Bob Dylan é protagonista em novo clipe!

Acabou de ser lançando o novo clipe de Bob Dylan. O vídeo tem como trilha “The Night We Called It a Day”, do disco Shadows In The Night. Como tem ocorrido nos últimos clipes, a história romântica é contata sob uma ótica violenta e sanquinária (lembre-se de “Duquesne Whistle”, “Beyond Here Lies Nothin’” e “Must Be Santa”).

Com uma roupagem em preto-e-branco, como os antigos filmes, Bob Dylan compete com o ator Robert Davi (que, coincidência ou não, também lançou um álbum com canções já interpretadas por Sinatra) o coração de Tracy Phillips. O resultado é uma sucessão de assassinatos, com Dylan escapando ileso.

Confira!

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=iOxy_hy22CA[/youtube]

O clipe foi dirigido por Nash Edgerton, o mesmo de “Duquesne Whistle.

Mostra de cinema exibe filmes de D.A. Pennebaker

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D.A. Pennebaker e Chris Hegedus trabalharam juntos diversas vezes. No universo dylanesco, a parceria foi importantíssima para a produção de “Dont Look Back”, de 1967, que retrata a última turnê exclusivamente acústica e solitária de Bob Dylan, ocorrida em 1965.

É desse filme, por exemplo, que está aquele que é considerado um dos primeiros clipes de música:

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=C6y7AXw5U6w[/youtube]

A CAIXA Cultural Rio de Janeiro apresenta, de 28 de fevereiro a 8 de março de 2015, a mostra de filmes “O cinema verdade de Pennebaker e Chris Hegedus”. Serão 25 filmes, entre curtas e longas, divididos em 3 categorias temáticas: cinema rock, política e artes cênicas e performances.

Para a curadora Amanda Bonan, “Pennebaker e Hegedus foram dois dos principais consolidadores da vertente do cinema documentário que se empenha em captar a realidade tal qual ela aparece diante de nossos olhos. O cinema verdade procura reproduzir aquilo que acontece no mundo, com o mínimo de interferências possível”.

Além da exibição dos filmes, o público poderá participar de debates gratuitos com importantes pensadores e críticos de cinema.

Confira a programação!

Informações:

Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Cinemas 1 e 2
Endereço: Av. Almirante Barroso, 25, Centro (Metrô: Estação Carioca)
Telefone: (21) 3980-3815
Data: de 28 de fevereiro a 8 de março de 2015
Horários: Consultar programação
Classificação Indicativa: Consultar de acordo com o filme
Ingressos: R$ 4,00 (inteira) e R$ 2,00 (meia). Além dos casos previstos em lei, clientes CAIXA pagam meia
Lotação: Cinema 1 – 78 lugares (mais 3 para cadeirantes). Cinema 2– 80 lugares (mais 3 para cadeirantes)

Obs.: Meu agradecimentos a Lucia Possas pela dica!

Bob Dylan fala por 40 minutos durante homenagem!

Bob Dylan no MusiCares 2015

Bob Dylan, o artista que faz cerca de 100 shows anuais, mas desaparece nos hiatos de cada fase da turnê, resolveu aparecer em um tributo a si próprio. Numa pesquisa mental rápida, lembro da sua participação do Grammy de 2011 e da condecoração por Obama no ano seguinte. Nas duas ele estava presente, mas não parecia estar lá. No dia 6 de fevereiro de 2015, contudo, foi o oposto.

A MusiCares é uma organização ligada ao Grammy que ajuda músicos com dificuldades. É uma espécie de lar dos velhinhos para cantores e instrumentistas. Para conseguir angariar fundos, faz um jantar de gala anual, homenageia alguém e ganha com contribuições. Bob Dylan foi o escolhido do ano e recebeu uma festa temática completa.

Bob Dylan e Jimmy Carter

O evento teve a participação de pessoas emblemáticas, que cantaram canções de Dylan ao longo dos anos. Segundo Sheryl Crow, foi o próprio Bob que escolheu a música para cada intérprete.

Confira o set:
Leopard-Skin Pill-Box Hat – Beck
Shooting Star – Aaron Neville
Subterranean Homesick Blues – Alanis Morissettez
On A Night Like This – Los Lobos
Senor (Tales of Yankee Power) – Willie Nelson
Blind Willie McTell – Jackson Browne
Highway 61 Revisited – John Mellencamp
One More Cup of Coffee – Jack White
What Good Am I? – Tom Jones
I’ll Be Your Baby Tonight – Norah Jones
Million Miles – Derek Trucks and Susan Tedeschi
Pressing On – John Doe
Girl From the North County – Crosby, Stills & Nash
Standing in the Doorway – Bonnie Raitt
Boots of Spanish Leather – Sheryl Crow
Knockin’ On Heaven’s Door – Bruce Springsteen
Blowin’ in the Wind – Neil Young

Depois de cerca de duas horas de músicas e homenagens, o ex-presidente dos EUA (e amigo de Dylan desde a década de 70) subiu ao palco para chamar o grande homenageado.

Após receber o prêmio – mas estranhamente mal tocá-lo -, Bob Dylan pegou o calhamaço de papel que estava em sua mão e começou a ler. E aí está o oposto de suas últimas aparições do tipo: ele falou por 40 minutos. Um discurso pronto de mais de 25 mil caracteres!

Chocolate entregue durante o evento.

Começou agradecendo a todos, mas informando que as canções não chegaram até aqui sozinhas. Foi preciso a ajudade inúmeras pessoas. E passou a elencá-las: o produtor John Hammond, Peter, Paul & Mary, The Byrds, Jimi Hendrix, Nina Simone e, é claro, Joan Baez. Outras tantas foram enumeradas por Dylan pela importância na divulgação de sua obra.

Depois de olhar pra frente, Bob Dylan se dá ao luxo de olhar para trás – não apenas para o seu passado, mas para o passado do caminho que trilha, e persiste caminhar, há 50 anos. Falou da influência de grandes músicos como Staple Singers e Jerry Lee Lewis, destilou um veneno quase humilde para vários compositores e cantores que rejeitaram suas letras e canções.

Prestou doces homenagens a amigos como Kris Kristofferson, Willie Nelon e Johnny Cash. E, como faz desde suas primeiras conversas com jornalistas, confrontou os críticos. Questionou as críticas e o porquê delas serem aplicadas apenas a ele. Questionou a forma como sua obra é tratada. Foi raivoso, sem perder a sutileza do humor.

Teceu comentários verdadeiros de um manifesto: o fim da verdade em detrimento da habilidade inútil e do pseudo-talento. Descreveu suas canções como se estivesse em um workshop: elas não foram difíceis de compor, só é preciso viver.

Dylan deixou claro sua opinião sobre si mesmo: ele não inovou em nada e não revolucionou nada. Apenas seguiu o caminho que aprendeu com suas influências. Só manteve a rebeldia do rock’n’roll aliada à tradição das histórias folk. Só respeitou as raízes do blues enquanto experimentava apresentá-las à poesia. Só um detalhe: fez tudo isso através de uma porta inédita.

Infelizmente ainda não temos nem o áudio nem um vídeo na íntegra deste momento histórico do universo dylanesco. Aguardo com ansiedade e esperança.

Alguns links interessantes (em inglês):

9 pessoas que Dylan agradeceu

Vídeo com trecho do discurso

Fotos oficiais (do Grammy)

Discurso na íntegra

15 coisas que podemos refletir sobre Bob Dylan com seu discurso