Recentemente foi noticiado um novo tributo para Dylan. Com o nome Chimes of Freedom: Songs of Bob Dylan Honoring 50 Years of Amnesty International, o CD terá versões de artistas inusitados e sua renda do CD será revertida para a Anistia Internacional, uma ONG mundial que defende os direitos humanos.
Já foi anunciado duas faixas e suas respectivas intérpretes: Adele em Make You Feel My Love e Ke$ha (!) com Don’t Think Twice, It’s Alright. Outros artistas que confirmaram participação são: Miley Cyrus (!!!), Sting, Dave Matthews Band, Patti Smith, Bad Religion, Rage Against The Machine e Lucinda Williams.
Depois de uma turnê americana na companhia de Leon Russell, Bob Dylan tem como companhia durante sua segunda passagem pela Europa Mark Knopfler, ex-Dire Straits.
Os dois já trabalharam juntos nos álbuns Slow Train Coming e Infidels – este último, Knopfler foi o co-produtor além de guitarrista.
Durante a apresentação de Bob Dylan em Luxemburgo, no dia 21 de outubro, Mark Knopfler subiu ao palco e tocou guitarra nas primeiras três músicas de Dylan.
Abaixo, dois vídeos e o áudio completo do show.
1- Compilação de imagens da participação de Mark Knopfler:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=tJwfOg6QT5M]
2- It’s All Over Now, Baby Blue (com Knopfler):
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=VM8fBsy8lcs]
3- Áudio do show inteiro (21/10/11)
Bônus!
Mark Knopfler participou também do show de Dylan na Alemanha (25/10/11). Abaixo, o vídeo de John Brown, uma das minhas músicas favoritas de Bob (uma letra absurdamente boa, principalmente para quem tinha apenas 21 anos quando a compôs).
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=FiRJ3nIm1RE]
Segundo o dicionário, a palavra catarse pode ter vários significados. Para Aristóteles, a catarse refere-se à purificação das almas por meio de uma descarga emocional provocada por um representação dramática.
A psicanálise apresenta também uma acepção bem interessante: operação de trazer à consciência estados afetivos e lembranças recalcadas no inconsciente, liberando o paciente de sintomas e neuroses associadas a este bloqueio.
Um relacionamento que corrói e desmorona aos poucos é, muitas vezes, uma conjunção de sentimentos recalcados. A saudade de um tempo que passou se mistura ao descontentamento acumulado de ações corriqueiras.
Jakob Dylan já afirmou que o álbum Blood on the Tracks é a síntese das brigas entre seus pais. O disco, lançado em 1975, é uma fotografia multifacetada do fim de um relacionamento. Em diversas canções, ouve-se os vários sentimentos e desesperos pela perda. Ora é a raiva, ora a angústia, às vezes a ironia e quase sempre a tristeza.
Na época do lançamento, Bob Dylan se surpreendeu e até reclamou do sucesso do álbum. Durante uma entrevista para Mary Travers (do trio Peter, Paul & Mary), dois meses depois que Blood On the Tracks estava nas lojas, Dylan diz:
“Muitas pessoas me disseram que gostaram deste álbum. É difícil para mim me relacionar com isso – quero dizer, as pessoas apreciando este tipo de sofrimento.”
Até mesmo para os moldes deste disco, Idiot Wind é uma das músicas mais intensas e dolorosas de Bob Dylan, que gravou versões intimistas e acústicas antes de chegar na interpretação que entraria para o álbum. Além da abordagem, as versões também se diferem nas letras, que sofrem mutações aparentemente para se tornarem mais abstratas e menos descritivas.
Hinton pontua bem ao mostrar essas alterações líricas, que para ele deixa a música menos específica, mas mais perniciosa. “You left your bags behind” torna-se “your corrupt ways had finally made you blind”. Um distanciamento no relacionamento, ilustrado por “in order to get a word with you, I’d have to make up some excuse” é promovido com uma alteração quase apocalíptica: “I kissed goodbye the howling beast on the borderline which separated you from me”.
A versão do álbum poderia ser a definitiva se não houvesse o registro ao vivo, de 1976. O disco Hard Rain é um registro de uma sequência de shows feita após The Rolling Thunder Revue. Entre as pessoas que estavam na platéia, Sara Dylan, futura ex-mulher e “musa” em Idiot Wind.
Na edição 157 da Isis, Kenneth Wexler cita a Idiot WInd de Hard Rain como uma das melhores coisas que Dylan já lançou. E vai além: “Se alguém nunca tivesse ouvido Bob Dylan antes, e eu tivesse que tocar apenas uma faixa para mostrar a essa pessoa a grandeza do homem, eu teria uma difícil escolha entre esta e a versão de estúdio de Like a Rolling Stone”.
No vídeo acima, Dylan parece expurgar qualquer resquício de tristeza e eliminar em forma de uma prazerosa raiva.
Simbolicamente ou não, Bob Dylan tocou esta música nas apresentações em dois momentos. Em 1976, quando seu casamento com Sara estava no fim. E também em 1992. Quando outro casamento terminara – dessa vez com Carol Dennis.