Bob Dylan – 70 anos

Com a proximidade do seu aniversário de 70 anos, a importância de Bob Dylan pode ser medida pela divulgação e homenagens na mídia e em produtos culturais.

Veja abaixo algumas delas:

The Guardian – Podcast especial com a cantora Emmy The Great, John Harris e Stephen Moss que escolhem suas canções dylanescas favoritas. Há também uma entrevista com James McGrath e um trecho do audiobook Bob Dylan Encyclopedya, de Michael Gray.

Rolling Stone – A última edição da versão americana da revista (edição nº1131) tem Dylan na capa e uma lista com suas 70 melhores canções. Além da relação de músicas, há pequenos relatos de artistas como Bono Vox e Keith Richards sobre suas canções preferidas. A RS disponibilizou parte deste o especial em seu site.

The Independent – O site divulgou 70 razões argumentando porquê Bob Dylan é a figura mais importante da história da cultura pop. Apenas isso. Entre os argumentos: porque ele compôs Blowin’ in the wind (#1); por causa de sua resposta ao grito “Judas” – além de dizer que ele não acreditava no agitador, ele pede que o The Hawks toquem alto pra caralho (“Play fuckin’ loud!”) (#35).

Uncut – Além de ter quatro opções de capa – com fotos de diferentes fases de Dylan, a edição de junho (#169) apresenta uma entrevista nunca publicada que o jornalista Robert Shelton fez com Bob em 1965. O CD que acompanha a revista traz versões de músicas dylanescas e canções com a temática de aniversário, compiladas de uma forma parecida com o programa de rádio temático que Bob apresenta.

No Direction Home – as editoras estrangeiras estão apostando no aniversário redondo de Dylan para relançar biografias e livros importantes relacionados ao cantor. Entre os diversos lançamentos, talvez o mais importante seja No Direction Home, de Robert Shelton. Segundo a revista Isis, a edição atual aparenta ser uma “versão do diretor”, já que conta com mais materiais originais do jornalista. A Larousse lançou a versão traduzida no Brasil (em breve, faço uma resenha).

Thea Gilmore – John Wesley Harding

A cantora inglesa Thea Gilmore, como celebração do 70º aniversário de Bob Dylan (que para quem não sabe é no próximo dia 24), gravou sua versão do álbum John Wesley Harding, lançado em 1968.

Gosto de várias fases do Bob Dylan e admito a importância e a qualidade dos discos do começo dos anos 60, de Blood On The Tracks na década de 70, Oh Mercy em 80 e a chamada “trilogia” mais recente (Time Out Of Mind [1997], Love and Theft [2001] e Modern Times [2006]). Contudo, sempre que ouço John Wesley Harding, sinto um prazer diferente ao escutá-lo. Parte são as letras, mais simbólicas e utilizando referências de forma madura e menos ansiosa; a instrumentação crua e simples – violão, gaita, bateria, baixo e alguns pianos e steel guitar; e o jeito irônico e sensível que Dylan canta. Parte são coisas que ainda não consegui distinguir e, de certo modo, não saber me faz gostar mais ainda.

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A versão “atualizada” de Thea ficou interessante, mas fica longe da abordagem marcante do original. Existem alguns pontos altos, como o clima suspenso de I dreamed I saw Saint Augustine, os rockizinhos em The Drifter’s Escape e The Wicked Messenger e o acompanhamento do banjo em I am a lonesome hobo. De resto é válido, mas não te faz querer ouvir muito mais que duas vezes.

O site NewAlbumReleases disponibilizou o disco para download.

Bob Dylan escreve mensagem no seu site oficial

O site oficial de Bob Dylan postou uma mensagem hoje com o título “Para meus fãs e seguidores”. A postagem não está assinada, mas é implicitamente um texto escrito por Bob sobre sua passagem polêmica na China.

Ele explica que os shows que faria no país em 2010 não tiveram sua permissão negada pelo governo chinês. Tudo foi uma manobra de um promotor chinês, que queria arranjar uma passagem do cantor ao país após as apresentações no Japão e Coréia.

Bob alfineta os críticos e jornalistas ao escrever: “Se qualquer um tivesse se importado de checar com as autoridades chinesas, estaria claro que eles não estavam cientes de toda a coisa”.

Ele desmente os boatos que houve uma venda ruim e abaixo do esperado nesses shows e afirma que o público “respondeu entusiasticamente” às canções dos seus últimos “quatro ou cinco álbuns”.

Sobre as supostas censura chinesa Bob disse que apresentou as letras ao Governo chinês das músicas dos shows que fez nos três meses anteriores. Contudo, diz que se houve qualquer censura em músicas, estrofes ou linhas, ele não teve conhecimento e tocou todas as canções que quis.

No final da mensagem, após dizer que é sabido que “zilhões de livros sobre mim foram lançados ou serão publicado”, Bob Dylan incita a todos que conheceram ele, ouviram ele e viram ele para que rabisquem seus próprios livros. E termina: “Você nunca sabe, alguém pode ter um ótimo livro dentro de si”.

Veja abaixo a mensagem completa:

To my fans and followers

Allow me to clarify a couple of things about this so-called China controversy which has been going on for over a year. First of all, we were never denied permission to play in China. This was all drummed up by a Chinese promoter who was trying to get me to come there after playing Japan and Korea. My guess is that the guy printed up tickets and made promises to certain groups without any agreements being made. We had no intention of playing China at that time, and when it didn’t happen most likely the promoter had to save face by issuing statements that the Chinese Ministry had refused permission for me to play there to get himself off the hook. If anybody had bothered to check with the Chinese authorities, it would have been clear that the Chinese authorities were unaware of the whole thing.

We did go there this year under a different promoter. According to Mojo magazine the concerts were attended mostly by ex-pats and there were a lot of empty seats. Not true. If anybody wants to check with any of the concert-goers they will see that it was mostly Chinese young people that came. Very few ex-pats if any. The ex-pats were mostly in Hong Kong not Beijing. Out of 13,000 seats we sold about 12,000 of them, and the rest of the tickets were given away to orphanages. The Chinese press did tout me as a sixties icon, however, and posted my picture all over the place with Joan Baez, Che Guevara, Jack Kerouac and Allen Ginsberg. The concert attendees probably wouldn’t have known about any of those people. Regardless, they responded enthusiastically to the songs on my last 4 or 5 records. Ask anyone who was there. They were young and my feeling was that they wouldn’t have known my early songs anyway.

As far as censorship goes, the Chinese government had asked for the names of the songs that I would be playing. There’s no logical answer to that, so we sent them the set lists from the previous 3 months. If there were any songs, verses or lines censored, nobody ever told me about it and we played all the songs that we intended to play.

Everybody knows by now that there’s a gazillion books on me either out or coming out in the near future. So I’m encouraging anybody who’s ever met me, heard me or even seen me, to get in on the action and scribble their own book. You never know, somebody might have a great book in them.