Documentário sobre Mavis Staples tem Bob Dylan!

Mavis Staples

O mais novo documentário da HBO, a ser lançado no “dia bissexto”, 29/02/16, e terá como objeto de estudo a lendária cantora Mavis Staples. Entre as contribuições, ninguém mais, ninguém menos que – quem diria! – Bob Dylan, com depoimento sobre a artista.

Mavis Staples nasceu em 10 de julho de 1939, em Chicago. Desde os 11 anos já tocava com a família no Staples Singers, grupo liderado pelo pai de Mavis, Roebuck “Pops” Staples. Entre os sucessos da família, estão várias covers de canções do Dylan, como:

Desde 1969 Mavis passou a lançar discos solo, mas nos anos 2000 sua carreira passou a ganhar um público mais jovem – ela assinou em 2007 um contrato com a ANTI- records, que também trabalha com Tom Waits, por exemplo.

Seu mais recente trabalho foi lançado no começo de 2016, High Note:

Bob Dylan <3 Mavis Staples

A relação de Bob Dylan com Mavis Staples é de longa data. Quando ouviu pela primeira vez a voz de Mavis, Dylan afirmou ter ficado arrepiado. Sua admiração foi tamanha que Bob chegou a ter um romance com Mavis durante os anos 60. No final da mesma década, pediu a cantora em casamento, mas recebeu um triste “não” (Mavis conta que sua família era muito próxima de Martin Luther King Jr., famoso pastou defensor dos direitos civis dos negros, e ela achou que ele não aprovaria um casamento com um homem branco). Anos depois, ambos assumiriam o desdém de Mavis como “um amor perdido”.

Em 2002, Bob Dylan gravou uma versão reescrita de sua canção “Gonna Change My Way of Thinking” para a compilação de sua canções gospel “Gotta Serve Somebody – The Gospel Songs of Bob Dylan”. Para este registro, chamou justamente Mavis para encenar um diálogo bem humorado.

OUÇA AQUI

Bob: Vejam! Tem alguém vindo pela estrada, rapazes!
*toc toc
Mavis: Hey, Hey! E aí, Bobby!
Bob: Hey! É a Mavis Staples!
Mavis: Hey, camaradas! Como estão? Ah, é bom ver todos vocês!
Meu Deus, Bobby, você tem um ótimo lugar aqui!
Bob: Bem, seja bem vinda a Califórnia, Mavis!
Mavis: Muito obrigado! Wow, você tem uma ótima vista!
Bob: Sim! Você pode sentar na varanda e olhar diretamente para o Havaí.
Mavis: É! Eu estava próximo daquelas montanhas!
Bob: Por que?!
Mavis: Eu estava a procura de alguns sapatos. Eu estou um pouco com fome agora. Você não tem nada para comer?
Bob: Bom, eu tenho certeza que temos. (Chamando) Mulher, nós temos algo para comer?
Mulher: Claro! Temos várias galinhas soltas pelo quintal.
Bob: Bem, nós vamos abater algumas delas e fritá-las. Bem, Mavis… eu tenho estado triste.
Mavis: Ah, Bobby! Não me diga que você está triste!
Bob: Aham, eu tenho estado acordado a noite toda, com insônia, lendo “Snoozeweek”
Mavis: Oh, “Snoozeweek”! Isso não irá te tirar a tristeza.
Bob: Aham…
Mavis: Nós temos que cantar! Vamos fazer um canto!
Bob: Ah, sim!
Mavis: Cante sobre, você sabe?

Veja um trailer do documentário “Mavis” (Bob Dylan aparece rapidamente no segundo ’21. Aparentemente é uma gravação antiga, talvez no começo dos anos 2000):

 

Fotos inéditas do “Last Waltz” são encontradas!

Depois de quarenta anos, dezenas de fotos do famoso “último concerto” da Band foram encontradas no arquivos do jornal San Francisco Chronicle.

Bob Dylan & The Band - The Last Walts (1976)

Tudo começou com um garimpo feito por Peter Hartlaub e Bill Van Niekerken atrás de fotos de um show dos anos 80 em que Joni Mitchell tocou violão com B.B. King. Eles sabiam da existência dessas fotos extras do show da Band, mas haviam desistido de encontrá-las décadas atrás. Daí, quando começaram a olhar os negativos das fotos que achavam ser de Joni e B.B., eles viram que era o registro de um outro show.

O “Last Waltz” foi um evento promovido pelo lendário Bill Graham para festejar o último show do grupo The Band – que acompanhou Bob Dylan em shows e gravações entre 1965 e 1974.

Saiba mais sobre a relação entre Bob Dylan e “Last Waltz”!

As fotos foram tiradas pelo fotógrafo Gary Fong. Confira abaixo algumas imagens e um vídeo pirata com o show completo (quatro horas e dezenove minutos!). Para ver todas elas, acesse aqui.

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Ouça show histórico de Bob Dylan em local nazista (Nuremberg, 1978)

“This is an old one. Not really new. It gives me great pleasure to sing it in this place!”
Bob Dylan em Nuremberg (01/07/1978), antes de cantar “Masters of War”.

“And I hope that you die
And your death’ll come soon
I will follow your casket
In the pale afternoon
And I’ll watch while you’re lowered
Down to your deathbed
And I’ll stand over your grave
‘Til I’m sure that you’re dead”
Trecho de “Masters of War”.

O Terceiro Reich alemão começou em 1933 e perdurou até 1945, computando 12 anos de Estado totalitário nazista. Entre os locais favoritos de Hitler para ver os desfiles e fazer seu discurso, estava em Nuremberg, em um imponente complexo de construções.

Bob Dylan tocaria na Alemanha em 1978 para findar um hiato de 12 anos sem uma turnê mundial. A cidade do último show no país foi Nuremberg, e o local escolhido foi justamente uma das construções do complexo citado.

Temos, portanto, uma sorridente ironia: 12 anos de presença nazista e 12 anos de ausência dylanesca. Contudo, o que torna tudo isso mágico é a origem judáica de Bob. Um judeu congregando 80 mil pessoas para falar de coisas que durante 12 anos sequer poderiam ser pensadas.

Zeppelinfeld, Nuremberg (Alemanha)

Hitler, em Nuremberg.

A passagem de Bob Dylan pela Alemanha na turnê de 1978 se concluiu em um show em Nuremberg, no dia 1º de julho. O local escolhido foi parte do Reichsparteitagsgelände, um conjunto de construções criado na década de 30 para o Partido Nazista com foco em desfiles e discursos.

A tribuna Zeppelinfeld foi inspirada no Altar de Pérgamo, uma magnífica construção que os gregos fizeram para Zeus, “pai dos deuses e dos homens”. Zeppelindelf está localizada à leste da gigantesca avenida principal do complexo e possui 360 metros de comprimentos. Seu nome é uma homenagem ao criador do Zeppelin, que em 1909 pousou com um de seus dirigíveis na região.

Bob Dylan, em Nuremberg.

Em um monumento tão imponente e significativo quanto o Zeppelinfeld, Bob Dylan cantou por duas horas e meia, compensando o hiato de 12 anos.

Open Air Festival

01/07/1978

Apesar de tocar no festival britânico “Isle of Wight Festival” em 1969 e excursionar em 1974-76 com The Band e depois com a Rolling Thunder Revue, Bob Dylan estava desde o acidente de moto de 1966 sem fazer uma turnê mundial. Isso mudaria em 1978.

Influenciado pela numerosa “E Street Band”, do Bruce Springsteen, e talvez satisfeito com o palco cheio da turnê de 75-76, Dylan montou um grupo com 11 integrantes para rodar por Oceania, Asia, Europa e América do Norte e tocar em 114 shows em 78.

Os organizadores do show em Nuremberg resolveram montar um grande festival a céu aberto para satisfazer os mais de 80 mil pagantes. Ao lado de Bob Dylan, artistas como Sonny Terry & Brownie Mc Ghee, Leroy Little, Lake, Vince Weber e Eric Clapton (que voltou ao palco para tocar o bis com Dylan).

Bob Dylan, 1978.

Bob Dylan tocou 30 músicas em um set de cerca de duas horas e meia. A apresentação foi empolgante e Bob parecia inspirado. Entre as músicas, passou até a fazer comentários. Na hora de apresentar o trio de cantoras, disse:

“Cantoras de apoio no dia de hoje! À esquerda, minha noiva Carolyn Dennis. À direita, minha paixão de infância, Jo Ann Harris. E, no meio, minha atual namorada, Helena Springs.”

Há quem diga, como Eric Clapton, que Bob Dylan não sabia da história da região que tocava. Contudo, ouvindo a gravação, é possível ouvir Bob falando, antes de começar sua fatal “Masters of War”: “Me dá muito prazer tocar esta música neste lugar”.

Na época, havia apenas 15 dias que seu último álbum, Street Legal, fora lançado. Quase como uma previsão, eis um trecho de uma música do disco (“Changing of the Guards”), mas que Dylan só tocaria no dia 5 de Julho de ’78, em Paris.

“Gentlemen, he said
I don’t need your organization, I’ve shined your shoes
I’ve moved your mountains and marked your cards
But Eden is burning, either brace yourself for elimination
Or else your hearts must have the courage for the changing of the guards

Peace will come
With tranquillity and splendor on the wheels of fire
But will bring us no reward when her false idols fall
And cruel death surrenders with its pale ghost retreating
Between the King and the Queen of Swords”

Ouça o show completo: