Depois de uma turnê americana na companhia de Leon Russell, Bob Dylan tem como companhia durante sua segunda passagem pela Europa Mark Knopfler, ex-Dire Straits.
Os dois já trabalharam juntos nos álbuns Slow Train Coming e Infidels – este último, Knopfler foi o co-produtor além de guitarrista.
Durante a apresentação de Bob Dylan em Luxemburgo, no dia 21 de outubro, Mark Knopfler subiu ao palco e tocou guitarra nas primeiras três músicas de Dylan.
Abaixo, dois vídeos e o áudio completo do show.
1- Compilação de imagens da participação de Mark Knopfler:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=tJwfOg6QT5M]
2- It’s All Over Now, Baby Blue (com Knopfler):
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=VM8fBsy8lcs]
3- Áudio do show inteiro (21/10/11)
Bônus!
Mark Knopfler participou também do show de Dylan na Alemanha (25/10/11). Abaixo, o vídeo de John Brown, uma das minhas músicas favoritas de Bob (uma letra absurdamente boa, principalmente para quem tinha apenas 21 anos quando a compôs).
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=FiRJ3nIm1RE]
Eu já escrevi um post sobre 10 Minutes, primeiro single de Pablo Dylan – filho de Jesse, sobrinho de Jakob… e neto de Bob Dylan.
Na semana passada, Pablo Dylan voltou a dar entrevista. Dessa vez, a GQ foi atrás do adolescente de 16 anos para falar sobre sua relação com o rap, suas influências e, obviamente, sua relação familiar.
Pablo, o rapper
Na entrevista, Pablo diz que trabalha no estúdio, compondo e criando batidas, por 16 horas diárias. O rap entrou em sua vida através da mãe, que colocava Eminem no carro durante o trajeto para a escola.
Entre as maiores influências, está Eminem, Kanye West e, principalmente, Jay-Z. Sobre este último, marido da cantora Beyonce, Pablo considera ser o Bob Dylan da atualidade.
“Jay-Z tem o mesmo status que meu avô teve. Jay-Z definitivamente impactou a cultura de uma maneira muito significativa. […] Eu realmente acho que ele é quem meu avô foi.”
Pablo afirma que seu objetivo na música é ser o próximo Bob Dylan, com suas rimas sendo lembradas durante um longo período.
Pablo, o neto
Ao ser questionado se Bob Dylan gosta de rap ou se ele apenas gosta da música do seu neto, Pablo responde que seu avô ouve tudo e diz que já viu na casa de Bob CDs do Eminem e do Dr. Dre.
Pablo também diz que Bob o apoia 100% e que ele parece gostar das suas músicas. Os dois criaram um ritual e combinam de almoçar todos os domingos em que Bob está em Santa Monica, cidade de Pablo. Os dois também conversam frequentemente por telefone.
Mixtape
Pablo Dylan disponibilizou para download a sua Mixtape, com 8 músicas. Eu sinceramente não entendo muito do universo do Hip Hop, mas o rap de Pablo não parece ser ruim. Ele canta com convicção e parece convencer.
Segundo o dicionário, a palavra catarse pode ter vários significados. Para Aristóteles, a catarse refere-se à purificação das almas por meio de uma descarga emocional provocada por um representação dramática.
A psicanálise apresenta também uma acepção bem interessante: operação de trazer à consciência estados afetivos e lembranças recalcadas no inconsciente, liberando o paciente de sintomas e neuroses associadas a este bloqueio.
Um relacionamento que corrói e desmorona aos poucos é, muitas vezes, uma conjunção de sentimentos recalcados. A saudade de um tempo que passou se mistura ao descontentamento acumulado de ações corriqueiras.
Jakob Dylan já afirmou que o álbum Blood on the Tracks é a síntese das brigas entre seus pais. O disco, lançado em 1975, é uma fotografia multifacetada do fim de um relacionamento. Em diversas canções, ouve-se os vários sentimentos e desesperos pela perda. Ora é a raiva, ora a angústia, às vezes a ironia e quase sempre a tristeza.
Na época do lançamento, Bob Dylan se surpreendeu e até reclamou do sucesso do álbum. Durante uma entrevista para Mary Travers (do trio Peter, Paul & Mary), dois meses depois que Blood On the Tracks estava nas lojas, Dylan diz:
“Muitas pessoas me disseram que gostaram deste álbum. É difícil para mim me relacionar com isso – quero dizer, as pessoas apreciando este tipo de sofrimento.”
Até mesmo para os moldes deste disco, Idiot Wind é uma das músicas mais intensas e dolorosas de Bob Dylan, que gravou versões intimistas e acústicas antes de chegar na interpretação que entraria para o álbum. Além da abordagem, as versões também se diferem nas letras, que sofrem mutações aparentemente para se tornarem mais abstratas e menos descritivas.
Hinton pontua bem ao mostrar essas alterações líricas, que para ele deixa a música menos específica, mas mais perniciosa. “You left your bags behind” torna-se “your corrupt ways had finally made you blind”. Um distanciamento no relacionamento, ilustrado por “in order to get a word with you, I’d have to make up some excuse” é promovido com uma alteração quase apocalíptica: “I kissed goodbye the howling beast on the borderline which separated you from me”.
A versão do álbum poderia ser a definitiva se não houvesse o registro ao vivo, de 1976. O disco Hard Rain é um registro de uma sequência de shows feita após The Rolling Thunder Revue. Entre as pessoas que estavam na platéia, Sara Dylan, futura ex-mulher e “musa” em Idiot Wind.
Na edição 157 da Isis, Kenneth Wexler cita a Idiot WInd de Hard Rain como uma das melhores coisas que Dylan já lançou. E vai além: “Se alguém nunca tivesse ouvido Bob Dylan antes, e eu tivesse que tocar apenas uma faixa para mostrar a essa pessoa a grandeza do homem, eu teria uma difícil escolha entre esta e a versão de estúdio de Like a Rolling Stone”.
No vídeo acima, Dylan parece expurgar qualquer resquício de tristeza e eliminar em forma de uma prazerosa raiva.
Simbolicamente ou não, Bob Dylan tocou esta música nas apresentações em dois momentos. Em 1976, quando seu casamento com Sara estava no fim. E também em 1992. Quando outro casamento terminara – dessa vez com Carol Dennis.