Tempest (Parte 1): da previsão à tempestade

As nuvens começaram a se acinzentar no início de março. Na época, o músico David Hidalgo foi entrevistado pelo Aspen Times para falar de um show acústico que faria com Los Lobos, mas um comentário desviou a atenção e sua fala foi replicada aos montes pelo mundo: Hidalgo tinha acabado de gravar um novo disco com Bob Dylan. As gravações ocorreram no estúdio Groove Masters, do músico Jackson Browne, mesmo local usado por Dylan nos últimos álbuns (Together Through Life e Christmas in The Heart). Cerca de um mês depois, Bob Dylan chegava ao Brasil para fazer seis shows.

Teríamos que esperar até o final de maio para que tudo estivesse inteiramente nublado. Primeiro, vieram uns boatos sobre a data de gravação – entre janeiro e fevereiro -, alguns detalhes da duração do disco e de possíveis temas e que o jornalista Alan Jones estaria numa audição secreta do disco. No dia 17 de julho, o site oficial de Dylan finalmente divulgou um press-release sobre o lançamento, agora já batizado de Tempest e com data de lançamento, 11 de setembro (exatamente 11 anos após o lançamento de Love & Theft). Em seguida, a Amazon divulgou a capa e os nomes das faixas. Esperávamos agora a chuva cair.

A deusa da sabedoria ou um beberrão sessentista

Divulgada a capa, muitos acharam a arte pobre e tentavam desvendar seus significados. A imagem era de um detalhe da fonte Palas Atena, localizada em Vienna, Áustria. Atena é, na mitologia grega, a deusa da guerra, da civilização, da sabedoria, da estratégia, das artes, da justiça e da habilidade. John Smith, um morador de Duluth, onde Dylan nasceu, afirmou no Facebook que na escola da cidade havia uma estátua parecida.

O nome Tempest recebeu algumas interpretações. Alguns achavam que era uma referência à peça “The Tempest”, último trabalho de Shakespeare – ideia que Dylan tratou de refutar em uma entrevista afirmando que seu álbum chamava-se apenas “Tempest” e isso significava algo completamente diferente.

Logo depois, dylanólogos resgataram um modelo de carro chamado Pontiac Tempest, lançado em setembro de 1960, cuja tipografia do logo é bem semelhante a usada no título. Coincidência ou não, na contracapa do disco Bob está dentro de um carro (porém, trata-se de um Corvette, também dos anos 60). O quê isso poderia significar?

Pré-lançamento

Só em agosto pudemos sentir o cheiro da chuva iminente. Primeiro foi parte de “Early Roman Kings” como trilha de um trailer de Strike Back, seriado da Cinemax. Depois, “Scarlet Town” como fundo musical para os créditos finais do mesmo programa. Aos poucos as canções vazavam na íntegra.

O início efetivo ocorreu há cerca de uma semana. No dia 27 de agosto, a NPR divulgou o áudio de “Duquesne Whistle”. Dois dias depois, foi a vez do jornal The Guardian fazer o lançamento mundial no novo clipe de Dylan:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=mns9VeRguys]

Listen To Bob Dylan + Tempest Store

Surpreendentemente, a gravadora utilizou uma estratégia imponente para divulgar Tempest. No começo de setembro, espalhou em 10 países do mundo, incluindo o Brasil,  100 locais onde seria permitido ouvir metade do disco: as já conhecidas “Early Roman Kings”, “Duquesne Whistle” e “Scarlet Town”, além das inéditas “Pay in Blood” e “Narrow Way.

Além dessa ação, serão montadas lojas especialmente para o lançamento. A primeira será inaugurada no dia 7, em Berlim. As três restantes abrirão no dia 10 e estarão em Los Angeles, New York e Londres.

Audição na íntegra

Hoje foi disponibilizado na íntegra a audição do novo disco no iTunes. No próximo post, farei um “faixa-a-faixa” de Tempest, o 35º disco de estúdio de Bob Dylan.

4 thoughts on “Tempest (Parte 1): da previsão à tempestade

  1. Eu achei este site um dia desses, e não pude deixar de lembrar o que o próprio Bob Dylan disse no passado sobre os seus “mistérios”.
    “A imprensa fez esse barulho todo, me tirou o foco sobre mim mesmo. Mas o recuperei a tempo. A culpa não é minha, é da imprensa.”

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