/Bob+Dylan/138\&quot; title=\&quot;Bob Dylan\&quot;&gt;Bob Dylan&lt;/a&gt; on Grooveshark&lt;/span&gt;'}" alt="" /></object></p>
<p><em>Por Paula Taitelbaum*</em></p>
<p style="text-align: justify;">23 de abril é dia de Shakespeare, Cervantes, São Jorge. Dia Mundial do Livro. Mas hoje nada disso importa… 23 de abril é o dia em que, há exatos 51 anos, Bob Dylan fez seu primeiro show pago, abrindo para John Lee Hooker no Gerde´s Folk City em Nova York. E mais do que isso: é o dia em que nasceu Clara, minha filha. Ou seja: ontem era aniversário dela. Clara, que estava fazendo 11 anos, toca <em>Knock, knock, knockin’ on heaven’s door</em> ao violão e encontra Dylan todo dia de manhã, ao sair do quarto – em uma <a href="http://www.plusgaleria.com.br/product.php?id_product=764" target="_blank">tela feita pelo artista plástico Oscar Fortunato</a> que há anos está pendurada na parede do corredor bem em frente à sua porta. Clara sabia que o bardo estava na cidade, em um hotel não muito longe de nossa casa. E talvez por isso, desde o final da tarde de ontem, repetia sem cessar: “Queria tanto encontrar o Bob Dylan no dia do meu aniversário…”. Ao sairmos pra jantar com a família, ela continuou falando isso à exaustão, convencida de que o encontro era realmente possível. Lá pelas 22h, ao deixarmos o restaurante, já no rumo de casa, resolvemos fazer um caminho mais longo só para, quem sabe, tropeçar sem querer com Dylan rolando como uma pedra pelas ruas de Porto Alegre… Vá que Clara tivesse razão.</p>
<p style="text-align: justify;">O carro ía devagar, olhávamos atentos às ruas vazias de uma segunda-feira fria. Procurávamos uma figura magra, pequena, provavelmente de touca preta e jaqueta de couro. Nada. Nem sombra. Então, sugeri que virássemos numa rua ao lado do Parcão (como é chamado o Parque Moinhos de Vento). De repente, vimos, sob a penumbra das árvores, entre a luz difusa, duas pessoas caminhando bem devagar. “É ele!” gritou Eduardo. E parou o carro. E era ele. Ele! O cara que escreveu “Like a Rolling Stone” e tanto tanto tanto mais. Que habita nossas paredes, nossas estantes, nossos corações e mentes, o próprio ar que respiramos com sua música. Não havia a menor dúvida de que era ele. Bob e uma mulher caminhavam e conversavam. Dois amigos falando sobre a vida, o clima, o mundo e suas complexidades, sei lá… <em>Together in the park, with the sky already dark. I looked at him and felt a spark, tingle to my bones</em>: meu coração disparou, comecei a tremer inteira, Clara saltou do carro. Caminhamos em direção a ele. Clara e eu. Eduardo ficou um pouco mais atrás, não queria atrapalhar o momento… Ao ver Clara, Dylan sorriu com os olhos. Uma criança faz toda a diferença… “Hi Bob”. “I´m very nervous” disse eu (se isso é coisa que se diga!!!). “Is her birthday” falei, apontado para ela. Ele abriu um sorriso gentil: “Oh, it´s your birthday! Happy birthday”. Então Clara tirou um bilhete da bolsa e ofereceu a ele. Um bilhete que ninguém sabia que ela tinha feito. Estava escrito e desenhado com um coração “I love Bob. From Clara / To Bob Dylan”. Ele pegou o bilhete e sorriu ainda mais, apertando os olhos finos de um azul translúcido, capazes de iluminar a noite fria. Então, apontou para o tênis dela e, vendo os cadarços desatados, disse “You will stumble… Tie up your shoes” (Você vai tropeçar, amarre seu sapato). Clara <em>bend down to top the laces of her shoes…</em> Então, ele ergueu o bilhete, sacudiu-o no ar e o apontou em direção a ela, deixando claro que iria guardá-lo. Eu agradeci e disse “See you tomorrow” (but “Tomorrow is a long time” devia ter emendado). Eles continuaram caminhando. Eu tremia e chorava. Clara pulava. Na cama, antes de dormir, ela disse “Que velhinho mais querido!”. Sim, sim, o velhinho mais jovem que eu já vi na vida. F<em>orever Young and still on the road, after all these years.</em> Nunca vamos esquecer esse 23 de abril… <em>Never gonna be the same again…</em></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><em>*Paula Taitelbaum é escritora, coordenadora do Núcleo de Comunicação da L&amp;PM, mãe de Clara e hoje vai assistir pela sétima vez um show de Bob Dylan.</em></p>
</blockquote>
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		<title>Resenha: Bob Dylan em SP (22/04)</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Apr 2012 03:43:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pedroluts</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A segunda noite dylanesca de São Paulo iniciou-se idêntica à anterior: o palco vazio, um som de fraseados blues na guitarra, as luzes se apagando e o bando invadindo. Tudo aparentando ser milimétricamente igual. Mas nunca é.</p> <p style="text-align: justify;">Se na <a href="http://dylanesco.com/resenha-bob-dylan-em-sampa-2104/" target="_blank">noite anterior</a> testemunhamos a construção das canções ao vivo, com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A segunda noite dylanesca de São Paulo iniciou-se idêntica à anterior: o palco vazio, um som de fraseados blues na guitarra, as luzes se apagando e o bando invadindo. Tudo aparentando ser milimétricamente igual. Mas nunca é.</p>
<p style="text-align: justify;">Se na <a href="http://dylanesco.com/resenha-bob-dylan-em-sampa-2104/" target="_blank">noite anterior</a> testemunhamos a construção das canções ao vivo, com Bob até mostrando certa insatisfação na procura por alguns arranjos e levadas, o show de domingo foi uma viagem introspectiva, onde vimos quão fundo o sentimento dylanesco é capaz de chegar.</p>
<p style="text-align: justify;">Como se quisesse explicar ao confundir, Bob tem mudado pouco o repertório de seus shows. Há uma espinha dorsal fixa, principalmente nas quatro últimas canções. A maioria das músicas que se alternam segue basicamente a mesma linha. Mas setlist idêntico, para Dylan, não é sinônimo de apresentação gêmea.</p>
<p style="text-align: justify;">Por volta das 19h, uma hora antes do início do show, era possível ver duas estantes espalhadas no palco, daquelas que se colocam partituras ou letras de música. Era claro que, durante a passagem de som (que os seguranças me disseram ter demorado cerca de 30 minutos), o bando dylanesco havia ensaiado. Curiosamente, no dia anterior não havia qualquer estante no palco.</p>
<p style="text-align: justify;">No geral, a apresentação de domingo foi bem mais suave do que a abordagem roqueira do dia anterior. As canções soavam mais delicadas e não havia a mesma concentração de “acidez dylanesca” que houve no sábado. Por mais eternas e imortais que essas músicas sejam, elas possuem humor como todo ser vivo. Hoje elas não queriam muita farra.</p>
<div id="attachment_1310" class="wp-caption aligncenter" style="width: 605px"><img class="size-large wp-image-1310" title="BD-SP22-1-Camila" src="http://dylanesco.com/wp-content/uploads/2012/04/BD-SP22-1-Camila-595x730.jpg" alt="" width="595" height="730" /><p class="wp-caption-text">(foto: Camila Fontenele)</p></div>
<p style="text-align: justify;">1) Abrindo com a mesma canção em todos os shows, Bob parece usar<strong> “Leopard-Skin Pill-Box Hat”</strong> como aquecimento. A versão dominical é um <em>shuffle</em> mais suingado e a banda está visivelmente mais relaxada.</p>
<p style="text-align: justify;">2) A canção que muitos vêem como um desdém a Joan Baez, <strong>“It Ain’t Me, Babe”</strong> é <a href="http://dylanesco.com/it-aint-me-babe-a-recusa-de-dylan/" target="_blank">para mim</a> a negação não do amor, mas das amarras do movimento Folk. Aqui, contudo, ela é solta. Bob faz um belíssimo solo na guitarra e ilustra a canção inteira no instrumento como se fosse a extensão de sua poesia.</p>
<p style="text-align: justify;"><p><a href="http://dylanesco.com/resenha-bob-dylan-em-sp-2204/"><em>Clique aqui para assistir o vídeo inserido.</em></a></p></p>
<p style="text-align: justify;">3) <strong>“Things Have Changed”</strong> é bem menos nervosa e enérgica do que a noite anterior. Bob Dylan, no centro do palco, agora canta com mais lamentação as mudanças que observa. Os machucados que ele evita mostrar estão mais evidentes. No final, um dueto consigo mesmo, em que Dylan alterna cada linha da estrofe com uma frase na gaita.</p>
<p style="text-align: justify;">4) Pouca coisa muda de <strong>“Tangled Up in Blue”</strong>, mas a pegada segue a tônica da noite. A caixa da bateria, que antes havia sido bem enfática, dessa vez soa mais comportada e acompanha mais a base do violão de Stu.</p>
<p style="text-align: justify;">5)<strong> “Beyond Here Lies Nothin’”</strong> é sutilmente virada de ponta-cabeça. Tudo parece igual, mas Dylan não canta com tanta imposição. Talvez aquelas janelas estejam com alguns vidros estilhaçados e ele precise de ajuda para limpar a sujeira.</p>
<p style="text-align: justify;">6) É hora de respirar fundo. Bob Dylan senta do lado de cada um da platéia e, com toda sua sabedoria (que nasce do solo introdutório da gaita), fala da iminência do fim em <strong>&#8220;Not Dark Yet&#8221;</strong>. Estranhamente, a tristeza da letra acalenta nossa alma. <em>“I&#8217;ve been down to the bottom of a world full of lies/ I ain&#8217;t lookin for nothin&#8217; in anyone&#8217;s eyes”</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">7) Agora que tiramos aquele peso tão difícil de aguentar e estamos mais leves, Bob nos sugere uma dança. <strong>“Summer Days”</strong> é divertida, agradável e as brincadeiras entre o teclado de Dylan e o resto da banda funcionam com ótimo entrosamento.</p>
<p style="text-align: justify;">8 ) O destino fez com que Bob nascesse tarde demais para sua amada, mas em contrapartida deu-lhe a simplicidade que só ele teria para cantar <strong>“Simple Twist of Fate”</strong>. Vestiu a guitarra quase no meio da canção e tocou sem palheta, só com os dedos. Seu solo é tocante como o saxofone da canção.</p>
<p style="text-align: justify;">9) Impossível evitar o trocadilho: <strong>“High Water (for Charley Patton)”</strong> é um dos pontos altos do show. O novo arranjo, com um riff inesquecível e surpreendente do banjo de Don durante todo o verso, mantem levemente aquele tom robusto do refrão da versão de “Tell Tale Sign”. Sai o peso e entra a malandragem.</p>
<p style="text-align: justify;">10) Se a última estrofe de <a href="http://dylanesco.com/a-hard-rains-a-gonna-fall/" target="_blank">“A Hard Rain’s A-Gonna Fall”</a> conseguiu me tirar lágrimas na noite anterior, dessa vez foi <strong>“Tryin’ to get to Heaven”</strong> que me lavou a alma, mas durante toda a canção. Eu já sabia o que aconteceria se encontrasse com ela neste fim-de-semana, mas me surpreendi mesmo assim. Da pulsação do teclado de Bob, passando pelo arranjo sutil da guitarra de Charlie e do lapsteel de Don, eu só pensava em fechar meus olhos e imaginar se tudo era vazio como parecia. Não agora.</p>
<div id="attachment_1312" class="wp-caption aligncenter" style="width: 605px"><img class="size-large wp-image-1312" title="BD-SP22-2-CarolPEQ" src="http://dylanesco.com/wp-content/uploads/2012/04/BD-SP22-2-CarolPEQ-595x395.jpg" alt="" width="595" height="395" /><p class="wp-caption-text">o último acorde do show. foto: Carolina Andrade</p></div>
<p style="text-align: justify;">11) A tensão pela procura de um arranjo de<strong> “Highway 61 Revisited”</strong> da noite anterior não parecia ter deixado qualquer resquício. O riff do teclado de Bob é perfeitamente seguido pela banda e Dylan improvisa uma melodia vocal que imita o mesmo fraseado dos dedos. A coisa fica meio esquisita, mas é tudo muito divertido.</p>
<p style="text-align: justify;">12) E a letra de<strong> “Forgetful Heart”</strong> é consolidada em música. A canção parece uma alma que perambula na mente de cada um. Os passos são dados por Tony no baixo acústico e Don no violino, enquanto Dylan narra cada cômodo das fracas lembranças do coração.</p>
<p style="text-align: justify;">13) A execução de <strong>“Thunder on the Mountain”</strong> é primorosa. Tudo dá certo e aquele tom de <em>“making of”</em> da noite anterior não dá sinal de vida. O bando, com Dylan incluso, soa redondo, poderoso e com autonomia de quem já sabe o caminho.</p>
<p style="text-align: justify;">14) Uma produtora carioca já havia alertado antes do show que nas últimas músicas poderíamos nos levantar e ir próximo ao palco. Em <strong>“Ballad of a Thin Man”</strong>, estou de pé, na grade, a poucos metros do homem nem tão magro como quando compôs a balada. A versão dominical continua poderosa.</p>
<p style="text-align: justify;">15) Para quem acha que Dylan evita seus grandes clássicos, se surpreende pela maneira como o cantor se diverte na reta final dos shows recentes. <strong>“Like a Rolling Stone”</strong> é tocada com agrado e Bob se diverte com a nossa alegria.</p>
<p style="text-align: justify;">16) <strong>“All Along the Watchtower”</strong> recebe a mesma da noite anterior, sendo uma das mais pesadas de domingo. Mesmo bem semelhante, valeu ver e rever.</p>
<p style="text-align: justify;">17) A versão dançante de<strong> “Blowin in the Wind”</strong> e poderia receber os isqueiros acesos ao invés das luzes das telas de câmeras e celulares. Ainda assim é um belo momento, principalmente pelo dueto entre a guitarra de Dylan e o violino de Don. No fim, esperamos que ele, aquele cara que podemos chamar de homem e que diz que a resposta está ao vento, ainda ande muitas e muitas estradas.</p>
<p style="text-align: justify;"><p><a href="http://dylanesco.com/resenha-bob-dylan-em-sp-2204/"><em>Clique aqui para assistir o vídeo inserido.</em></a></p></p>
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		<title>Bob Dylan em SP (22/04): repertório</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Apr 2012 02:08:56 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[<p>Bob Dylan finalizou sua passagem por São Paulo com um repertório que lembrou vagamente a seleção do show no Rio de Janeiro, do dia 15/04. Confira:</p> <p>1.Leopard-Skin Pill-Box Hat<br /> 2.It Ain&#8217;t Me, Babe<br /> 3.Things Have Changed<br /> 4.Tangled Up In Blue<br /> 5.Beyond Here Lies Nothin&#8217;<br /> 6.Not Dark Yet<br /> 7.Summer Days<br [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bob Dylan finalizou sua passagem por São Paulo com um repertório que lembrou vagamente a seleção do show no Rio de Janeiro, do dia 15/04. Confira:</p>
<blockquote><p>1.Leopard-Skin Pill-Box Hat<br />
2.It Ain&#8217;t Me, Babe<br />
3.Things Have Changed<br />
4.Tangled Up In Blue<br />
5.Beyond Here Lies Nothin&#8217;<br />
6.Not Dark Yet<br />
7.Summer Days<br />
8.Simple Twist Of Fate<br />
9.High Water (For Charley Patton)<br />
10.Tryin&#8217; To Get To Heaven<br />
11.Highway 61 Revisited<br />
12.Forgetful Heart<br />
13.Thunder On The Mountain<br />
14.Ballad Of A Thin Man<br />
15.Like A Rolling Stone<br />
16.All Along The Watchtower</p>
<p>(bis)<br />
17.Blowin&#8217; In The Wind</p></blockquote>
<p><img class="aligncenter size-large wp-image-1307" title="2012-04-22 21.29.23" src="http://dylanesco.com/wp-content/uploads/2012/04/2012-04-22-21.29.23-595x446.jpg" alt="" width="595" height="446" /><strong>Similar Posts:</strong>
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