O folk erudito de Copland

Desde 2002, Bob Dylan utiliza um texto introdutório para entrar no palco (leia aqui). Um ano antes, no início de outubro de 2001, Dylan passou a usar uma música orquestral como tema de entrada.


O tema é Hoe-Down, que faz parte do ballet Rodeo, escrito em 1942 pelo compositor americano Aaron Copland.

Sean Wilentz inicia seu livro “Bob Dylan in America” com uma detalhada biografia de Copland e a influência do folk e do movimento de esquerda no seu trabalho. O capítulo indica que a escolha pelo tema por Dylan não é aleatória e mostra as relações existentes na vida e obra dos dois compositores.

Nos anos 30, Copland participou ativamente do movimento de esquerda ligado ao folk, tendo criado vínculos com Alan Lomax e Charles Seeger, pai de Pete. No folk, Copland encontrou fontes de inspiração para suas composições, que ele fazia questão que fossem simples.

Em Hoe-Down, a melodia inicial é uma variação de uma canção chamada “Bonaparte’s Retreat”, gravada por inúmeras pessoas, como Hank Williams.

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Para Wilentz, apesar de Dylan ser considerado o “dono dos anos 60”, sua obra é produto dos anos 40 e 50. Foi na década de 40 que Woody Guthrie lançou seu livro “Bound for Glory” e teve suas músicas – como “This Land is Your Land” e “Worried Man Blues” – gravadas pela primeira vez. Sobre os anos 50, podemos citar a influência de músicos como Little Richard, que foi decisivo para a entrada de Bob na música.

Assim como a tradição do folk e canções populares foi uma grande fonte de inspiração para Copland fazer uma música simples e direta, Bob Dylan também utilizou dessas bases culturais, revisitando a história de seu país e criando algo novo a partir dessas visões.

Propaganda, all is phony (ou Bob Dylan garoto-propaganda)

Advertising signs that con you
Into thinking you’re the one
That can do what’s never been done
That can win what’s never been won
Meantime life outside goes on
All around you.

[It’s Alright, Ma (I’m Only Bleeding)]

Uma seleção de comerciais com Dylan como garoto-propaganda e trilha sonora.

Victoria’s Secret:

 

Pepsi:

 

Cadillac:

 

Expo Zaragoza:

 

Google:

Love & Theft:

E ainda tem com:
Apple
Johnnie Walker
Co-op
Minnetonka
Alfa Romeo

O “verdadeiro” Acústico MTV de Dylan

Após o sucesso de público do Concerto em homenagem a Bob Dylan, que arrecadou, em 1993, cerca de US$10 milhões com ingressos e principalmente pay-per-view (e tendo Dylan embolsado uma boa parcela deste montante), Bob achou interessante filmar uma apresentação tendo em vista a veiculação na TV.

Nesta época, apesar de excursionar com Santana e fazer uma sonoridade mais voltada para o rock, Dylan lançou entre 92 e 93 dois álbuns solo, Good As I Been To You e World Gone Wrong, em que tocava canções tradicionais do folk e country-blues apenas utilizando violão e gaita.

Assim, o projeto pensado por Bob utilizaria a banda que o acompanhava e mesclaria com o ambiente intimista e acústico criado pelos recentes discos.

Supper Club

Dylan pagou toda a produção e deu início mesmo não fechando com nenhuma emissora de TV. Escolheu o Supper Club, em New York, como local para as quatro apresentações, ocorridas nos dias 16 e 17 de novembro de 1993. No repertório, músicas de várias épocas, deixando muitos “greatest hits” dylanescos de fora.

Apesar de ter o projeto fechado, Dylan percebeu (e foi aconselhado por pessoas íntimas) de que o projeto não tinha nenhum apelo comercial, dificultando a veiculação na TV. Nesta época Bob supostamente sofria um bloqueio criativo (o último disco de inéditas é de 1990 e ele só lançaria algo novo em 1997), além de não estar satisfeito com o rumo de suas recentes turnês (incluindo com Tom Petty e Greateful Dead, nos anos 80).

MTV Unplugged

Assim, Bob Dylan cedeu às pressões e desenvolveu um novo projeto, dessa vez em parceria com a MTV. Os shows foram gravados um ano depois, nos dias 17 e 18 de novembro de 1994.

“Eu gostaria de fazer antigas canções folk com instrumentos acústicos, mas havia muitas sugestões de outras fontes sobre o que seria bom para o público da MTV… Em outra época, eu discutiria, mas não havia porquê. Eu senti que eu tinha que entregar, e entreguei algo que foi preconcebido para mim. Não foi necessariamente o que eu queria fazer”. – Bob Dylan, em 1995.

Eu gosto muito dos dois, mas é visível a diferença na abordagem. Além do repertório mais aceitável para o grande público, o MTV Unplugged possui ótimas interpretações, mas que não chegam aos pés – com exceção de Desolation Row e John Brown – da intensidade de Dylan nos shows no Supper Club. Ele parece bem mais à vontade e divertindo-se mais.

Ring Them Bells (Supper Club)

Knockin’ On Heaven’s Door (Unplugged MTV)

Petição para Sony

Para quem se interessar, um grupo no Facebook quer pressionar a Sony a lançar um box quádruplo de DVDs com as quatro apresentações no Supper Club. Depois de entrar no grupo, é preciso assinar virtualmente um documento que está na própria página do Facebook.