Bob Dylan tem soul (e R&B)

A última edição (#157) da revista Isis publicou uma nota sobre a gravação de uma música inédita de Bob Dylan pela jovem cantora de Minessota Nikki Jean. Ela assina com Dylan a co-autoria da música Steel and Pennies (Don’t Ever). A canção foi baseada em Don’t Ever Take Yourself Away, registrada por Bob durante as sessões de Shot of Love.

Em seu disco de estréia, chamado Pennies In a Jar e lançado pela mesma gravadora de Dylan, Columbia, Nikki apresenta um som agradável que mescla um pouco do R&B moderno (incluindo intervenções sutis de “rappers”) com um Soul mais antigo, lembrando bastante o estilo de Joss Stone do começo da carreira (que, consequentemente, remete à época da Motown).

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Num post recente, Harold Lepidus divulgou que a trilha sonora da nova serie de TV Hawaii Five-O terá a versão original de Don’t Take Yourself Away, cantada por Bob Dylan. Provavelmente, trata-se de uma bela estratégia de marketing da Sony (que é dona da Columbia). Essa versão já circula entre os fãs em diversos bootlegs.

Um blog de fãs da série divulgou um link com a música original de Dylan. A versão de Nikkie é um soul com uma letra bem similar a de Bob. Dylan faz um reggae suingado bem interessante também.

Além dessa canção, Nikkie Jean foi creditada como co-autora de outras músicas, assinando parcerias com Burt Bacharach, Jimmy Webb, Carole King e Carly Simon.

Bob Dylan na revista Cult

A edição de agosto (#160) da revista Cult vem com um “dossiê” com três artistas que recentemente receberam novas biografias: David Bowie, Bob Dylan e o grupo Queen.

A biografia de Bob Dylan abordada pela revista não é a de Robert Shelton. Trata-se do compilado Writings 1968-2010, feito pelo jornalista Greil Marcus, que foi entrevistado pela revista. O livro não foi lançado no Brasil.

Greil Marcus foi um dos primeiros editores da Rolling Stone e além deste também escreveu outros dois livros sobre Dylan. The old, weird America – inicialmente chamada The Invisible Man – fala sobre as gravações ocorridas no final da década de 60 com Bob e The Band. Os registros foram feitos na região de Woodstock, local escolhido por Bob para se recuperar do acidente de moto sofrido em 1966. O outro é Like a Rolling Stone – Bob Dylan na encruzilhada, que como o título diz fala especificamente sobre a canção de Dylan e o baque após seu lançamento.

Além da entrevista com Greil, há outras menções de Dylan na edição:

  • Marcia Tiburi escreve em sua coluna sobre os 70 anos de Bob Dylan;
  • Roberto Muggiati comenta a relação de Dylan e Bowie com o cinema;
  • Noemi Jaffe analisa a letra de This is not America, de Bowie, e The Lonesome Death of Hattie Carroll, de Dylan;
  • Marília Kodic, em sua entrevista com Paul Trynka, biógrafo de Bowie, pergunta ao autor sobre a referência dylanesca na obra do artista inglês;
  • Pedro Alexandre Sanches mostra a importância e influência de Dylan e Bowie na música brasileira.

A entrevista com Greil Marcus e o texto de Marcia Tiburi estão disponíveis no site da Cult, mas sugiro a compra da revista pela sua qualidade e pelos outros textos, que também são interessantes. Ela custa R$10,90.

Hank Williams e sua influência em Bob Dylan

A influência de Hank Williams na obra de Bob Dylan é inegável e apresenta-se em diversas formas. A primeira delas está na própria história da música americana. Apesar de morrer aos 29 anos, Hank Williams é uma das lendas do country.

Veja mais algumas referências de Hank na obra de Dylan:

  • Segundo Oliver Trager, Bob Dylan afirmou em 1965 que começou a compor após ouvir Hank Williams;
  • Durante as primeiras apresentações como um músico folk, e principalmente no álbum Nashville Skyline, é possível ver a influência de Hank no estilo vocal de Dylan, que adotou seu lendário “gemido country”;
  • No documentário Dont Look Back, registrado antes de Dylan gravar o álbum Highway 61 Revisited e sua revolucionária Like a Rolling Stone, Bob aparece cantando a música Lost Highway, que contém a seguinte estrofe: “I’m a rolling stone, all alone and lost/ For a life of sin, I have paid the cost”;
  • Em 1950, Hank passou a utilizar o pseudônimo de Luke the Drifter para fazer canções mais recitadas e com um conteúdo filosófico/espiritual. Bob Dylan foi diretamente influenciado por este formato no álbum John Wesley Harding;
  • Há 10 anos, em 2001, foi lançado Timeless, um CD em tributo à Hank Williams. Diversos artistas interpretaram canções famosas. Entre as participações, estão Keith Richards, Keb’Mo’, Sheryl Crow e, obviamente, Bob Dylan.

The Lost Notebooks of Hank Williams

Já faz algum tempo que circulava a notícia que Bob Dylan estaria preparando um álbum em tributo a Hank Williams. E agora se confirmou o disco “The Lost Notebooks of Hank Williams”, que será lançado no dia 4 de outubro.

O registro será lançado pelo selo de Bob Dylan, o Egyptian Records, e distribuído pela Columbia. Se sair no Brasil, virá pela Sony/BMG.

O projeto é bem interessante e utilizou de letras inacabadas encontradas em cadernos de anotações de Hank Williams. Todas foram musicadas pelos artistas, escolhidos por conta da evidente influência de Hank no trabalho de cada um. Entre eles, Norah Jones, Jack White, Levon Helm e parte da família Dylan: Jakob e Bob, que infelizmente não fizeram um dueto.

Abaixo, a lista das músicas e seus intérpretes:

Alan Jackson – “You’ve Been Lonesome, Too”
Bob Dylan – “The Love That Faded”
Norah Jones – “How Many Times Have You Broken My Heart?”
Jack White – “You Know That I Know”
Lucinda Williams – “I’m So Happy I Found You”
Vince Gill and Rodney Crowell – “I Hope You Shed a Million Tears”
Patty Loveless – “You’re Through Fooling Me”
Levon Helm – “You’ll Never Again Be Mine”
Holly Williams – “Blue Is My Heart”
Jakob Dylan – “Oh, Mama, Come Home”
Sheryl Crow – “Angel Mine”
Merle Haggard – “The Sermon on the Mount”