Dylan leva um piano de cauda para o palco da Inglaterra

Engana-se quem achava que Dylan não traria nenhuma novidade nos recentes ensaios que ele fez em um teatro próximo a Woodstock. No primeiro show de sua turnê européia do ano, Bob tocou, além de teclado, gaita e guitarra, um piano de cauda!

Abaixo, dois vídeos de versões “pianísticas”. “Love Sick” e “Highway 61 Revisited”:

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[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=3MSj-5mlYPI]

É possível perceber que Dylan ainda está “se entendendo” com o novo brinquedo, mas imagino que em outras canções, como “Spirit On the Water”, o resultado deve estar melhor. E a tendência é Bob ficar cada vez mais à vontade no instrumento.

Resta saber se o instrumento o acompanhará nas próximas apresentações…

Confira aqui o repertório completo do show e o instrumento que Dylan tocou em cada música (via Boblinks):

1. Leopard-Skin Pill-Box Hat (Bob on keyboard)
2. It’s All Over Now, Baby Blue (Bob on guitar)
3. Things Have Changed (Bob center stage with harp)
4. Tangled Up In Blue (Bob center stage with harp)
5. Cry A While (Bob center stage with harp)
6. Love Sick (Bob on grand piano)
7. Ballad Of Hollis Brown (Bob center stage with harp)
8. Spirit On The Water (Bob on grand piano)
9. High Water (For Charley Patton) (Bob center stage with harp)
10. A Hard Rain’s A-Gonna Fall (Bob on grand piano)
11. Highway 61 Revisited (Bob on grand piano)
12. Can’t Wait (Bob on grand piano)
13. Thunder On The Mountain (Bob on grand piano)
14. Ballad Of A Thin Man (Bob center stage with harp)
15. Like A Rolling Stone (Bob on piano)
16. All Along The Watchtower (Bob on grand piano)

Ouça aqui a apresentação completa:

Bob revisita região de Woodstock em ensaios

Para se preparar para a segunda fase de sua turnê deste ano, Bob Dylan ensaiou escolheu um local pouco comum. Ao invés de optar pela opção mais comum, os estúdios, Bob preferiu fazer os últimos ajustes com sua banda em na antiga casa de ópera Bardavon.

Inaugurado em 1869, Bardavon é a casa de show mais antiga do estado de New York e já recebeu artistas lendários, como Mark Twain, Frank Sinatra, Tony Bennett e o famoso ilusionista Harry Houdini. Alguns amigos de Dylan também tocaram no local, como Levon Helm, Joan Baez, Kris Kristoferson, Mavis Staples e David Bromberg.

Segundo seu diretor executivo, Chris Silva, Bob Dylan ensaiou esta semana de segunda à quarta. Esta é a quarta vez que Bob utiliza este espaço para ensaios – a primeira foi em 2006, quando preparou material para entrar em estúdio e gravar “Modern Times”.

Bardavon está localizado na cidade de Poughkeepsie. Ela é bem próxima a Woodstock, região em que Bob morou na segunda metade dos anos 60.

Dylan inicia no sábado, 30 de junho, sua turnê pela Europa, que passará pela Inglaterra, Alemanha, Áustria, Suiça, Espanha, França e Itália. No total, serão 15 shows em 23 dias.

Fonte: Poughkeepsie Journal.

A Balada de Bob Dylan – Um retrato musical

Depois de um 2011 com lançamentos de ótimos livros dylanescos no país (a saber: um guia e uma biografia), a editora Zahar traz mais uma boa novidade literária ao mercado brasileiro.

“A Balada de Bob Dylan” foi escrita pelo poeta, biógrafo e dramaturgo Daniel Mark Epstein e, como Eduardo Bueno afirma na apresentação, vai além de um mero registro da vida e obra dylanesca:

“(…) essa balada é, ao mesmo tempo, mais e menos do que uma biografia: é uma reportagem autoral, um conto fidedigno, um ensaio biográfico, um longo poema em prosa; os gêneros se mesclam, se fundem e se completam de tal forma que, a certa altura, chegam a dar ao leitor a impressão de que o fazem com o propósito de forjar um novo modelo: um retrato literário, como o subtítulo sugere”.

O livro é trilhado através de quatro shows distintos em que Epstein foi testemunha ocular: 14 de dezembro de 1963 (um dia depois de Dylan ter “se comparado” ao assassino de Kennedy, Lee Oswald); 30 de janeiro de 1974 (show no Madison Square Garden, com The Band, que se tornaria o disco “Before The Flood”); 4 de agosto de 1997 (cinco semanas antes do lançamento de “Time Out of Mind” – álbum considerado “a volta por cima” de Dylan); e 24 de julho de 2009 (quando Bob excursionou com Willie Nelson e John Mellencamp).

A partir desses momentos distintos, Mark invade as entrelinhas não apenas das letras, mas também das inúmeras variações no arranjo das canções e expande a reflexão para montar um panorâma rico e poético de Bob e todo seu contexto.

Uma das coisas mais interessantes desta obra é que ela é efetivamente recente (nos EUA, foi lançado a apenas um ano atrás). Isso faz com que vários fatos atuais sejam analisados, como é o caso do Theme Time Radio Hour e do mais recente disco de inéditas de Dylan, Together Through Life.

Assim, como dito por Eduardo Bueno na apresentação e em algumas boas resenhas do livro na época do lançamento americano, “A Balada de Bob Dylan” se diferencia dos incontáveis livros anualmente lançados sobre Bob. É um retrato que vale a pena ser lido e absorvido.

A Balada de Bob Dylan – Um retrato musical

Autor: Daniel Mark Epstein
Tradução: Thiago Lins
Apresentação: Eduardo Bueno
524 páginas

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