Pablo Dylan: “Eu quero ser o próximo Bob Dylan”

Eu já escrevi um post sobre 10 Minutes, primeiro single de Pablo Dylan – filho de Jesse, sobrinho de Jakob… e neto de Bob Dylan.

Na semana passada, Pablo Dylan voltou a dar entrevista. Dessa vez, a GQ foi atrás do adolescente de 16 anos para falar sobre sua relação com o rap, suas influências e, obviamente, sua relação familiar.

Pablo, o rapper

Na entrevista, Pablo diz que trabalha no estúdio, compondo e criando batidas, por 16 horas diárias. O rap entrou em sua vida através da mãe, que colocava Eminem no carro durante o trajeto para a escola.

Entre as maiores influências, está Eminem, Kanye West e, principalmente, Jay-Z. Sobre este último, marido da cantora Beyonce, Pablo considera ser o Bob Dylan da atualidade.

“Jay-Z tem o mesmo status que meu avô teve. Jay-Z definitivamente impactou a cultura de uma maneira muito significativa. […] Eu realmente acho que ele é quem meu avô foi.”

Pablo afirma que seu objetivo na música é ser o próximo Bob Dylan, com suas rimas sendo lembradas durante um longo período.

Pablo, o neto

Ao ser questionado se Bob Dylan gosta de rap ou se ele apenas gosta da música do seu neto, Pablo responde que seu avô ouve tudo e diz que já viu na casa de Bob CDs do Eminem e do Dr. Dre.

Pablo também diz que Bob o apoia 100% e que ele parece gostar das suas músicas. Os dois criaram um ritual e combinam de almoçar todos os domingos em que Bob está em Santa Monica, cidade de Pablo. Os dois também conversam frequentemente por telefone.

Mixtape

Pablo Dylan disponibilizou para download a sua Mixtape, com 8 músicas. Eu sinceramente não entendo muito do universo do Hip Hop, mas o rap de Pablo não parece ser ruim. Ele canta com convicção e parece convencer.

Se ficou curioso, clique aqui para fazer o dowload.

Quando brisa refrescante vira vento idiota

Segundo o dicionário, a palavra catarse pode ter vários significados. Para Aristóteles, a catarse refere-se à purificação das almas por meio de uma descarga emocional provocada por um representação dramática.

A psicanálise apresenta também uma acepção bem interessante: operação de trazer à consciência estados afetivos e lembranças recalcadas no inconsciente, liberando o paciente de sintomas e neuroses associadas a este bloqueio.

Um relacionamento que corrói e desmorona aos poucos é, muitas vezes, uma conjunção de sentimentos recalcados. A saudade de um tempo que passou se mistura ao descontentamento acumulado de ações corriqueiras.

Jakob Dylan já afirmou que o álbum Blood on the Tracks é a síntese das brigas entre seus pais. O disco, lançado em 1975, é uma fotografia multifacetada do fim de um relacionamento. Em diversas canções, ouve-se os vários sentimentos e desesperos pela perda. Ora é a raiva, ora a angústia, às vezes a ironia e quase sempre a tristeza.

Na época do lançamento, Bob Dylan se surpreendeu e até reclamou do sucesso do álbum. Durante uma entrevista para Mary Travers (do trio Peter, Paul & Mary), dois meses depois que Blood On the Tracks estava nas lojas, Dylan diz:

“Muitas pessoas me disseram que gostaram deste álbum. É difícil para mim me relacionar com isso – quero dizer, as pessoas apreciando este tipo de sofrimento.”

Até mesmo para os moldes deste disco, Idiot Wind é uma das músicas mais intensas e dolorosas de Bob Dylan, que gravou versões intimistas e acústicas antes de chegar na interpretação que entraria para o álbum. Além da abordagem, as versões também se diferem nas letras, que sofrem mutações aparentemente para se tornarem mais abstratas e menos descritivas.

Hinton pontua bem ao mostrar essas alterações líricas, que para ele deixa a música menos específica, mas mais perniciosa. “You left your bags behind” torna-se “your corrupt ways had finally made you blind”. Um distanciamento no relacionamento, ilustrado por “in order to get a word with you, I’d have to make up some excuse” é promovido com uma alteração quase apocalíptica: “I kissed goodbye the howling beast on the borderline which separated you from me”.

A versão do álbum poderia ser a definitiva se não houvesse o registro ao vivo, de 1976. O disco Hard Rain é um registro de uma sequência de shows feita após The Rolling Thunder Revue. Entre as pessoas que estavam na platéia, Sara Dylan, futura ex-mulher e “musa” em Idiot Wind.

Na edição 157 da Isis, Kenneth Wexler cita a Idiot WInd de Hard Rain como uma das melhores coisas que Dylan já lançou. E vai além: “Se alguém nunca tivesse ouvido Bob Dylan antes, e eu tivesse que tocar apenas uma faixa para mostrar a essa pessoa a grandeza do homem, eu teria uma difícil escolha entre esta e a versão de estúdio de Like a Rolling Stone”.

No vídeo acima, Dylan parece expurgar qualquer resquício de tristeza e eliminar em forma de uma prazerosa raiva.

Simbolicamente ou não, Bob Dylan tocou esta música nas apresentações em dois momentos. Em 1976, quando seu casamento com Sara estava no fim. E também em 1992. Quando outro casamento terminara – dessa vez com Carol Dennis.

Abaixo, o áudio do show de San Jose.

Tom Waits é um ouvinte dylanesco

Tom Waits lançará no próximo dia 24 seu novo disco de canções inéditas, intitulado Bad As Me. Para divulgar o álbum, Tom fez um ótimo vídeo e desde ontem o disponibilizou para audição online.

O site Pitchfork entrevistou Waits sobre o disco e outros assuntos. Durante a entrevista, Tom citou Bob Dylan e seu programa de rádio.

Depois de dizer que gosta de compor enquanto dirige, Tom Waits afirmou que não costuma ouvir música no carro. Contudo, disse gostar do Theme Time Radio Hour, apresentado por Bob Dylan. Waits comenta que o formato adotado por Dylan é realmente o perfil dos programas radiofônicos que Tom ouvia quando era criança, com um disc jockey escolhendo um tema e tocando músicas ligadas a este assunto.

A transcrição da entrevista indica que Tom Waits imita Bob Dylan. Deve ser interessante ouvir esta interpretação. Seria algo assim?

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Tom Waits também divaga rapidamente sobre a influência de Dylan na música pop, citando Reach Out I’ll Be There, do Four Tops, como uma canção que dialoga com Like a Rolling Stone.

Entre as participações no disco Bad As Me, estão o baixista Flea e o guitarrista Keith Richards (que também divide os vocais em Last Leaf). Outro convidado foi David Hidalgo, membro da banda Los Lobos. Para quem não sabe, Hidalgo participou do álbum Together Through Life, tocando guitarra, violão e acordeon.