Top5 – Chutes dylanescos

Abaixo, reproduzo um post inicialmente publicado no blog Pangeia, há praticamente um ano atrás (14 de novembro).

Não irei discorrer a respeito do talento como letrista de Bob Dylan. Quanto a isso, muitos já disseram e muitos ainda dirão (como eu, futuramente!). Contudo, deve se respeitar a sofisticação de Dylan quando ele quer dar um fora, um belo chute-na-bunda, através de suas músicas.

O Washington Post divulgou uma lista com cinco foras mais ácidos que cantor deu através de seus versos.

1- “Don’t think twice it’s all right”
“But goodbye’s too good a word, babe/So I’ll just say fare thee well/I ain’t sayin’ you treated me unkind/You could have done better but I don’t mind/You just kinda wasted my precious time/But don’t think twice, it’s all right” (“Mas ‘adeus’ é uma palavra muito boa, querida/ Então eu digo apenas ‘até logo’/ Eu não estou dizendo que você me destratou/ Você poderia fazer melhor, mas eu não ligo/ Você meio que desperdiçou meu tempo precioso/ Mas não pense duas vezes, está tudo bem”)

A sutileza e ironica do título é o que torna a musica ainda mais ácida. O uso de um termo carinhoso, babe (querida), além do “descaso” pelo destrato sofrido pelo eu-lírico, apenas encobre e maqueia o descaso não pelo distanciamento, mas por quem o começou.

2. “4th Time Around”
“And I, I never took much/I never asked for your crutch/Now don’t ask for mine” (“E eu, eu nunca exigi muito/ Eu nunca pedi pela sua muleta/ Agora não peça pela minha”)

Oliver Trager sugere que essa musica é uma resposta a “Norwegian Wood (The bird has flown), de John Lennon. Principalmente essas últimas linhas, que respondem de forma um tanto irônica a influência de Dylan sobre os FabFour.

3. “Positively 4th Street”
“Yes, I wish that for just one time/You could stand inside my shoes/You’d know what a drag it is/To see you” (“Sim, eu gostaria que ao menos uma vez/ Você estivesse no meu lugar/ Você saberia como é um saco/ Te ver”)

Essa musica, lançada como single em 1965, é basicamente um ataque atrás de outro. Cada estrofe é uma ofensa, às vezes irônica e sutil, às vezes agressiva e explícita. As frases acima talvez se encaixem mais na segunda opção.

4. “It’s All Over Now, Baby Blue”
“The vagabond who’s rapping at your door/Is standing in the clothes that you once wore/Strike another match, go start anew/And it’s all over now, Baby Blue” (“O vagabundo que está batendo na sua porta/ De pé com as roupas que você já usou/ acabe com outro jogo, comece de novo/ Está tudo acabado, ‘querida azul’”)

Sem comentários. Uma bela humilhada, com um final conclusivo.

5. “Masters of War”
“And I hope that you die/And your death’ll come soon/I will follow your casket/In the pale afternoon/And I’ll watch while you’re lowered/Down to your deathbed/And I’ll stand o’er your grave/’Til I’m sure that you’re dead” (“E eu espero que você morra/ e sua morte virá logo/ Eu seguirei seu caixão/ Na tarde pálida/ E eu assistirei enquanto você estiver descendo/ No seu leito de morte/ E eu ficarei parado na sua sepultura/ Até eu ter certeza que você está morto”)

Essa música, com um conteúdo mais político do que passional, traz uma descrição dura. É forte a imagem de alguém observando seu inimigo (ou ex-amor) na sepultura e ter certeza que ele está morto.

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