Discografia será lançada em novembro e com versão em pen drive!

The Complete Album Collection

A Columbia divulgou hoje mais detalhes de “The Complete Album Collection Vol.1”. A data de lançamento é 4 de novembro e, além da versão digipack em CD, haverá uma outra digital em FLAC, num pendrive com um case em formato de gaita.

Gaita USB

Os preços, contudo, não são tão agradáveis. Na Amazon, o box em CD custa US$255,50, enquanto a versão em pendrive custa US$364,77.

Abaixo, um vídeo divulgando a compilação.

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Discografia de Bob Dylan será relançada com extras!

The Complete Album Collection

Junto com o “Another Self Portrait”, um flyer chamou a atenção. Será lançado pela Sony toda a discografia de Bob Dylan remasterizada (total de 41 álbuns)! Além disso, dois discos com músicas que não constam nos discos oficiais e um livro com fotos e textos.

The Complete Album Collection

Pela imagem acima, podemos notar que o álbum Dylan, lançado em 1973 originalmente pela Asylum (num breve hiato de Bob Dylan com a Columbia), está nesta caixa.

Sobre datas, apenas temos que será no Outono americano (ou seja, antes do Natal!).

Resta saber o preço (e se será lançado em versão nacional).

ERRATA: Como lembrou o Edson nos comentários, o disco Dylan na verdade foi lançado pela Columbia em 1973 após Bob assinar com a gravadora Asylum. O lançamento do disco foi sem o consentimento de Dylan e contava apenas com sobras de estúdio das sessões de Self Portrait e New Morning. Na Asylum, Bob lançou Planet Waves e Before The Flood – discos depois adquiridos pela Columbia.

“Another Self Portrait”: o outro Eu dylanesco

Another Self Portrait

O décimo volume da Bootleg Series trouxe à luz interpretações até então inéditas. Uma delas é do próprio Bob Dylan, que apresenta empenho em suas interpretações e mostra que o período que compreende este volume, entre 1969 e 1971, foi um dos melhores no timbre de sua voz. A outra é a própria interpretação do álbum pela crítica, desmistificando a verdade absoluta de que Self Portrait foi um erro proposital e que é um disco sem qualquer relevância para a história dylanesca.

Bob Dylan parece não apenas interpretar as canções, mas evocar o espírito dos personagens contidos nas letras. Assim, achar que sua intenção ao gravá-las foi de caçoar seus fãs ou afastá-los cai por terra ao ouvir Another Self Portrait. Como um rito de passagem, Bob Dylan passava por uma “amnésia” (como ele mesmo apelidou) e resolveu buscar inspiração em canções que fizeram parte de sua história – análogo ao que fez mais de vinte anos depois, na duologia Good As I Been To You e World Gone Wrong.

Se há um erro em Self Portrait, e nisso é preciso admitir, está em dois pontos cruciais para a péssima recepção de Self Portrait em 1970: a seleção das músicas – que não valorizaram o melhor de Dylan – e, o pior, a produção de Bob Johnston em Nashville, após Bob gravar em New York. Na capital do country, foram incluídas linhas de bateria, refeitos os violões e baixo e incluídas orquestrações que mucharam a beleza da voz de Bob Dylan e acrescentaram uma pieguice distante do perfil(is) dylanesco(s).

Nashville Skyline & New Morning

Bob Dylan

Além de ressignificar Self Portrait, “Another” também compartilha algumas sobras dos álbuns pré e pós o disco. De Nashville Skyline, versões alternativas de “I Threw It All Away” e “Country Pie”; de New Morning, versões com arranjos de sopro e cordas feitas por Al Kooper, além de variações de músicas como “Went To See The Gypsy” e “If Dogs Run Free” e duas músicas com George Harrison, nas sessões que antecederam o disco.

Assim como em Self Portrait, dois novos pontos dão uma nova leitura a New Morning: o primeiro é a escolha, dessa vez certeira, de evitar as orquestrações. Apesar de belíssimas, o disco perderia o sua aura de ser uma obra de um homem de família realizado com seu cotidiano; o segundo é que as sessões de gravação começaram antes do lançamento de seu antecessor, o que desmistifica a ideia de que Dylan teria feito New Morning para fazer as pazes com a crítica.

4-CD Deluxe

Another Self Portrait (Deluxe)

A versão de luxo conta não só com os dois discos que compõe “Another”, mas também com outros dois CDs e dois livros. O terceiro CD é o registro, até então inédito em sua totalidade, da apresentação que Bob Dylan e The Band fizeram na Ilha de Wight, em 31 de agosto de 1969. O último disco é uma antecipação do próximo lançamento dylanesco: Self Portrait remasterizado – no final do ano será lançada a discografia completa remasterizada de Dylan.

Os dois livros são tão calorosos quanto a própria música. O primeiro, contém textos do crítico Greil Marcus (que ganhou fama dylanesca principalmente pela sua crítica com os dizeres “What is this shit?” sobre Self Portrait em 1970) fazendo uma nova leitura e do jornalista Michael Simmons comentando as músicas do Bootleg. O segundo livro, intitulado Time Passes Slowly, compila ótimas fotos de John Cohen e Al Clayton, além de imagens de capas de single, revistas e pôsteres desta época.

Destaques

Abaixo, alguns destaques do álbum (em ordem de aparição):

Pretty Saro: é impossível não se apaixonar por cada onda sonora emitida nessa música. O nível de devoção de Bob aliado ao timbre aveludado de sua voz nessa época só traz mais paixões à canção que possivelmente foi entoada tendo sua mulher, Sara, na mente.

Spanish Is A Loving Tongue: quase similar a “Pretty Saro”, “Spanish…” é de uma beleza que quebra qualquer argumento que diz que Bob não é um bom cantor. E o quê dizer de: “Left her heart/ I broke my own”?

These Hands: a ambiência intimista e simplista de “These Hands” só mostram o potencial que Self Potrait poderia ter. Com certeza a “merda” de Greil Marcus não teria saído de sua boca.

If Not For You: apesar da beleza, como já dito, esta versão com Dylan ao piano e sendo acompanhado apenas por um baixo e um violino não daria a felicidade que New Morning tanto possui. Mas não há palavras para agradecer a possibilidade de ouví-la nessa versão.

Days of ‘49: aqui, escutamos apenas piano, violões e Bob Dylan. Nada de bateria e overdubs dos outros instrumentos que apareceriam em Self Portrait. E nessa versão crua, podemos ver o quanto imerso Bob estava. O “Oh my godness” do meio nunca soou tão real.

Tattle O’Day: cover da música também conhecida por “Little Brown Dog”. Bob Dylan transforma uma simples canção de criança em uma fábula tão crível quanto sentimental.

New Morning: eu acho que a escolha pela versão que acabou no disco foi mais acertada do que esta, com sopros. Contudo, é necessário elogiar todo o trabalho de orquestração de Al Kooper. Realmente não é uma versão de se jogar fora (quando soube que Dylan não a usaria, Al pediu para ficar com uma mixagem de lembrança)

Belle Isle: apesar do intimismo comovente nessa versão, devo admitir que gosto bastante da orquestração que foi para a versão final de Self Portrait.

Time Passes Slowly #2: Bob Dylan evoca a versão de “A Little Help From My Friends” de Joe Cocker para mostrar o potencial de rock de responsa que “Time Passes Slowly” tem.

When I Paint My Masterpiece: essa demo da canção é um ótimo exemplo da habilidade de Dylan ao piano. Isso sem contar sua interpretação e as frases que não foram cantadas antes: “Sailin’ ’round the world in a dirty gondola/ Wish I hadn’t sold my old Victrola/ There ain’t nothing like that good old rock-and-rolla”.

Wild Mountain Thyme: essa interpretação, da Ilha de Wight, já me era familiar de bootlegs não-oficiais, mas nunca havia escutado em uma versão tão limpa e definida. Só me vez me apaixonar ainda mais por uma canção que fala basicamente de “ervas daninhas”.

It Ain’t Me, Babe: como que reafirmando o significado da música, que nada tem a ver com um caso amoroso, Bob Dylan revisita a canção com uma versão mais lenta, menos agressiva e com sua voz tão traumática quanto quando empunhou a guitarra, apenas 4 anos antes.

Highway 61 Revisited: essa versão acelerada e agressiva só pode ser imaginada como um racha entre dois carros em uma estrada vazia.

O que podemos aprender com Another Self Portrait?

Para mim, foi genial o título dado ao décimo volume da Bootleg Series. Se pararmos para pensar, é um tanto exótico se ter duas visões sobre si mesmo. Um auto-retrato implica justamente em uma fotografia fiel ao que você é. Contudo e com 40 anos de atraso, Bob Dylan dá uma nova versão para si mesmo.

No fim, só nos resta aprendermos, como ele, a máxima de Rimbaud:

O eu é um outro.