[Vídeo] Bob Dylan no Rio de Janeiro

Além daquele vídeo que postei junto do setlist, segue dois vídeos da apresentação de ontem. As duas canções parecem mais serenas do que suas versões do final do ano. Bob está com a voz ligeiramente mais limpa (talvez por estar no começo da turnê).

Aparentemente, havia problemas nos microfones, principalmente em “Ballad of a Thin Man”: além de alternar entre o microfone no centro do palco e o do órgão, Dylan excluiu o solo de gaita que sempre fez. Talvez seja um problema mesmo ou pode ser apenas uma mudança.

Forgetful Heart

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=5bpqvkOyKvE&feature=youtu.be]

 

Ballad of a Thin Man

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=1HDuO6pkIaU&feature=youtu.be]

 

+ fotos

(por Nathália Pandeló):

Dylan no Brasil: show do RJ [vídeo]

O site Bob Links postou agora o repertório do show que Dylan acabou de fazer no Rio de Janeiro.

Rio de Janeiro (15/04/2012) – Citibank Hall

1. Leopard-Skin Pill-Box Hat
2. It Ain’t Me, Babe (Bob na guitarra)
3. Things Have Changed
4. Tangled Up In Blue
5. The Levee’s Gonna Break
6. Tryin’ To Get To Heaven
7. Beyond Here Lies Nothin’
8. Desolation Row
9. Summer Days
10. Simple Twist Of Fate
11. Highway 61 Revisited
12. Forgetful Heart
13. Thunder On The Mountain
14. Ballad Of A Thin Man

(bis)
15. Like A Rolling Stone
16. All Along The Watchtower

Algumas pessoas (incluindo o cantor Evandro Mesquita) postaram no Instagram algumas fotos. As imagens não estão ótimas:

Update

O Estadão e o G1 publicaram duas resenhas sobre o show. No jornal paulista, Jotabê Medeiros escreveu que Bob Dylan dançou, “batucou nas caixas de som” (?) e parecia empolgado. Para o portal carioca, José Raphael de Berrêdo começa sua resenha contextualizand0 as atitudes (tão polemizadas) do cantor: “Bob Dylan nunca se preocupou muito em agradar. E nem precisa”.

Vídeo da penúltima música, Like a Rolling Stone:

[vimeo=http://vimeo.com/40432161]

Dylan no Brasil: por que ver Bob com esta banda?

Tudo leva a crer que Bob Dylan terá como banda de apoio a mesma que o acompanhou nos últimos anos. Essa formação é uma das mais fixas na carreira do cantor, que sempre pareceu nunca ter ligado para variações de integrantes. A constância pode ter uma razão: essa é a melhor banda para interpretar as canções dylanescas. Calma que eu explico.

Bob Dylan já admitiu vários grupos como sua banda de apoio. Nos anos 60 (e em 74), tornou famoso o grupo que depois se tornaria The Band. Em 76, levou ao palco inúmeros artistas e montou o “Rolling Thunder Revue”, transformando suas apresentações em um espetáculo divertido e catártico. Depois veio a fase cristã, que trouxe uma abordagem mais soul e negra para sua música. Nos anos 80, excursionou com Tom Petty and The Heartbreakers, além de receber o suporte (e os longos solos) do Grateful Dead. E por aí vai.

Para muitos, The Band é o grupo mais importante para a música de Dylan. De fato ele teve uma função primordial para a criação do “selvagem som de mercúrio” que o cantor buscava no início de sua fase elétrica. O grupo sempre teve uma sonoridade com características únicas, mas os talentos nele contidos precisavam de notoriedade. Não é a toa que na turnê de 1974, The Band tocava várias canções próprias, sem a presença de Dylan.

A atual banda de apoio de Dylan, porém, não aparenta buscar essa fama. Os músicos parecem ser devotados à canção, abrindo mão da exposição de seus talentos. Ao invés de usar a música para mostrar o que sabem, eles usam de suas aptidões para fazer a música acontecer. Isso não significa que eles sejam menos talentosos ou que The Band tenha sido formada por ególatras. São maneiras distintas de expressar a própria arte.

Com a banda de hoje, a música respira como seu cantor quer. Em sua autobiografia, Bob Dylan diz que pouco antes de começar a excursionar com o Grateful Dead, descobriu uma nova maneira de interagir com a música (e espantou a idéia de aposentadoria). Com a nova técnica na maneira de tocar, ensinada por Lonnie Johson, ele poderia flutuar pela canção através de diversas variações na melodia.

Mais do que mudar a melodia, Bob Dylan queria exprimir diversos sentimentos. E sua banda atual é capaz de captar essas mudanças de humor e seguir o mesmo caminho do seu maestro. Mas não é só isso: sua banda também sugere caminhos, tendo autonomia para testar novas progressões e texturas.

(ouça atentamente a última estrofe de “A Hard Rain’s A-Gonna Fall”. Perceba como a guitarra, que parece vir timidamente do fundo, apresenta uma nova melodia, que influencia Dylan no modo de cantar. Aos poucos, Bob molda seu canto, envolvendo-o na melodia improvisada).

No fim, é exatamente isso que Dylan sempre buscou: a inocência de não ter medo de improvisar. É sabido que em suas sessões de gravação, desde o início, Bob não gostava de repetir as mesmas versões. Mudava o take, algo também mudava (tempo, tom, fraseado, etc). Agora ele é capaz de recriar esse momento a cada dia, sem precisar ditar o percurso. Como remadores, todos sabem o momento de diminuir ou acelerar. A música também se faz no olhar.

Nos últimos anos, Bob Dylan tem se mostrado excepcionalmente feliz no palco. Improvisos, sorrisos e imprevistos bem-sucedidos fazem parte do programa atual. Ele até sucumbe a alguns tipos de tecnologia, como o microfone exclusivo da gaita e ecos que o divertem:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=44GTDAihw_Q]

O que exatamente podemos esperar do show de Dylan é difícil definir. Mas sabemos que jamais esqueceremos.

Bob Dylan and His Band

Tony Garnier, atual baixista da banda de Dylan, entrou em 10 de junho de 1989 e é o músico que mais tocou com o cantor. Desde sua entrada, muitos instrumentistas passaram pelo grupo dylanesco até chegar à formação que temos hoje:

Tony Garnier – baixo

Stuart Kimball – guitarra

George Receli – bateria

Charlie Sexton – guitarra

Don Herron – violino, mandolin, trompete  e pedal steel