Depois de um rumor não confirmado de shows no Brasil em 2015, a turnê anual de Bob Dylan começou ontem, 10 de abril, em Atlantic City-NJ, nos EUA.

(O mapa está desatualizado, mas é legal para ter uma noção da extensão da turnê, que prioriza a região sul dos EUA)

(O mapa está desatualizado, mas é legal para ter uma noção da extensão da turnê, que prioriza a região sul dos EUA)

No primeiro show do ano, Bob Dylan manteve o repertório de boa parte dos shows de 2014 – setlist que alguns fãs já apelidaram de “The Set”. O site AllDylan compilou os vídeos de algumas músicas da apresentação e você pode conferir abaixo.

Entre os destaques dos registros, estão a pequena mudança no arranjo atual de “Workingman’s Blues #2”, a dinâmica de “Pay In Blood”, algumas inovações na linha vocal de “High Water (For Charley Patton)” e o guitarrista Stu Kimball no chocalho durante “Early Roman Kings”.

Confira o repertório e os vídeos:

1. Things Have Changed
2. She Belongs To Me
3. Beyond Here Lies Nothin’

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4. Workingman’s Blues #2

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5. Duquesne Whistle
6. Waiting For You

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7. Pay In Blood

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8. Tangled Up In Blue
9. Love Sick

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(intervalo)
10. High Water (For Charley Patton)

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11. Simple Twist Of Fate

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12. Early Roman Kings

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13. Forgetful Heart

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14. Spirit On The Water
15. Scarlet Town
16. Soon After Midnight
17. Long And Wasted Years

(bis)
18. Blowin’ In The Wind
19. Stay With Me

 

Dylan, Cash, and the Nashville Cats: A New Music City

Visitei Nashville em 2013, quando acompanhei três shows da turnê AmericanaramA que Bob Dylan ao lado das bandas Wilco, My Morning Jacket e outros convidados. Na ocasião, meu passeio pela lendária “Capital da Música” expôs uma lacuna curiosa: quase nenhuma menção à Bob Dylan e sua relação com Nashville.

Contextualizando

Como escrevi na época, Robbie Robertson talvez tenha matado a charada pelo “ostracismo dylanesco” na Music City. Ele opina que a cultura de Nashville não tem o costume de valorizar músicos que não fazem parte do círculo local. Apesar de acharmos elementos aqui e ali, o “wild mercury sound” que Dylan conseguiu em Blonde on Blonde difere daquele que escutamos aos montes nas ruas da cidade.

Bob Dylan gravou quatro discos em Nashville: Blonde On Blonde (parte em Nashville, parte em New York), John Wesley Harding, Nashville Skyline e Self Portrait (também com sessões divididas entre Nashville e New York). Entre os dois maiores entusiastas e influenciadores da ida de Dylan à capital do Country estão: Bob Johnston, produtor nascido em Nashville que trabalhou com Dylan em New York, e Johnny Cash, que Bob conheceu no Newport Folk Festival e manteve contato até o reencontro em 1969, para as gravações de Nashville Skyline.

Dylan, Cash, and the Nashville Cats: A New Music City

A nova exposição do museu Country Music Hall Of Fame parece querer compensar este desdém passado. Em “Dylan, Cash, and the Nashville Cats: A New Music City”, o curador Pete Finney mostra a importância que a parceria entre Cash e Dylan teve para a ampliação da atuação de Nashville no cenário musical, expandindo sua atividade para além do country. A exposição também homenageia outros músicos locais importantes para a fama de alta qualidade da cidade, entre eles: Kenny Buttrey, Charlie Daniels, Pete Drake, Charlie McCoy e Jerry Reed – muitos deles com participações em discos de Bob Dylan.

A Rolling Stone destacou os principais itens da exposição que fica até o final de 2016. Veja uma compilação dos itens dylanescos:

1- Manuscrito de “Wanted Man”, música que Dylan escreveu para Johnny Cash, que a gravou no disco “Live At San Quentin”

2- Guitarra Telecaster, usada por Charlie Daniels nas gravações de Nashville Skyline e Self Portrait

3- Agenda de Charlie McCoy, músico responsável pelo solo em “Desolation Row”

4- Terno que Dylan usou no encontro com Papa João Paulo II, em 1997, feito pelo designer Manuel Cuevas.

5- Acetato de “4th Time Around”, que Bob gravou em Nashville no dia 14 de fevereiro de 1966.

6- Grammy de Johnny Cash pelo texto do encarte de Nashville Skyline

7- Ingresso para show que Dylan fez em Louisville, Kentucky, no dia 4 de fevereiro de 1966 – dez dias antes de começar a gravar Blonde on Blonde.

O site do museu destacou outros itens dylanescos, como:
– Mahogany 1949 Martin 00-17, que Bob Dylan no começo dos anos 60;
– Documentos do começo da carreira de Dylan, como seu primeiro show oficial em New York
– Guitarra Gretsch Country Gentleman de Ron Cornelius, usada em gravações de Dylan no começo dos anos 70.

 

dylan

Recebi na semana passada um email do musicólogo Steven Rings, PhD em Música e Diretor da Faculdade de Música de Chicago. No email, ele mandou o link abaixo do vídeo. No momento que eu vi do que se tratava, já fiquei muito curioso. É interessante ver a análise acadêmica e muito bem embasada de Steve sobre a obra de Bob Dylan. Neste último trabalho, ele se debruçou sobre as diversas origens, conscientes ou não, da canção “Don’t Think Twice, It’s Alright”.

“Don’t Think Twice, It’s Alright – A Genealogy” é uma palestra sobre às vozes ecoantes por trás da música. Steven começa por desconstruir uma parte da lenda por trás da obra: que Dylan teria roubado a melodia de Paul Clayton. De fato há similaridades óbvias, mas outro fato é que o próprio Clayton se apropriou de melodias e abordagens de músicas ainda mais antigas.

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Depois, Rings faz uma série de ligações curiosas e intrigantes, conectando a harmonia de “Don’t Think Twice” com vários estilos, como country, folk e até doo-wop.

A apresentação é em inglês, mas até mesmo para quem não é tão íntimo do idioma pode ser uma boa diversão. É interessante notar a construção do argumento de Rings e como ele mostra o passo-a-passo para defender a grandiosidade, amplitude e experiência que é apreciar a canção dylanesca.

Boa viagem (clique na imagem abaixo para acessar o vídeo).

Clique na imagem para ver o vídeo.

 

 

Acabou de ser lançando o novo clipe de Bob Dylan. O vídeo tem como trilha “The Night We Called It a Day”, do disco Shadows In The Night. Como tem ocorrido nos últimos clipes, a história romântica é contata sob uma ótica violenta e sanquinária (lembre-se de “Duquesne Whistle”, “Beyond Here Lies Nothin’” e “Must Be Santa”).

Com uma roupagem em preto-e-branco, como os antigos filmes, Bob Dylan compete com o ator Robert Davi (que, coincidência ou não, também lançou um álbum com canções já interpretadas por Sinatra) o coração de Tracy Phillips. O resultado é uma sucessão de assassinatos, com Dylan escapando ileso.

Confira!

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O clipe foi dirigido por Nash Edgerton, o mesmo de “Duquesne Whistle.

 

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D.A. Pennebaker e Chris Hegedus trabalharam juntos diversas vezes. No universo dylanesco, a parceria foi importantíssima para a produção de “Dont Look Back”, de 1967, que retrata a última turnê exclusivamente acústica e solitária de Bob Dylan, ocorrida em 1965.

É desse filme, por exemplo, que está aquele que é considerado um dos primeiros clipes de música:

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A CAIXA Cultural Rio de Janeiro apresenta, de 28 de fevereiro a 8 de março de 2015, a mostra de filmes “O cinema verdade de Pennebaker e Chris Hegedus”. Serão 25 filmes, entre curtas e longas, divididos em 3 categorias temáticas: cinema rock, política e artes cênicas e performances.

Para a curadora Amanda Bonan, “Pennebaker e Hegedus foram dois dos principais consolidadores da vertente do cinema documentário que se empenha em captar a realidade tal qual ela aparece diante de nossos olhos. O cinema verdade procura reproduzir aquilo que acontece no mundo, com o mínimo de interferências possível”.

Além da exibição dos filmes, o público poderá participar de debates gratuitos com importantes pensadores e críticos de cinema.

Confira a programação!

Informações:

Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Cinemas 1 e 2
Endereço: Av. Almirante Barroso, 25, Centro (Metrô: Estação Carioca)
Telefone: (21) 3980-3815
Data: de 28 de fevereiro a 8 de março de 2015
Horários: Consultar programação
Classificação Indicativa: Consultar de acordo com o filme
Ingressos: R$ 4,00 (inteira) e R$ 2,00 (meia). Além dos casos previstos em lei, clientes CAIXA pagam meia
Lotação: Cinema 1 – 78 lugares (mais 3 para cadeirantes). Cinema 2– 80 lugares (mais 3 para cadeirantes)

Obs.: Meu agradecimentos a Lucia Possas pela dica!

 
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