Dylan Cover #1 – Rolling Stones e cia.

Inicío aqui uma série em que apresento canções dylanescas interpretadas por outros músicos.

Para gravar um album em homenagem a Ian Stewart (1938-1985) – pianista e co-fundador dos Rolling Stones (apesar de se transformar num músico contratado e Gerente de Turnê da banda em 1963) – o também pianista Ben Waters resolveu chamar diversos músicos para interpretar as canções.

Entre as músicas, está uma versão de Watching The River Flow, com uma formação classuda: além dos Rolling Stones, o ex-baixista da banda Bill Wyman participou da gravação. O apresentador Jools Holland também foi convidado, tocando órgão.

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Bob Dylan do sertão

O jornal Estado de S. Paulo relançou a coleção Discoteca Estadão, com vários álbuns importantes da MPB. Neste fim-de-semana, série se encerra com o primeiro álbum solo de Zé Ramalho, de 1978.

O disco fez com que Zé Ramalho ganhasse o apelido de “Bob Dylan do sertão”, influenciado principalmente pelo jeito falado de cantar. Independente da alcunha ser justa, o álbum é interessante pelas ótimas letras e por utilizar diferentes estilos, como ritmos brasileiros (choro e baião) e guitarras psicodélicas.

Entre os músicos que participaram da gravação, está o guiarrista d’Os Mutantes Sérgio Dias, além do tecladista Patrick Moraz, da banda de rock progressivo Yes.

Em 2009, Zé Ramalho lançou o disco Ta tudo mudado, com versões em português de músicas do Bob Dylan. Muitas pessoas acharam as traduções de gosto duvidoso, mas é possível ouvir boas traduções, como O amanhã é distante, versão brasileira de Tomorrow is a long time.

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Bryan Ferry e seu “Dylan para leigos”

O britânico Bryan Ferry fez sucesso nas décadas de 70 e 80, quando esteve à frente do Roxy Music, grupo que influênciou diretamente o movimento New Wave. A banda durou até 1983, quando fez um hiato que terminaria apenas em 2001 com uma reunião que dura até os dias de hoje.

Em 2007, Bryan Ferry gravou o álbum Dylanesque, que obviamente continha apenas canções de Bob Dylan. Apesar do Roxy Music ter como característica sonora o uso de instrumentos eletrônicos, o álbum gravado por Ferry em seu projeto solo tem uma atmosfera crua, sem aparentar ser um álbum cantado por alguém que fez sucesso com New Wave.

O álbum contém onze canções, que passam por várias fases de Bob Dylan. Ainda assim, sete das onze faixas são músicas gravadas por Bob na década de 60.

Os arranjos são bons e se distanciam com qualidade das versões originais. Ouço o álbum com prazer, mas não acho que ele esteja entre as melhores interpretações de músicas dylanescas. Pareceu-me superficial, sem conseguir atingir o ouvinte com a mesma intensidade que as canções naturalmente têm.

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A versão de Bryan para Simple Twist Of Fate exemplifica bem essa minha aparência. Ela é gravada como um rock divertido e levemente rápido, ignorando a essência da canção: um relato triste, cansado e melancólico.

Vejo Dylanesque como um bom início para quem quer começar a entrar no mundo de Bob Dylan. As versões são mais palatáveis e a sonoridade bem mais acessível. Mas, mesmo com os “defeitos”, a máxima se mantém: ninguém canta Dylan como Dylan.

Abaixo, a lista das músicas do álbum (com links para vídeos do YouTube) e onde é possível encontrar a versão original de Dylan.

1- Just Like Tom Thumb’s Blues
Álbum: Highway 61 Revisited

2- Simple Twist of Fate
Álbum: Blood on the Tracks

3- Make You Feel My Love
Álbum: Time Out of Mind

4- The Times They Are a-Changin’
Álbum: The Times They Are a-Changin’

5- All I Really Want to Do
Álbum: Another Side of Bob Dylan

6- Knocking on Heaven’s Door
Álbum: Pat Garrett & Billy the Kid

7- Positively 4th Street
Álbum: Bob Dylan’s Greatest Hits

8- If Not For You
Álbum: New Morning

9- Baby Let Me Follow You Down
Álbum: Bob Dylan

10- Gates of Eden
Álbum: Bringing It All Back Home

11- All Along The Watchtower
Álbum: John Wesley Harding