Guitarra de Dylan é vendida por quase US$ 1 milhão

A Fender Stratocaster supostamente usada por Bob Dylan durante sua histórica aparição no Newport Folk Festival de 1965 foi arrematada em um leilão da Christie’s por US$965.000 (cerca de R$2.220.000), maior preço já pago a uma guitarra em leilão.

Leia “O Folk Rock (ou Cavalo de Tróia em Newport)”

Mais do que um instrumento usado por Bob, a guitarra se tornou famosa pelo seu contexto. Em 1965, contrariando a tendência do festival voltado para o folk e para a música acústica (apesar de alguns músicos de blues levarem bandas), Bob Dylan empunhou uma guitarra e trouxe uma banda de rock para tocar “Maggie’s Farm” e “Like a Rolling Stone”.

A guitarra, acompanhada de algumas letras escritas a mão, reapareceu pela primeira vez em 2012, a partir um programa da PBS chamado “History Detectives”. Após o início das investigações do reality show, um advogado em nome de Bob Dylan enviou o seguinte recado à PBS:

“Bob está de posse da guitarra que ele usou no Newport Folk Festival em 1965. Ele realmente teve várias guitarras Stratocasters que foram roubadas dele por essa época, assim como algumas letras escritas à mão. Além disso, Bob lembra-se de dirigir ao Newport Folk Festival, ao lado de dois amigos, e não voando [como afirmou o dono da guitarra]”.

Assista ao episódio de History Detective sobre a guitarra:

Abaixo, algumas imagens das letras encontradas (clique aqui para acessar o álbum). Segundo o Guardian, uma delas é “Darkness Of Your Room”, um rascunho do que se tornaria “Absolutely Sweet Marie”. Outras três letras foram encontradas, mas só seriam divulgadas oficialmente na década de 80: “Medicine Sunday” (o rascunho está como “Midnight Train”), “Jet Pilot” e “I Wanna Be Your Lover”.

Letras

Retrospectiva 2013 (Parte 1): A turnê dylanesca

Em 2013, Bob iniciou sua turnê no dia 5 de abril em Buffalo e terminou na última quinta-feira, 28 de novembro (véspera do feriado americano de Ação de Graças), em Londres.

Ao todo fez 82 shows (seu menor número desde 1993), distribuídos em três fases:

Bob Dylan & The Dawes

Um número limitado de cartazes como este são vendidos nos shows.

Nos primeiros shows do ano, Bob Dylan fez dois convites ao palco: o primeiro foi ao guitarrista Duke Robillard, que substistuiu Charlie Sexton (que por sua vez resolveu se unir a Jakob Dylan); o segundo foi aos jovens do grupo The Dawes, que abriu os 31 shows: inicialmente foram divulgados apenas 12 apresentações, mas a turnê se extendeu para mais 11 datas, terminando no dia 5 de maio.

Ouça e veja cenas dos dois primeiros shows.

AmericanaramA

Poster que comprei como lembrança.

Depois de um hiato de 51 dias, Bob e seu bando voltaram aos palcos no dia 26 de junho com o festival AmericanaramA, que tinha como bandas de abertura My Morning Jacket e Wilco, além dos convidados esporádicos Bob Weir, Richard Thompson Electric Trio e Ryan Bingham.

Tive o prazer de testemunhar três shows do AmericanaramA e fiz resenhas para as apresentações em Atlanta, Nashville e Memphis – este último com a participação de Charlie Sexton, que alternaria o posto surpreendentemente deixado por Duke com Colin Linden até o último show do festival, 4 de agosto.

Além das mudanças no posto guitarrístico da banda de Dylan, Bob convidou em alguns shows os vocalistas do Wilco e My Morning Jacket para cantar “The Weight”, dos seus ex-colegas The Band.

Leia: um balanço do AmericanaramA

Turnê européia

Royal Albert Hall

A partir do dia 10 de outubro, Bob Dylan iniciou sua excursão européia. Como novidade, um intervalo de 10 a 15 minutos no meio da apresentação e a inclusão de mais músicas do recente Tempest. O repertório esteve basicamente intacto entre os shows – com grande exceção nas duas apresentações em Roma, quando uma revolução no setlist ocorreu e Bob Dylan tocou diversas canções até então inéditas no ano.

Charlie Sexton reconquistou seu posto de guitarrista e tocou em todos os shows no Velho Continente.

Entre os destaques, está a volta de Bob Dylan ao Royal Albert Hall, mesmo local que, em 1966, foi hostilizado e chamado de Judas por optar pelo som elétrico e empunhar uma guitarra. No final do último show, inacreditavelmente, Bob Dylan se aproximou do público e comprimentou alguns felizardos:

Acervo completo

Optei por um panorama bem sucinto da turnê deste ano, mas quem quiser saber quase todos os detalhes dos shows que Dylan fez este ano, sugiro o blog “Bob-No-Live 2013”, aparentemente japonês. Nele, fotos, áudios e vídeos de quase todas as apresentações de 2013.

Abaixo, algumas fotos da turnê (todas tiradas do blog citado acima e a maioria de autoria do talentoso Paolo Brillo)

Filme “A Música Nunca Parou” é obrigatório para o fã dylanesco

Para quem gosta de música, em especial o rock dos anos 60, assistir “A Música Nunca Parou” é obrigatório. Mais do que um filme cuja trilha sonora remete a este período, o filme emociona qualquer amante da música.

Inspirado livremente no artigo “O Último Hippie”, do neurologista Oliver Sacks – cujo parte do trabalho está diretamente ligado à musicoterapia -, o filme conta a história de Gabriel Sawyer, filho de pais conservadores de classe média de New York que foge de casa por desavenças com o pai – amante da música dos anos 40/50. O filho é reencontrado quase 20 anos depois com um sério tumor benigno no cérebro. Após a cirurgia, “Gabe” fica em um estado semi-vegetativo, não conseguindo dialogar e fazendo associações livres com as palavras.

Seu futuro ganha esperança apenas com a chegada da musicoterapeuta Dianne Daley, que além de criar vínculos e “acordar” Gabriel, traz à tona a crise de geração entre pai e filho.

Dessa forma, para se conectar com o filho, o pai precisa buscar falar a mesma língua.

Bob Dylan

Não quero me alongar muito para não contar mais do que deveria, mas só posso dizer que as cenas em que Gabe interage com as músicas de Bob Dylan são excepcionais.

Apesar de sua banda favorita ser Grateful Dead – que ao lado de toda filosofia hippie (flower power, acid trip e críticas à guerra do Vietnã) é a grande fonte de atrito entre pai e filho -, os momentos em que Gabe discursa sobre as canções dylanescas, além de cruciais no filme, são de tirar o fôlego e emocionar qualquer fã.

Veja abaixo o trailer e instigue-se:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=XA2jizUmFPw]

“A Música Nunca Parou”, distribuído no Brasil pela Europa Filmes, estreia nos cinemas do país no dia 13 de dezembro (apesar de ser de 2011).