Let’s have a baby!

Em 2002, Sheryl Crow contou uma passagem dela com Bob Dylan. Em 1998, quando ela estava em estúdio gravando o álbum The Globe Sessions – que incluiria a canção Mississippi, Bob Dylan ligou para ela no dia do aniversário da cantora. Ao saber que era aniversário dela e perceber que ela não estava tão feliz, Bob perguntou qual era o problema. Sheryl respondeu que estava triste por não ter filhos. Eis que Bob respondeu de imediato: “Vamos ter um filho!”

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The Great Music Experience

Em maio de 1994, o Japão, em parceria com a Unesco, produziu o festival The Great Music Experience. Dentre os objetivos do evento, estava a divulgação da cultura japonesa para o mundo todo. Assim, músicos japoneses de instrumentos tradicionais dividiram o palco com artistas mundiais.

A principal atração do festival seria Bob Dylan. Segundo a cantora Sheryl Crow, Bob Dylan teve aulas de canto para se preparar para a apresentação. Dylan cantou suas músicas com uma orquestra pela primeira vez em sua vida.
O cantor escolheu as músicas I Shall Be Release, A hard rain’s a-gonna fall e Ring them bells.

Veja toda a apresentação de Bob Dylan

As interpretações demonstram de fato um Dylan muito compenetrado em sua voz. Ring them bells tem um arranjo orquestral sólido e A hard rain’s a-gonna fall uma bela harmonização com a dinâmica da música.

Muito dessa responsabilidade aparente talvez seja explicada pelo contexto. A primeira metade da década de 90 pode ser considerada um período de entre-safra nas composições dylanescas. Seu último álbum de músicas inéditas (Under the red sky, de 1990) fora lançado quatro anos antes e seus dois discos de estúdio desde então eram apanhados de canções tradicionais interpretadas apenas por Dylan e seu violão – Good as I been to you, de 1992, e World Gone Wrong, de 1993.

Alguns biógrafos afirmam que nessa época Dylan estava tentando reencontrar suas raízes ou alguma razão para voltar a compor, basicamente como aconteceu também no início da década de 70, quando Bob retornou ao bairro “folk” nova-iorquino Greenwich Village.

Christmas in the heart

Post inicialmente publicado no Pangeia, no dia 20/10/2009, sob o título Novidades do bom velhinho!

Quando todos o reverenciavam pelo seu estilo folk, ele passou a tocar guitarra. Quando todos queriam vê-lo se apresentando, ele sumiu para viver numa fazenda. Quando todos queriam um album novo, ele aparece com um album tradicionalmente country.

Depois, torna-se evangélico; Volta ao judaísmo; Atua em filmes nos anos 80. Na década seguinte, após lançar um album considerado um dos melhores da sua carreira, ele faz um CD completamente diferente…

Talvez seja assim que podemos interpretar a receptividade de Bob Dylan à receptividade do público.

A última do músico é o lançamento de um album “Christmas in the heart”. Um CD – respirem fundo – NATALINO! Sim, podemos ouvir Bob Dylan soltando a voz – seja ela qual for – em canções tradicionais do Natal americano.

O disco recebeu até um clipe, com a participação do próprio Dylan, em uma indumentária exótica (note a peruca).

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O clima solidário de fim-de-ano também mexe com Bob. Toda a renda de direitos autorais do álbum será doada para instituições que ajudam as pessoas de baixa-renda. Nos EUA, a Feeding America receberá a quantia. Para os fãs ingleses, Crisis será a presenteada. No restante do mundo, o repasse será feito para WFP.