The Dude e seu “Man in Me”

Jeff Bridges é um ator americano que tem no currículo filmes de ótima bilheteria, como Tron, Iron Man e Seabiscuit. Em 2009, ganhou o Oscar de melhor ator por Crazy Heart, em que interpreta um cantor de country em decadência. Jeff não só interpretou o papel, como cantou na trilha sonora oficial.

Contudo, apesar da carreira de sucesso, seu papel mais lendário foi como Jeff Lebowski, ou The Dude, no filme Big Lebowski. O longa, dirigido pelos irmãos Coen, não obteve um lucro maciço, mas ganhou o rótulo de cult com o passar do tempo. Além de uma religião criada a partir do personagem de Bridges, o Dudeísmo, existe até um festival, o Lebowski Fest, em que o próprio Bridges é figura frequente.

O que tudo isso tem a ver com Bob Dylan? Abaixo, a introdução de Big Lebowski:

The Man in Me é uma canção do álbum New Morning, de 1970. Em um momento de completa satisfação pessoal, ausente do mainstream por opção, Bob Dylan se afastou dos holofotes e curtia o convívio familiar desde 1966, quando sofreu o famoso acidente de moto que cancelou sua desgastante turnê mundial.

Assim, The Man in Me pode ser interpretada como uma grande, porém meio cafona, declaração de amor para sua então esposa, Sara Lowndes. Bob descreve toda a influência de sua mulher no despertar do “homem dentro de mim”. Como disse Hinton, o vocal expressivo abrange desde o orgulho masculino até sua vulnerabilidade.

Voltemos para o Big Lebowski. Há alguns anos atrás, em uma das Lebowski Fests, Jeff Bridges cantou a música de Dylan em alto e bom som. E provavelmente com algumas doses de White Russian

Recentemente, Bridges – que lançou há pouco tempo um álbum country – cantou a mesma música em uma sessão para a revista Rolling Stone. A versão atual é bem mais hillbilly e “madura” do que a entoada no vídeo acima. Jeff apresenta a música como sendo do seu compositor favorito e provavelmente a preferência de 90% das pessoas presentes. Confira:

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Vale lembrar que Jeff Bridges já trabalhou com Bob Dylan. Os dois atuaram, em 2003, no filme Masked and Anonymous, co-escrito por Sergei Petrov (não conhece? é um dos heterônimos de Dylan).

Update: o vídeo acima não está mais disponível, mas eis a versão mais recente:

Dylan Cover #4 – Ani DiFranco

A música Hurricane é normalmente considerada uma volta de Dylan a canção de protesto. A quem ache, como Lester Bangs, que foi apenas uma estratégia oportunista de Bob para voltar aos holofotes.

O fato é que a letra é forte e direta. Construída como se fosse um script de filme, Hurricane relata e critica o caso polêmico da condenação equivocada do lutador Rubin “Hurricane” Carter por assassinato em 1967. Carter escreveu uma autobiografia e foi a partir dela que Bob tomou conhecimento dos detalhes, chegando a visitar Rubin na prisão antes e depois de gravar a música.

A cantora e feminista Ani DiFranco regravou a canção em 2000, no álbum Swing Set. A versão dela parece mais atualizada e rústica, mas não conseguiu captar a interpretação imponente de Dylan em seu álbum Desire.

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Leon Russell abre shows de Dylan nos EUA

Para a turnê americana que começa amanhã, Bob Dylan terá como show de abertura o pianista Leon Russell em algumas apresentações. O músico já gravou com Dylan duas músicas: Watching The River Flow e When I paint my Masterpiece. Nas duas faixas ele tocou baixo e piano.

Em março de 2011, Russell entrou para o Rock and Roll Hall of Fame (Dylan entrou em 1988).

Confira alguns vídeos de Leon Russell cantando músicas dylanescas:

A Hard Rain’s A-Gonna Fall

It takes a lot to laugh, it takes a train to cry

Ballad of Hollis Brown

Masters of War (letra de Dylan cantada com a melodia do hino americano)