Propaganda, all is phony (ou Bob Dylan garoto-propaganda)

Advertising signs that con you
Into thinking you’re the one
That can do what’s never been done
That can win what’s never been won
Meantime life outside goes on
All around you.

[It’s Alright, Ma (I’m Only Bleeding)]

Uma seleção de comerciais com Dylan como garoto-propaganda e trilha sonora.

Victoria’s Secret:

 

Pepsi:

 

Cadillac:

 

Expo Zaragoza:

 

Google:

Love & Theft:

E ainda tem com:
Apple
Johnnie Walker
Co-op
Minnetonka
Alfa Romeo

O “verdadeiro” Acústico MTV de Dylan

Após o sucesso de público do Concerto em homenagem a Bob Dylan, que arrecadou, em 1993, cerca de US$10 milhões com ingressos e principalmente pay-per-view (e tendo Dylan embolsado uma boa parcela deste montante), Bob achou interessante filmar uma apresentação tendo em vista a veiculação na TV.

Nesta época, apesar de excursionar com Santana e fazer uma sonoridade mais voltada para o rock, Dylan lançou entre 92 e 93 dois álbuns solo, Good As I Been To You e World Gone Wrong, em que tocava canções tradicionais do folk e country-blues apenas utilizando violão e gaita.

Assim, o projeto pensado por Bob utilizaria a banda que o acompanhava e mesclaria com o ambiente intimista e acústico criado pelos recentes discos.

Supper Club

Dylan pagou toda a produção e deu início mesmo não fechando com nenhuma emissora de TV. Escolheu o Supper Club, em New York, como local para as quatro apresentações, ocorridas nos dias 16 e 17 de novembro de 1993. No repertório, músicas de várias épocas, deixando muitos “greatest hits” dylanescos de fora.

Apesar de ter o projeto fechado, Dylan percebeu (e foi aconselhado por pessoas íntimas) de que o projeto não tinha nenhum apelo comercial, dificultando a veiculação na TV. Nesta época Bob supostamente sofria um bloqueio criativo (o último disco de inéditas é de 1990 e ele só lançaria algo novo em 1997), além de não estar satisfeito com o rumo de suas recentes turnês (incluindo com Tom Petty e Greateful Dead, nos anos 80).

MTV Unplugged

Assim, Bob Dylan cedeu às pressões e desenvolveu um novo projeto, dessa vez em parceria com a MTV. Os shows foram gravados um ano depois, nos dias 17 e 18 de novembro de 1994.

“Eu gostaria de fazer antigas canções folk com instrumentos acústicos, mas havia muitas sugestões de outras fontes sobre o que seria bom para o público da MTV… Em outra época, eu discutiria, mas não havia porquê. Eu senti que eu tinha que entregar, e entreguei algo que foi preconcebido para mim. Não foi necessariamente o que eu queria fazer”. – Bob Dylan, em 1995.

Eu gosto muito dos dois, mas é visível a diferença na abordagem. Além do repertório mais aceitável para o grande público, o MTV Unplugged possui ótimas interpretações, mas que não chegam aos pés – com exceção de Desolation Row e John Brown – da intensidade de Dylan nos shows no Supper Club. Ele parece bem mais à vontade e divertindo-se mais.

Ring Them Bells (Supper Club)

Knockin’ On Heaven’s Door (Unplugged MTV)

Petição para Sony

Para quem se interessar, um grupo no Facebook quer pressionar a Sony a lançar um box quádruplo de DVDs com as quatro apresentações no Supper Club. Depois de entrar no grupo, é preciso assinar virtualmente um documento que está na própria página do Facebook.

Leonard Cohen & Bob Dylan

Aos 77 anos, Leonard Cohen lança hoje “Old Ideas”, seu primeiro disco de inéditas desde e “Dear Heather”, de 2004. Recentemente, o site da rádio NPR disponibilizou para audição “Old Ideas” e antes mesmo do lançamento, Cohen afirmou que a obra de Bob Dylan influenciaria seu trabalho. Depois de ouvirem, muitos críticos compararam o novo disco de Leonard com os recentes discos de Bob Dylan.

“Bobby Zimmerman, de fato, é um claro ponto de referência no decorrer de ‘Old Ideas’. Em alguns momentos, parece uma resposta a ‘Time Out of Mind’, o lançamento de 1997 que marcou o começo da épica fase ‘homem sofrido’ de Dylan” – Ann Powers.

Porém, a relação de Dylan e Cohen é bem mais antiga do que as comparações dos recentes discos.

Hallelujah & I and I

Os dois músicas já fizeram elogios recíprocos. No início dos anos 90, Leonard Cohen relatou uma conversa que teve com Dylan enquanto estavam tomando café.

Bob comentou a Leonard que gostava muito da música Hallelujah – Dylan até chegou a tocar esta canção em shows -, e perguntou a Leonard quanto tempo ele levou para a compor. Cohen respondeu “dois anos”. Logo depois, foi a vez do canadense perguntar quanto tempo Dylan demorou para escrever I and I. Meio sem jeito e com um sorriso de canto, Bob respondeu: “15 minutos”.

Bob Dylan e sua interpretação de Hallelujah:

John Hammond & Bob Johnston

Bob Dylan e Leonard Cohen foram contratados como artistas da gravadora Columbia pelo mesmo produtor, o lendário John Hammond.

Além de Hammond, os dois também compartilham passagens com o produtor Bob Johnston. Ele foi o responsável por importantes discos de Bob Dylan entre 1965 e 1970, assinando a produção de: Highway 61 Revisited, Blonde on Blonde, John Wesley Harding, Nashville Skyline, Self Portrait e New Morning.

Com Leonard Cohen, Johnston esteve nas sessões de Songs From a Room, Songs of Love and Hate e Live Songs, entre 1969 e 1973.

Budismo & Cristianismo

Coincidência ou não, os dois cantores foram criados em famílias judaicas e em fases distintas da suas vidas experimentaram outras crenças.

Entre 1979 e 1983, Bob Dylan passou a se interessar mais pela bíblia, fazendo cursos na Vineyard School e era comum dar sermões durante as apresentações. Gravou três discos com temática explicitamente cristã: Slow Train Coming, Saved e Shot of Love.

Já Leonard Cohen só questionou sua fé quando estava no auge de sua fama, no início dos anos 90. Entre 1993 e 1999, Cohen morou no monastério de Mount Baldy, em um Los Ageles, e tornou-se monge.

New York & Chelsea Hotel

Em conversa com Mikal Gilmore, Leonard Cohen conta que ao perceber que sua carreira como poeta e romancista não lhe daria muito dinheiro, pensou em gravar um disco de country, estilo que sempre gostou. No meio do caminho, se deparou com o folk de New York.

“Ser escritor é legal – sempre quis ser escritor – mas gostaria de ir para Nashville e gravar uns discos de country. A caminho de Nashville dei uma parada em Nova York e foi aí que pela primeira vez ouvi falar de pessoas como Phil Ochs e Judy Collins e Bob Dylan e Joan Baez e Dave Van Ronk. Foi quando percebi que as coisas que fazíamos em Montréal anos antes agora eram públicas”. Leonard Cohen

Na cidade de New York, os dois já ficaram hospedados no Chelsea Hotel. A estadia resultaria em músicas para ambos. Bob Dylan escreveu na canção Sara que compôs Sad-Eyed Lady of the Lowlands neste hotel. Cohen é mais enfático e deu a uma canção o nome de Chelsea Hotel #2 (sobre seu affair com a cantora Janis Joplin).

Poesia & Música

“Quando eu ouvi Dylan, eu sabia que estávamos diante de um poeta. Desde o começo, percebi que se tratava de um escritor da maior importância, alguém que falava com uma voz verdadeira. Reconheci isso imediatamente por isso era tudo o que me importava. Essa era a vida que eu vivia – uma vida baseada no que eu escrevia”. Leonard Cohen

De todas as semelhanças, a mais óbvia e importante é a relação direta que é possível se fazer entra poesia e música na obra de ambos. Cohen começou sua carreira como escritor antes mesmo de cantor, lançando livros independentes de poesia e obtendo um bom retorno de crítica. Ele também escreveu romances, como Beautiful Losers e A Brincadeira Favorita, recentemente lançado no Brasil.

Bob Dylan sempre foi tido como compositor e flertou diretamente com a literatura apenas em alguns momentos. Nos anos 60 começou a escrever Tarantula, um livro de poesia que só seria lançado em 1971. Também assinou um primeiro volume de sua autobiografia, intitulado Crônicas e que teve uma boa receptividade.