Leonard Cohen & Bob Dylan

Aos 77 anos, Leonard Cohen lança hoje “Old Ideas”, seu primeiro disco de inéditas desde e “Dear Heather”, de 2004. Recentemente, o site da rádio NPR disponibilizou para audição “Old Ideas” e antes mesmo do lançamento, Cohen afirmou que a obra de Bob Dylan influenciaria seu trabalho. Depois de ouvirem, muitos críticos compararam o novo disco de Leonard com os recentes discos de Bob Dylan.

“Bobby Zimmerman, de fato, é um claro ponto de referência no decorrer de ‘Old Ideas’. Em alguns momentos, parece uma resposta a ‘Time Out of Mind’, o lançamento de 1997 que marcou o começo da épica fase ‘homem sofrido’ de Dylan” – Ann Powers.

Porém, a relação de Dylan e Cohen é bem mais antiga do que as comparações dos recentes discos.

Hallelujah & I and I

Os dois músicas já fizeram elogios recíprocos. No início dos anos 90, Leonard Cohen relatou uma conversa que teve com Dylan enquanto estavam tomando café.

Bob comentou a Leonard que gostava muito da música Hallelujah – Dylan até chegou a tocar esta canção em shows -, e perguntou a Leonard quanto tempo ele levou para a compor. Cohen respondeu “dois anos”. Logo depois, foi a vez do canadense perguntar quanto tempo Dylan demorou para escrever I and I. Meio sem jeito e com um sorriso de canto, Bob respondeu: “15 minutos”.

Bob Dylan e sua interpretação de Hallelujah:

John Hammond & Bob Johnston

Bob Dylan e Leonard Cohen foram contratados como artistas da gravadora Columbia pelo mesmo produtor, o lendário John Hammond.

Além de Hammond, os dois também compartilham passagens com o produtor Bob Johnston. Ele foi o responsável por importantes discos de Bob Dylan entre 1965 e 1970, assinando a produção de: Highway 61 Revisited, Blonde on Blonde, John Wesley Harding, Nashville Skyline, Self Portrait e New Morning.

Com Leonard Cohen, Johnston esteve nas sessões de Songs From a Room, Songs of Love and Hate e Live Songs, entre 1969 e 1973.

Budismo & Cristianismo

Coincidência ou não, os dois cantores foram criados em famílias judaicas e em fases distintas da suas vidas experimentaram outras crenças.

Entre 1979 e 1983, Bob Dylan passou a se interessar mais pela bíblia, fazendo cursos na Vineyard School e era comum dar sermões durante as apresentações. Gravou três discos com temática explicitamente cristã: Slow Train Coming, Saved e Shot of Love.

Já Leonard Cohen só questionou sua fé quando estava no auge de sua fama, no início dos anos 90. Entre 1993 e 1999, Cohen morou no monastério de Mount Baldy, em um Los Ageles, e tornou-se monge.

New York & Chelsea Hotel

Em conversa com Mikal Gilmore, Leonard Cohen conta que ao perceber que sua carreira como poeta e romancista não lhe daria muito dinheiro, pensou em gravar um disco de country, estilo que sempre gostou. No meio do caminho, se deparou com o folk de New York.

“Ser escritor é legal – sempre quis ser escritor – mas gostaria de ir para Nashville e gravar uns discos de country. A caminho de Nashville dei uma parada em Nova York e foi aí que pela primeira vez ouvi falar de pessoas como Phil Ochs e Judy Collins e Bob Dylan e Joan Baez e Dave Van Ronk. Foi quando percebi que as coisas que fazíamos em Montréal anos antes agora eram públicas”. Leonard Cohen

Na cidade de New York, os dois já ficaram hospedados no Chelsea Hotel. A estadia resultaria em músicas para ambos. Bob Dylan escreveu na canção Sara que compôs Sad-Eyed Lady of the Lowlands neste hotel. Cohen é mais enfático e deu a uma canção o nome de Chelsea Hotel #2 (sobre seu affair com a cantora Janis Joplin).

Poesia & Música

“Quando eu ouvi Dylan, eu sabia que estávamos diante de um poeta. Desde o começo, percebi que se tratava de um escritor da maior importância, alguém que falava com uma voz verdadeira. Reconheci isso imediatamente por isso era tudo o que me importava. Essa era a vida que eu vivia – uma vida baseada no que eu escrevia”. Leonard Cohen

De todas as semelhanças, a mais óbvia e importante é a relação direta que é possível se fazer entra poesia e música na obra de ambos. Cohen começou sua carreira como escritor antes mesmo de cantor, lançando livros independentes de poesia e obtendo um bom retorno de crítica. Ele também escreveu romances, como Beautiful Losers e A Brincadeira Favorita, recentemente lançado no Brasil.

Bob Dylan sempre foi tido como compositor e flertou diretamente com a literatura apenas em alguns momentos. Nos anos 60 começou a escrever Tarantula, um livro de poesia que só seria lançado em 1971. Também assinou um primeiro volume de sua autobiografia, intitulado Crônicas e que teve uma boa receptividade.

4 thoughts on “Leonard Cohen & Bob Dylan

  1. na biografia de dylan, sounes conta do primeiro encontro entre os dois, no backstage de um festival, dylan teria se aproximado enquanto cohen tocava piano… dylan estendeu a mão mas cohen não parou de tocar para cumprimentá-lo, gerando um cisma que teria durado até os dias de hoje, pelo que entendi. não sabia que dylan tinha cantado cohen já. interessante.

  2. É, esse Leonard Cohen é metido mesmo, e nunca esteve no mesmo nível do Bob Dylan, a verdade é essa, na poesia, na composição e como cantor.
    O Leonard Cohen deixou a poesia e foi para a música porque, como ele mesmo disse, estava decepcionado com a recepção das pessoas, e ganhou alguma notoriedade quando fez a mudança.
    Bem, se fez a mudança, não era lá grande coisa o que ele escrevia como poeta somente, lançando livros.
    Já assisti, uma única vez, ele cantando uma música (uma só) no festival da Ilha de Wight, acompanhado por belas mulheres no palco, se não me engano três, ou duas. Fiquei de olho nas mulheres, e também fiquei de olho, não teve como não perceber, na arrogância dele, nos olhos dele, dando ordens para a juventude, tentando forjar frases de efeito ao microfone, etc.
    O sr. Cohen nunca esteve no mesmo nível de Bob Dylan, e acho que, principalmente no passado, ele tinha despeito.
    Se Leonard Cohen nunca tivesse feito música alguma, para mim não faria falta nenhuma.

    1. Calma cara, o tempo passa e as pessoas ficam mais mansas.
      A obra do Leonardo é muito boa. Escute.
      Quanto comparar um com o outro, bobagem.
      Cada um é cada um. Eu ouço os dois sem problemas. Cada um no seu estilo de agradar.
      E esse negócio de nível: bobeira.
      Se todos fossem de mesmo nível seria um desastre.
      Quanto a arrogância, repare em alguns shows de Bob, há momentos de desprezo em sues olhos
      em sua atitude. Mas isso passa, foi num show x, específico, algo deve ter rolado.
      Os homens passam, as música ficam.
      abç.

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