Dylan & Cash finalmente ganham créditos em museu de Nashville

Dylan, Cash, and the Nashville Cats: A New Music City

Visitei Nashville em 2013, quando acompanhei três shows da turnê AmericanaramA que Bob Dylan ao lado das bandas Wilco, My Morning Jacket e outros convidados. Na ocasião, meu passeio pela lendária “Capital da Música” expôs uma lacuna curiosa: quase nenhuma menção à Bob Dylan e sua relação com Nashville.

Contextualizando

Como escrevi na época, Robbie Robertson talvez tenha matado a charada pelo “ostracismo dylanesco” na Music City. Ele opina que a cultura de Nashville não tem o costume de valorizar músicos que não fazem parte do círculo local. Apesar de acharmos elementos aqui e ali, o “wild mercury sound” que Dylan conseguiu em Blonde on Blonde difere daquele que escutamos aos montes nas ruas da cidade.

Bob Dylan gravou quatro discos em Nashville: Blonde On Blonde (parte em Nashville, parte em New York), John Wesley Harding, Nashville Skyline e Self Portrait (também com sessões divididas entre Nashville e New York). Entre os dois maiores entusiastas e influenciadores da ida de Dylan à capital do Country estão: Bob Johnston, produtor nascido em Nashville que trabalhou com Dylan em New York, e Johnny Cash, que Bob conheceu no Newport Folk Festival e manteve contato até o reencontro em 1969, para as gravações de Nashville Skyline.

Dylan, Cash, and the Nashville Cats: A New Music City

A nova exposição do museu Country Music Hall Of Fame parece querer compensar este desdém passado. Em “Dylan, Cash, and the Nashville Cats: A New Music City”, o curador Pete Finney mostra a importância que a parceria entre Cash e Dylan teve para a ampliação da atuação de Nashville no cenário musical, expandindo sua atividade para além do country. A exposição também homenageia outros músicos locais importantes para a fama de alta qualidade da cidade, entre eles: Kenny Buttrey, Charlie Daniels, Pete Drake, Charlie McCoy e Jerry Reed – muitos deles com participações em discos de Bob Dylan.

A Rolling Stone destacou os principais itens da exposição que fica até o final de 2016. Veja uma compilação dos itens dylanescos:

1- Manuscrito de “Wanted Man”, música que Dylan escreveu para Johnny Cash, que a gravou no disco “Live At San Quentin”

2- Guitarra Telecaster, usada por Charlie Daniels nas gravações de Nashville Skyline e Self Portrait

3- Agenda de Charlie McCoy, músico responsável pelo solo em “Desolation Row”

4- Terno que Dylan usou no encontro com Papa João Paulo II, em 1997, feito pelo designer Manuel Cuevas.

5- Acetato de “4th Time Around”, que Bob gravou em Nashville no dia 14 de fevereiro de 1966.

6- Grammy de Johnny Cash pelo texto do encarte de Nashville Skyline

7- Ingresso para show que Dylan fez em Louisville, Kentucky, no dia 4 de fevereiro de 1966 – dez dias antes de começar a gravar Blonde on Blonde.

O site do museu destacou outros itens dylanescos, como:
– Mahogany 1949 Martin 00-17, que Bob Dylan no começo dos anos 60;
– Documentos do começo da carreira de Dylan, como seu primeiro show oficial em New York
– Guitarra Gretsch Country Gentleman de Ron Cornelius, usada em gravações de Dylan no começo dos anos 70.

[Vídeo] Don’t Think Twice, It’s Alright – Uma Genealogia

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Recebi na semana passada um email do musicólogo Steven Rings, PhD em Música e Diretor da Faculdade de Música de Chicago. No email, ele mandou o link abaixo do vídeo. No momento que eu vi do que se tratava, já fiquei muito curioso. É interessante ver a análise acadêmica e muito bem embasada de Steve sobre a obra de Bob Dylan. Neste último trabalho, ele se debruçou sobre as diversas origens, conscientes ou não, da canção “Don’t Think Twice, It’s Alright”.

“Don’t Think Twice, It’s Alright – A Genealogy” é uma palestra sobre às vozes ecoantes por trás da música. Steven começa por desconstruir uma parte da lenda por trás da obra: que Dylan teria roubado a melodia de Paul Clayton. De fato há similaridades óbvias, mas outro fato é que o próprio Clayton se apropriou de melodias e abordagens de músicas ainda mais antigas.

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Depois, Rings faz uma série de ligações curiosas e intrigantes, conectando a harmonia de “Don’t Think Twice” com vários estilos, como country, folk e até doo-wop.

A apresentação é em inglês, mas até mesmo para quem não é tão íntimo do idioma pode ser uma boa diversão. É interessante notar a construção do argumento de Rings e como ele mostra o passo-a-passo para defender a grandiosidade, amplitude e experiência que é apreciar a canção dylanesca.

Update 2021: infelizmente a palestra foi retirada do site, mas há aqui um trecho dela, além de outra palestra interessante sobre Bob Dylan:

Mostra de cinema exibe filmes de D.A. Pennebaker

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D.A. Pennebaker e Chris Hegedus trabalharam juntos diversas vezes. No universo dylanesco, a parceria foi importantíssima para a produção de “Dont Look Back”, de 1967, que retrata a última turnê exclusivamente acústica e solitária de Bob Dylan, ocorrida em 1965.

É desse filme, por exemplo, que está aquele que é considerado um dos primeiros clipes de música:

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=C6y7AXw5U6w[/youtube]

A CAIXA Cultural Rio de Janeiro apresenta, de 28 de fevereiro a 8 de março de 2015, a mostra de filmes “O cinema verdade de Pennebaker e Chris Hegedus”. Serão 25 filmes, entre curtas e longas, divididos em 3 categorias temáticas: cinema rock, política e artes cênicas e performances.

Para a curadora Amanda Bonan, “Pennebaker e Hegedus foram dois dos principais consolidadores da vertente do cinema documentário que se empenha em captar a realidade tal qual ela aparece diante de nossos olhos. O cinema verdade procura reproduzir aquilo que acontece no mundo, com o mínimo de interferências possível”.

Além da exibição dos filmes, o público poderá participar de debates gratuitos com importantes pensadores e críticos de cinema.

Confira a programação!

Informações:

Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Cinemas 1 e 2
Endereço: Av. Almirante Barroso, 25, Centro (Metrô: Estação Carioca)
Telefone: (21) 3980-3815
Data: de 28 de fevereiro a 8 de março de 2015
Horários: Consultar programação
Classificação Indicativa: Consultar de acordo com o filme
Ingressos: R$ 4,00 (inteira) e R$ 2,00 (meia). Além dos casos previstos em lei, clientes CAIXA pagam meia
Lotação: Cinema 1 – 78 lugares (mais 3 para cadeirantes). Cinema 2– 80 lugares (mais 3 para cadeirantes)

Obs.: Meu agradecimentos a Lucia Possas pela dica!