Neto de Bob Dylan grava rap (ou “Bob é o Jay-Z de sua época”)

Primeiro, um resumo da árvore genealógica Dylanesca:

Abe Zimmerman + Beatty Stone = Robert Zimmerman = Bob Dylan
Bob Dylan + Sara Lownds = Jesse Dylan
Jesse Dylan + esposa = Pablo Dylan

Bob Dylan inspira jovens desde os anos 60. Mas seu carisma também invade sua própria porta.

Depois dos filhos Jakob, ex-vocalista da banda The Wallflowers e atualmente em carreira solo, e Jesse, um bem-sucedido diretor de clipes que já filmou Will.I.Am, Lenny Kravitz e Tom Petty (que tocou com Bob nos anos 80), agora é a vez de seu neto, Pablo Dylan, mostrar interesse pelo entretenimento.

Em recente entrevista ao site AllHipHop, Pablo Dylan mostrou suas habilidades como rapper ao divulgar seu primeiro lançamento. Ele também comparou a importância de seu avô com a relevância de Jay-Z. Para Pablo, Bob Dylan é o “Jay-Z de sua época”.

O neto Dylan contou que aprendeu com os álbuns de seu avô e que Bob é uma influência em suas composições.

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Mesmo fazendo rap, Pablo ainda está sob a sombra de seu avô. Veja este vídeo e entenda.

Dylan Cover #4 – Ani DiFranco

A música Hurricane é normalmente considerada uma volta de Dylan a canção de protesto. A quem ache, como Lester Bangs, que foi apenas uma estratégia oportunista de Bob para voltar aos holofotes.

O fato é que a letra é forte e direta. Construída como se fosse um script de filme, Hurricane relata e critica o caso polêmico da condenação equivocada do lutador Rubin “Hurricane” Carter por assassinato em 1967. Carter escreveu uma autobiografia e foi a partir dela que Bob tomou conhecimento dos detalhes, chegando a visitar Rubin na prisão antes e depois de gravar a música.

A cantora e feminista Ani DiFranco regravou a canção em 2000, no álbum Swing Set. A versão dela parece mais atualizada e rústica, mas não conseguiu captar a interpretação imponente de Dylan em seu álbum Desire.

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Bob Dylan no The Last Waltz

Recentemente consegui arrumar tempo para garimpar vinis na famosa Galeria do Rock, aqui em São Paulo. Entre minhas aquisições analógicas, encontrei um disco triplo: The Last Waltz, do grupo The Band.

Sobre The Band

O grupo começou no Canadá, no final dos anos 50, como banda de apoio do cantor de rockabilly Ronnie Hawkins. Ainda se chamavam The Hawks quando parte do grupo participou da gravação do álbum So Many Roads, de John Hammond Jr.

Foi o próprio Hammond, filho do renomado produtor John Hammond (responsável pela contratação de Dylan pela Columbia) que indicou a banda para Bob, que queria eletrificar sua música (e, consequentemente, mudar de vez a a história e o papel da música pop).

O The Band ganhou este nome na companhia de Bob Dylan, já que o anúncio dos shows era “Bob Dylan and The Band”. Após participar das turnês de 65 e 66, o The Band ainda faria gravações descontraídas com Bob, na região de Woodstock (que seria lançado como The Basement Tapes), além de gravar o álbum de estúdio Planet Waves e o registro ao vivo Before The Flood.

Sobre o The Last Waltz

O evento foi organizado para ser como o último show do The Band. Além da baixa venda de discos, os problemas com drogas e de relacionamento dos integrantes fizeram com que a banda decidisse terminar. Para celebrar os quase 20 anos juntos, o produtor Bill Graham organizou um jantar de Ação de Graças no dia 25 de novembro de 1976.

A apresentação contou com a participação de vários artistas, como Muddy Waters, Dr. John, Neil Young, Joni Mitchell, Van Morrison e, obviamente, Bob Dylan.

Segundo Howard Sounes, o concerto foi financiado pela Warner Bros., que pagou US$ 1,5 milhão para que se registrasse em vídeo este show histórico. A única condição era que Bob Dylan estivesse no filme. Para dirigir o filme, escalaram Martin Scorsese.

Renaldo & Clara

Nesta mesma época, Bob Dylan produzia seu conturbado longa Renaldo & Clara, filmado durante a turnê The Rolling Thunder Revue, entre 75 e 76. Ainda segundo Sounes, Bob teria proibido que sua participação no show fosse filmada, temendo que a veiculação de sua imagem no vídeo do concerto pudesse ofuscar o lançamento de seu próprio filme.

Depois de uma conversa nos camarins, Dylan aceitou o registro, mas não deixou que filmasse toda sua participação. Assim, apenas Forever Young, Baby, Let me follow you down e a música que fecha o show, I Shall Be Released (com todos os convidados), foram liberadas por Bob.

O disco triplo

Dylan aceitou que sua participação fosse utilizada integralmente no disco do concerto. Além das três que foram filmadas, Bob também tocou outra versão de Baby, Let me follow you down, além de I don’t believe you (she acts like we never have met).

Imagens inéditas

Coincidentemente, não faz muito tempo vi no Expecting Rain um link para uns vídeos amadores (ou uma gravação proibida) de todo o show. Há todas as canções que Dylan participou.

Para muitos, The Last Waltz é um dos melhores filmes de rock já feitos. Robert Shelton transcreveu em seu livro um trecho da crítica que Terry Curtis Fox fez sobre o filme para o Village Voice. Para Terry, “a montagem de Scorsese não procura esconder o quanto aquele se transformou em um evento de Dylan”.