O fraseado poético de Dylan

Ao longo de sua carreira, Bob Dylan desenvolvou diversos timbres na sua voz e fraseados distintos. No começo, antes mesmo de gravar seu primeiro álbum, amigos dizem que sua voz era doce, similar ao que ele faria nos álbuns do final da década de 60 (Nashville Skyline e Self Portrait, dos anos 70, por exemplo).

Um desses estilos foi o que Dylan usou nos seus primeiros álbuns. Seu modo de cantar era mais estruturado na letra do que na melodia. A música servia quase como uma trilha sonora para o conteúdo que Bob queria passar.

Em uma ótima reportagem de 1985 do jornalista Bob Brown, Dylan explicou como desenvolveu seu fraseado. No bairro novaiorquino de Greenwich Village, os Cafes onde os músicos folks se apresentavam eram também visitados e utilizados por poetas beats. Eles recitavam poesia e havia uma atmosfera artística tão rica que a troca era inevitável (ou, como Bob descreveu na música Tangled Up in Blue, “a revolução estava no ar”).

O vídeo da entrevista foi excluído da internet, mas aqui está a descrição completa e abaixo, um exemplo do fraseado de um dos poetas da época, Lawrence Ferlinghetti, durante o concerto “The Last Waltz” do grupo The Band, em que Bob Dylan também participou.

Apple’s got your fly – A influência dylanesca em Steve Jobs

Steve Jobs, que recentemente deixou o comando da Apple, é comumente atrelado a um perfil revolucionário. No final dos anos 90, retornou à Apple depois de uma saída turbulenta e de fato revolucionou a empresa, tirando da possibilidade de falência para o posto de maior empresa do mundo.

Pouco se sabe sobre a vida pessoal de Jobs, mas uma coisa é óbvia: ele é fã de Bob Dylan.

Abaixo, alguns vídeos com a relação entre Steve Jobs e o mundo dylanesco.

Os favoritos de Steve Jobs – Bob Dylan e Beatles
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Reunião da Apple em 1984, em que Steve Jobs cita The Times They Are A-Changin’
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Comercial com o conceito “Think Different”. Bob é o segundo a aparecer, após Einstein (que não está disfarçado de Robin Hood)
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Divulgação de Modern Times para iTunes e iPod, com Someday Baby como trilha
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Um Dylan incompreendido ou incompreensivo?

De origem judáica, Shabtai Zisel ben Avraham só se apresentou em Israel pela primeira vez em 1987. Não sabe quem é? Este é o nome hebráico de Robert Allen Zimmerman. Ou, para facilitar, Bob Dylan.

Depois de passar por uma fase cristã, que durou do fim de 1978 até o começo de 1983, Bob tocou nos dias 5 e 7 de Setembro de 1987 nas cidades de Tel Aviv e Jerusalem, respectivamente. Para acompanhá-lo, Tom Petty e seu grupo The Heartbreakers.

Bob Spitz, em sua biografia sobre Dylan, relata no prólogo a expectativa da população pelo primeiro show de Dylan em Israel. Como bem descreveu Spitz, enquanto que para o público havia uma ansiedade muito grande, para Dylan os dois shows pareciam ser como outros quaisquer.

Robert Hilburn, um conceituado crítico musical, acompanhou Dylan em sua passagem pelo país. Ele relata que no show de Tel Aviv, Bob Dylan abriu com Maggie’s Farm, mas incluiu também canções menos famosas e emblemáticas, como Joey, Señor e Dead Man, Dead Man. Hilburn viu a empolgação do público diminuir e as pessoas balançarem a cabeça como se não estivessem entendendo.

No dia seguinte, Hilburn foi questionado por Dylan sobre a recepção do show. Ele respondeu que era a primeira vez que Bob estava em Israel e, portanto, havia uma grande expectativa da platéia de ouvir os grandes clássicos dylanescos.

Dylan então perguntou a Hilburn quais músicas ele achava interessente tocar. Hilburn fez uma lista e entregou a Bob. No show seguinte, em Jerusalém, Bob incluiu as canções sugeridas por Hilburn.

Abaixo, um vídeo em que Hilburn relata exatamente esta passagem e ilustra como Bob Dylan é tão misterioso e intrigante quanto suas canções.

Hilburn defende Dylan e afirma que o cantor não achou que a escolha da música deveria obedecer o gosto do público. Dylan exemplifica sua opinião: “Quando eu vou ver um show do Sinatra, eu não me importo com o quê ele toca, eu só quero vê-lo, ouví-lo cantar o que ele sente que deve cantar”.

Spitz finaliza o seu prólogo citando um desabafo melancólico de uma fã, que questiona ao vento, como se esperasse uma resposta: “Eu não o entendo. Por que ele tem que nos confundir dessa maneira? Qual é a dele?”