Steve Jobs, que recentemente deixou o comando da Apple, é comumente atrelado a um perfil revolucionário. No final dos anos 90, retornou à Apple depois de uma saída turbulenta e de fato revolucionou a empresa, tirando da possibilidade de falência para o posto de maior empresa do mundo.
Pouco se sabe sobre a vida pessoal de Jobs, mas uma coisa é óbvia: ele é fã de Bob Dylan.
Abaixo, alguns vídeos com a relação entre Steve Jobs e o mundo dylanesco.
Os favoritos de Steve Jobs – Bob Dylan e Beatles
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Reunião da Apple em 1984, em que Steve Jobs cita The Times They Are A-Changin’
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Comercial com o conceito “Think Different”. Bob é o segundo a aparecer, após Einstein (que não está disfarçado de Robin Hood)
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Divulgação de Modern Times para iTunes e iPod, com Someday Baby como trilha
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De origem judáica, Shabtai Zisel ben Avraham só se apresentou em Israel pela primeira vez em 1987. Não sabe quem é? Este é o nome hebráico de Robert Allen Zimmerman. Ou, para facilitar, Bob Dylan.
Depois de passar por uma fase cristã, que durou do fim de 1978 até o começo de 1983, Bob tocou nos dias 5 e 7 de Setembro de 1987 nas cidades de Tel Aviv e Jerusalem, respectivamente. Para acompanhá-lo, Tom Petty e seu grupo The Heartbreakers.
Bob Spitz, em sua biografia sobre Dylan, relata no prólogo a expectativa da população pelo primeiro show de Dylan em Israel. Como bem descreveu Spitz, enquanto que para o público havia uma ansiedade muito grande, para Dylan os dois shows pareciam ser como outros quaisquer.
Robert Hilburn, um conceituado crítico musical, acompanhou Dylan em sua passagem pelo país. Ele relata que no show de Tel Aviv, Bob Dylan abriu com Maggie’s Farm, mas incluiu também canções menos famosas e emblemáticas, como Joey, Señor e Dead Man, Dead Man. Hilburn viu a empolgação do público diminuir e as pessoas balançarem a cabeça como se não estivessem entendendo.
No dia seguinte, Hilburn foi questionado por Dylan sobre a recepção do show. Ele respondeu que era a primeira vez que Bob estava em Israel e, portanto, havia uma grande expectativa da platéia de ouvir os grandes clássicos dylanescos.
Dylan então perguntou a Hilburn quais músicas ele achava interessente tocar. Hilburn fez uma lista e entregou a Bob. No show seguinte, em Jerusalém, Bob incluiu as canções sugeridas por Hilburn.
Abaixo, um vídeo em que Hilburn relata exatamente esta passagem e ilustra como Bob Dylan é tão misterioso e intrigante quanto suas canções.
Hilburn defende Dylan e afirma que o cantor não achou que a escolha da música deveria obedecer o gosto do público. Dylan exemplifica sua opinião: “Quando eu vou ver um show do Sinatra, eu não me importo com o quê ele toca, eu só quero vê-lo, ouví-lo cantar o que ele sente que deve cantar”.
Spitz finaliza o seu prólogo citando um desabafo melancólico de uma fã, que questiona ao vento, como se esperasse uma resposta: “Eu não o entendo. Por que ele tem que nos confundir dessa maneira? Qual é a dele?”
Jeff Bridges é um ator americano que tem no currículo filmes de ótima bilheteria, como Tron, Iron Man e Seabiscuit. Em 2009, ganhou o Oscar de melhor ator por Crazy Heart, em que interpreta um cantor de country em decadência. Jeff não só interpretou o papel, como cantou na trilha sonora oficial.
Contudo, apesar da carreira de sucesso, seu papel mais lendário foi como Jeff Lebowski, ou The Dude, no filme Big Lebowski. O longa, dirigido pelos irmãos Coen, não obteve um lucro maciço, mas ganhou o rótulo de cult com o passar do tempo. Além de uma religião criada a partir do personagem de Bridges, o Dudeísmo, existe até um festival, o Lebowski Fest, em que o próprio Bridges é figura frequente.
O que tudo isso tem a ver com Bob Dylan? Abaixo, a introdução de Big Lebowski:
The Man in Me é uma canção do álbum New Morning, de 1970. Em um momento de completa satisfação pessoal, ausente do mainstream por opção, Bob Dylan se afastou dos holofotes e curtia o convívio familiar desde 1966, quando sofreu o famoso acidente de moto que cancelou sua desgastante turnê mundial.
Assim, The Man in Me pode ser interpretada como uma grande, porém meio cafona, declaração de amor para sua então esposa, Sara Lowndes. Bob descreve toda a influência de sua mulher no despertar do “homem dentro de mim”. Como disse Hinton, o vocal expressivo abrange desde o orgulho masculino até sua vulnerabilidade.
Voltemos para o Big Lebowski. Há alguns anos atrás, em uma das Lebowski Fests, Jeff Bridges cantou a música de Dylan em alto e bom som. E provavelmente com algumas doses de White Russian…
Recentemente, Bridges – que lançou há pouco tempo um álbum country – cantou a mesma música em uma sessão para a revista Rolling Stone. A versão atual é bem mais hillbilly e “madura” do que a entoada no vídeo acima. Jeff apresenta a música como sendo do seu compositor favorito e provavelmente a preferência de 90% das pessoas presentes. Confira:
Vale lembrar que Jeff Bridges já trabalhou com Bob Dylan. Os dois atuaram, em 2003, no filme Masked and Anonymous, co-escrito por Sergei Petrov (não conhece? é um dos heterônimos de Dylan).
Update: o vídeo acima não está mais disponível, mas eis a versão mais recente: