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Para preparar todos os fãs para o décimo primeiro volume da Bootleg Series, que cobre a fase conhecida como “The Basement Tapes”, a Columbia escolheu alguns sites para presenteá-los com músicas exclusivas.

Aqui estão os links para elas:

You Ain’t Goin’ No Where (Take 1)
Imagem de Amostra do You Tube

 

Yea! Heavy and a Bottle of Bread (Take 1)

Tupelo (John Lee Hooker cover)

900 Miles from My Home

Ain’t No More Cane (Take 2)

Lo and Behold! (Take 1)

Dress It up, Better Have it All

Odds and Ends (Alternate version)

 

"Another Side Of Bob Dylan", Victor Maymudes.

Terminei de ler há pouco tempo “Another Side Of Bob Dylan”, livro de memórias de Victor Maymudes, lançado com a ajuda do filho Jacob cerca de 10 anos depois de sua morte.

Victor Maymudes é uma das fíguras míticas do clã dylanesco. Apesar de fugir dos holofotes, foi amigo, oponente preferido de Bob no xadrez, além de trabalhar como gerente de turnê e guarda-costas de Dylan durante alguns períodos dos quase 30 anos de amizade.

Esteve presente em alguns momentos relevantes, como na viagem de 1964 que originou “Chimes Of Freedom”; no encontro com os Beatles no mesmo ano, quando Dylan (ou Victor, segundo ele mesmo) apresentou a maconha ao quarteto; na famosa turnê “Rolling Thunder Revue”; e na gravação do “30th Anniversary Concert Celebration”, de 1992. Também serviu com um secretário particular de Bob, atuando na compra de imóveis, formulação do ônibus de turnê de Dylan e ajudando na montagem do café que o músico possui em Santa Mônica.

Com esse currículo, e com a ligação além do profissional com Dylan, esta era uma obra que tinha tudo para ser histórica e relevante.

Mas, na minha opinião, não é.

20130606-dylan-maymudes-306x306-1370557066A obra mistura poucos relatos importantes com fofocas e afirmações que soam presunçosas. Victor afirma, por exemplo, que Dylan não conseguiu enrolar a maconha que daria aos Beatles e que dormiria após alguns drinques e tragadas. Conta que foi ele quem passou a noite toda com o quarteto, conversando com Lennon durante um bom tempo.

Em outro ponto do livro, esmiuça-se a história dos Maymudes e da trajetória em cafés cults que Victor montou antes de conhecer Dylan. Há também relatos mais desnecessárias, contando detalhes do término do casamento de Bob ou do casamento com Carolyn Dennis, que Dyan preferiu manter em segredo (e que foi posteriormente revelada em um livro de Howard Sounes).

Para quem conhece a história de Bob e sabe de sua relação com a privacidade, se estranha com o tamanho desleixo, para não dizer desrespeito, em que o livro aborda questões tão pessoais de Dylan. Uma coisa são os relatos já conhecidos; outra coisa é tratar com orgulho, ou valor, segredos de quando se convivia com a família de Bob.
Para mim, dois fatores foram determinantes para a baixa qualidade do livro:

Rancor

Victor Maymudes e Bob Dylan

Nos anos 90, Bob Dylan soliciou a Victor que criasse um café. O local escolhido foi Santa Mônica e entre os funcionários, passaram o Jacob e Aerie, filhos de Maymudes. Na época em que Aerie estava no comando do estabelecimento, a conta no final do ano ficou no vermelho. Dylan se enfureceu pelo prejuízo e demitiu, segundo Victor, de maneira agressiva Aerie. Desde então os dois nunca mais se falaram.

O livro de memórias nasceria depois deste episódio, quando Victor precisava de dinheiro e passou a gravar fitas com relatos. Dessa forma, é possível pensar que havia um grau de raiva e rancor no momento que o projeto nascia. Vingança talvez seja muito forte, mas Victor pode ter deixado de lado parte da amizade que existiu.

É preciso deixar claro: Victor elogia Dylan em vários momentos, principalmente ao falar da competência poética do amigo. Um dos momentos mais preciosos do livro trata do trabalho árduo que Bob tinha com sua música. Muitas vezes, passava dias e dias sozinho, apenas fumando e tomando café, enquanto compunha.

Contudo, em vários outros momentos Victor parece se deixar levar por uma ira. Em alguns casos a crítica é relevante na construção do contexto; mas infelizmente muitas vezes os detalhes esbarram em fofocas rasas.

O luto de Jacob

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Depois da morte de Victor, o projeto só foi retomado quando um incêndio na casa da mãe de Jacob quase exterminou toda a documentação. Com um pai ausente (influência, principalmente, das turnês de Dylan), Jacob usou das gravações para conhecer o pai e revisitar parte das histórias tão intrigantes que ouvia de vez em quando.

Com isso, o livro recebe também um o foco na busca de identidade de Jacob. Nada contra essa necessidade, mas discordo fazer isso em um livro cujo título é “O outro lado de Bob Dylan”. O nome é muito apelativo para se dar ao luxo de um luto familiar.

Outro ponto é a distância de Jacob com a vida que Victor na estrada. Ele não conhecia os detalhes e precisou buscar livros para entender parte do contexto. O próprio Jacob cita que Victor buscou ajuda de especialistas, como um escritor brasileiro, quando pensava no projeto. A falta de um especialista, um co-autor que tivesse competência em biografias, por exemplo, poderia melhorar em muito a fluência e relevância do livro.

Which Side Are You On?

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No fim da leitura, talvez se aproveite algo em torno de 30% do total. O fã dylanesco encontrará pérolas, mas é preciso de muito trabalho, e paciência, para encontrá-las. Inúmeros outros livros servem mais, com melhores informações (um dos mais completos talvez seja “Behind The Shades Revisited”, de Clinton Heylin).

Outro ponto é a própria ética do relato. Como um amigo pessoal e de longa data, é impossível ficar confortável com alguns detalhes.

Como o próprio livro informa, Bob Dylan não citou uma só vez o nome de Victor no primeiro (e até o momento, único) volume de sua autobiografia. Talvez ele soubesse de que lado Victor poderia estar.

 

Pôster com a foto de Danny

Danny Clinch é um fotógrafo americano com um currículo extenso e de qualidade. No início de sua carreria, foi estagiário da renomada Annie Leibovitz e desde então conseguiu capturar com suas lentes personalidades como: Jay Z, Radiohead, Johnny Cash, Bruce Springsteen e, é claro, Bob Dylan.

Bob Dylan, por Danny Clinch

Em uma galeria recente da Rolling Stones, Danny contou os bastidores de algumas fotos, incluindo a que tirou de Bob Dylan em 1999.

Segue seu relato:

“Eu tive a chance de fotografar Bob Dylan em 1999. Foi um sonho realizado. Eu nem imaginava que ele fosse aparecer, eu apenas não acreditei. Eu estava realmente preparado e reservei este lugar chamado Ambassador Hotel, em Los Angeles. Não só é o local onde o Rat Pack [grupo formado por por Frank Sinatra, Dean Martin, Sammy Davis Jr. e outros] tocava frequentemente na sala Coconut Grove, como Robert Jennedt foi assassinado na cozinha de lá. Foi bem legal porque há muitos estilos diferentes e cenários. Eu pensei, ‘Se eu tenho Bob Dylan, eu quero fazer o melhor disso’.

Não imaginei que ele fosse ficar tão intrigado com toda a história que ocorrera lá. Nós andamos pelo hotel e tivemos uma aula de história com o rapaz que era nosso guia. Dylan estava completamente imerso, então ele ficou por lá durante um bom tempo.

No caminho para a sessão, eu recebo uma ligação do seu assessor que diz: “Bob quer saber se você é familiar com Little Walter’. Eu disse: “Sim, eu sou um grande fã de Little Walter. Eu mesmo toco um gaita’. Ele disse: ‘Existe uma famosa foto dele em um de seus álbuns em que ele está segurando uma gaita e é uma iluminação no estilo de Hollywood’. Eu digo: Sim, eu sei exatamente o que você está falando. Na verdade, eu tenho o CD aqui no local’. Ele então foi: ‘Oh, ótimo!’. Eles apareceram e Bob ficou louco ao ver que eu sabia o quê ele estava querendo. Enquanto eu esperava eles chegarem, eu montei esta iluminação antiga, no estilo de Hollywood. Ele pegou sua antiga gaita cromática, que era muito bonita. Eu então comecei a fotografar naquele estilo.

Eles têm usado esta foto em todos os pôsteres de todos os shows de Dylan. Esta foto foi reproduzida, tipo, um milhão de vezes. Desde 1999, eles têm usado outras de vez em quando, mas este foi o clique que eu me orgulho muito. A partir desta sessão de fotos eu tive fotos em Love and Theft e em alguns singles. Se você quer falar de uma honra de ter sua foto em algum lugar, é tê-la em um disco do Bob Dylan”.

Abaixo, segue a possível foto de referência que Bob solicitou a Danny.

Little Walter, circa early 1960's (Photo by Don Bronstein/CEA-Cache Agency)

 

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Novembro será um mês caro para o fãs dylanescos. Além das duas obras relacionadas ao Basement Tapes (Lost On The River e Bootleg Series Vol.11), outro lançamento envolvendo Dylan também está marcado para ser lançado no meio do penúltimo mês do ano.

Paul McCartney receberá disco tributo com inúmeros artistas, entre eles Bob Dylan, no dia 18 de novembro. Intitulado “The Art of McCartney”, o álbum também contará com The Cure, Willie Nelson, Wanda Jackson, Jeff Lynne, B.B. King e outros.

Segundo o site Consequence Of Sound, o projeto teve início em 2003, quando o produtor Ralph Sall recebeu a aprovação de McCartney. A partir daí, Sall recrutou a atual banda de Paul e juntos começaram a pensar nos potenciais cantores.

Bob Dylan interpretará “Things We Said Today”, mas ainda não está claro se ele cantará com sua banda ou com o grupo que acompanha Macca.

[UPDATE (23/09): liberado um trecho do cover de Dylan!!]

O álbum será lançado nas versões CD, vinil, digital e em uma versão de luxo, com um documentário sobre o projeto e um USB no formato do famoso baixo Hofner.

Abaixo, a tracklist completa e um primeiro exemplo, com The Cure e James, filho de Paul, no teclado:

The Art of McCartney Tracklist:
01. Billy Joel – “Maybe I’m Amazed”
02. Bob Dylan – “Things We Said Today”
03. Heart – “Band on the Run”
04. Steve Miller – “Junior’s Farm”
05. Yusuf Islam – “The Long and Winding Road”
06. Harry Connick, Jr. – “My Love”
07. Brian Wilson – “Wanderlust”
08. Corinne Bailey Rae – “Bluebird”
09. Willie Nelson – “Yesterday”
10. Jeff Lynne – “Junk”
11. Barry Gibb – “When I’m 64″
12. Jamie Cullum – “Every Night”
13. Kiss – “Venus and Mars”/”Rock Show”
14. Paul Rodgers – “Let Me Roll It”
15. Roger Daltrey – “Helter Skelter”
16. Def Leppard – “Helen Wheels”
17. The Cure, featuring James McCartney – “Hello Goodbye”
18. Billy Joel – “Live and Let Die”
19. Chrissie Hynde – “Let It Be”
20. Cheap Trick’s Robin Zander and Rick Nielsen – “Jet”
21. Joe Elliott – “Hi Hi Hi”
22. Heart – “Letting Go”
23. Steve Miller – “Hey Jude”
24. Owl City – “Listen to What the Man Said”
25. Perry Farrell – “Got to Get You Into My Life”
26. Dion – “Drive My Car”
27. Allen Toussaint – “Lady Madonna”
28. Dr. John – “Let ‘Em In”
29. Smokey Robinson – “So Bad”
30. The Airborne Toxic Event – “No More Lonely Nights”
31. Alice Cooper – “Eleanor Rigby”
32. Toots Hibbert with Sly & Robbie – “Come and Get It”
33. B.B. King – “On the Way”
34. Sammy Hagar – “Birthday”

The Art of McCartney Bonus Tracks:
01. Robert Smith – “C Moon”
02. Booker T. Jones – “Can’t Buy Me Love”
03. Ronnie Spector – “P.S. I Love You”
04. Darlene Love – “All My Loving”
05. Ian McCulloch – “For No One”
06. Peter, Bjorn and John – “Put It There”
07. Wanda Jackson – “Run Devil Run”
08. Alice Cooper – “Smile Away”

 

O desenhista argentino Esteban Serrano resolveu homenagear os 50 anos de gravação de Bob Dylan ilustrando o semblante do músico em cada um dos 37 discos de estúdio.

Em seu blog, No Somos Húngaros, Esteban postou cada uma das imagens e disponibilizou recentemente um PDF (de 60 x 94cm) com todas as ilustrações (baixe aqui).

Confira abaixo.

50 Anos em 1 Poster

Para quem quiser relembrar outros projetos gráficos envolvendo a obra de Dylan:

- Oscar Fortunato

- Mark Hamilton

- Leona Oppenheimer

 
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