Bob Dylan em voga?

O ano mal começou e Bob Dylan já esteve em evidência algumas vezes. 2011 é o ano do seu 70º aniversário, mas em nenhum momento foi explicitado alguma homenagem ligada à data.

Já tivemos a participação de Dylan no Grammy, trilha sonora de propaganda, lançamento de tributo com bandas novas e até participante do American Idol interpretando Dylan!

Mas acho que o ápice foi visto esta semana.

A internet tem uma dinâmica indescritível e sua velocidade é imensurável. De fofocas a tsunamis, tudo é possível percorrer o mundo em questão de horas. E o humor não ficaria de fora dessa circulação, certo?

Na semana passada, um dos assuntos que mais repercutiu nas mídias sociais, atingindo os Trending Topics do Twitter, foi o clipe de uma adolescente chamada Rebecca Black. Um clipe toscamente produzido consegue ilustrar de forma primorosa (e no mesmo nível) que a letra da canção Friday.

Não demorou muito para surgirem inúmeras brincadeiras com o vídeo. E não é que Bob Dylan foi incluído nessa onda de zuera? Algum doido simplesmente fez uma imitação de Dylan cantando o “hit do momento”:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=9FISHEO3gsM]
Eu achei mais parecido com o Tom Petty, um seguidor do jeito dylanesco de cantar.

 

Upgrade: Até Jimmy Fallon, que recentemente imitou Neil Young em uma parceria com Bruce Springsteen fazendo um dueto com a música Whip My Hair – da garota Willow Smith, imitou Bob Dylan no seu programa Late Night with Jimmy Fallon.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=D-zLxLHG9Vw]

Moptop Madness: Bob Dylan vs. Bobby McFerrin

O site Cover Me organizou uma competição para o mês de março entre várias versões de outros músicos sobre canções dos Beatles. No total serão 64, divididos em embates entre duas músicas.

Bob Dylan participa representado por sua versão ao vivo de Something, do amigo George Harrison. A interpretação dylanesca é confrontada com a cover de Blackbird, feita pelo músico Bobby McFerrin.

Ouça a versão dylanesca:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=JnIxx1S0nCQ]

Para votar e ouvir a versão de McFerrin, acesse o Cover Me.

A relação esfumaçada entre Dylan e os Beatles

De uma maneira didática (e superficial), podemos afirmar que Bob Dylan e Beatles tiveram importâncias distintas nos anos 60: enquanto os Beatles transformaram o rock em um produto focado na juventude, com uma forma mais ampla do que a geração roqueira da década anterior, Bob Dylan expandiu os conteúdos das letras, introduzindo uma linguagem mais poética e sugerindo questionamentos contemporâneos nas músicas que tocavam em rádio. Assim, Beatles está para forma como Dylan está para o conteúdo das canções dos anos 60 (como eu disse, de uma maneira bem didática).

Ainda assim, é inegável a relação mutualística entre os dois. Ao ouvir os Beatles, Dylan afirma que percebeu que uma linha havia sido traçada, um marco na história da música pop. Já Lennon compôs várias músicas sob influência dylanesca. Ian MacDonald afirma que I’m a Loser, gravada no dia 14 de agosto de 1964 e lançada no álbum Beatles For Sale, foi a primeira música composta por Lennon que aflorava essa referência (ou reverência).

Contudo, talvez o maior benefício de Dylan na carreira dos Beatles não estava nas suas letras ou em sua sonoridade, mas num encontro nebuloso entre as duas super-potências do pop.

A data é imprecisa. Alguns autores afirmam que o encontro ocorreu dia 24 e outros informam que a data foi dia 28 (o vídeo abaixo informa que foi 30/08). O fato é que em agosto de 1964, após um show feito pelos Fab Four em Forest Hills, o grupo se encontrou com Dylan no Hotel Delmonico, em Manhattan.

Após serem apresentados pelo amigo em comum Al Aronowitz, Bob Dylan tirou um baseado (ou cigarro de maconha para os leigos) e ofereceu aos jovens de Liverpool. A lenda é que Bob Dylan achava que os Beatles eram íntimos da droga, pois ao ouvir a música I wanna hold your hand, Dylan interpretou “I get high” ao invés de “I can’t hide”. A verdade é que os Beatles sempre foram usuários de álcool, mas nunca tiveram contato com o “cigarro dos artista”.

Durante a experiência, Paul McCartney ficou surpreso com a sensação e pediu que para que seu gerente de palco, Mal Evans, escrevesse tudo que dissesse. Durante a viagem, ele descobriu o significado da vida e, segundo as anotações de Evans, a resposta era: existem sete níveis.

O canal do Youtube Meth Minute 39 publicou há algum tempo um vídeo que ilustra esse famoso encontro que resultou numa mudança drástica na abordagem muscial do quarteto.

O mais irônico é que a influência da maconha na música dos Beatles não agradou Dylan. Segundo Marianne Faithfull, em um outro encontro entre Bob e McCartney, o baixista dos Beatles mostrou a criação mais recente da banda, a psicodélica Tomorrow Never Knows. Ao colocar o vinil no toca-discos, Paul, que estava entusiasmado, deu um passo para trás e esperou o retorno de Dylan. Bob, ao ouvir, simplesmente saiu da sala.