The whole world is my throne

No último sábado, 2 de julho, Bob Dylan finalizou a turnê européia com uma apresentação na Suécia, no festival Peace & Love. No total foram 11 shows em duas semanas.

O Bob Dylan Examiner publicou uma relação das 43 músicas apresentadas durante esta parte da turnê e as quantidades de vezes que cada música foi tocada. Eu incluí links de videos do Dylan Video e Youtube.

  1. A Hard Rain’s A Gonna Fall (6 x’s)
  2. All Along The Watchtower (11)
  3. Ballad Of A Thin Man (11) [Bob se divertindo com o delay na voz!]
  4. Ballad Of Hollis Brown (5)
  5. Beyond Here Lies Nothin’ (7) [Bom “diálogo” entre guitarra e vocal]
  6. Blowin’ In The Wind (9) [Em Milão, ele tocou guitarra]
  7. Boots Of Spanish Leather (1)
  8. Can’t Wait (1) [Dylan anda pelo palco, até a ponta]
  9. Cold Irons Bound (3)
  10. Don’t Think Twice, It’s All Right (4)
  11. Desolation Row (2) [Show na China – 08/04]
  12. Every Grain Of Sand (1)
  13. Forever Young (2) [Show na China – 08/04]
  14. Forgetful Heart (6)
  15. Girl From The North Country (1)
  16. Gonna Change My Way Of Thinking (3) [Dylan visivelmente empolgado]
  17. High Water (For Charley Patton) (2)
  18. Highway 61 Revisited (11)
  19. I Don’t Believe You (She Acts Like We Never Have Met) (2)
  20. I Dreamed I Saw St Augustine (1)
  21. I’ll Be Your Baby Tonight (1)
  22. It Ain’t Me, Babe (1)
  23. It’s All Over Now, Baby Blue (4)
  24. Jolene (1)
  25. The Levee’s Gonna Break (3)
  26. Leopard-Skin Pill-Box Hat (3)
  27. Like A Rolling Stone (11)
  28. The Lonesome Death Of Hattie Carroll (1)
  29. Make You Feel My Love (1)
  30. The Man In Me (1) [Show com uma bela paisagem]
  31. Rainy Day Women #12 & 35 (5)
  32. Simple Twist Of Fate (6)
  33. Spirit On The Water (2)
  34. Summer Days (6)
  35. Tangled Up In Blue (9)
  36. Things Have Changed (10) [Cinco dias depois, Dylan faz uma versão bem diferente]
  37. Thunder On The Mountain (11)
  38. ‘Til I Fell In Love With You (1)
  39. To Ramona (2)
  40. Tryin’ To Get To Heaven (4)
  41. Tweedle Dee & Tweedle Dum (6)
  42. Visions Of Johanna (2)
  43. When I Paint My Masterpiece (1) [“Oh, the streets of Rome are filled with rubble”, em Milão]

Never Ending Tour 2011

Depois de tocar na Ásia (incluindo a China) e na Austrália durante o mês de abril, Bob Dylan voltou a excursionar no meio de junho. Até agora, já passou pela Irlanda, Inglaterra, Israel, Itália, Suiça e Alemanha. Fecha a turnê européia se apresentando na Dinamarca, Noruega e Suécia. Depois, faz shows nos Estados Unidos.

As últimas apresentações têm se mostrado melhores que as do fim de 2010, com a voz de Dylan em relativa melhor forma. Outro ponto interessante é a preferência de Bob em tocar no centro do palco, apenas cantando e solando com a gaita.

Na apresentação de Israel, no dia 20/06, Dylan estava visivelmente empolgado. Fez um belo solo na música que abre o show, Gonna Change my Way of Thinking e até esboçou alguns sorrisos para a platéia.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=wG79n-E2dmI]

No vídeo que registra a versão em Israel de Tangled Up in Blue, é possível ver que Bob atualmente cultiva um cavanhaque grisalho.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=jKAVku0KfVo]

Há algum tempo, alguns sites indicaram que Dylan se apresentaria no SWU deste ano, que supostamente acontecerá em Paulínia (interior paulista). Na primeira edição do festival, havia o mesmo rumor. No final, a grande atração foi Rage Against The Machine.

Quem tiver informações sobre esse possível show, por favor compartilhe!

…turvava desde o coração

Tenho lido No Direction Home e afirmo que é um dos melhores livros sobre Dylan que já li. Compartilho um parágrafo em que Robert Shelton descreve duas semanas em que Bob se apresentou no Folk City, entre os dias 25 de setembro e 8 de outubro de 1961.

Durante as duas semanas ele alternou três figurinos, um mais imundo que o outro. Um dos trajes consistia numa camisa azul desbotada, calça cáqui, um pulôver escuro sem mangas, uma incongruente gravata larga, tudo sob seu famoso chapéu. Outras vezes, ele usou um paletó de camurça e uma camisa de lã sem gravata. Seu violão Gibson tinha um papel com a ordem das músicas colado na lateral superior, e o suporte de gaita ficava pendurado no pescoço. Sua aparência era minuciosamente descuidada e muito mirrada e franzina – até que ele começasse a cantar. Sua voz atormentada e comprimida parecia estar lutando para sair da garganta como um fugitivo da cadeia. Era uma voz enferrujada, que lembrava as gravações antigas de Guthrie. Era gravada em cascalho, como a de Van Ronk, e por vezes murmurava, como a de Elliott. E, ainda assim, era uma voz diferente de todas as outras. Não se pensava nela como algo belo ou sinuoso, mas como algo que turvava desde o coração. Bob não parecia nem um pouco urbanizado, mas mais ainda como um velho cantor de folk que trabalhasse numa fazenda. A maior parte do público gostou de Dylan naquelas duas semanas e o viu como um cantor étnico consumado, mas muitos o consideraram apenas uma piadas de mau gosto.