Música sobre Titanic e mais detalhes sobre o novo álbum

Em março, soubemos através do músico David Hidalgo que Bob esteve em estúdio para gravar seu 35º álbum de inéditas.

As gravações duraram cerca de 2 meses e alguns jornalistas foram convidados pela Sony (dona da Columbia) para uma audição secreta do disco. Pelo visto ela ainda não ocorreu, apesar de alguns funcionários da gravadora em New York e Londres já terem ouvido. Contudo, eles foram avisados a não dar qualquer informação sobre o álbum.

Agora, a revista Isis teve acesso a outras informações e rumores.

Leonardo Di Caprio e seu momento dylanesco em pleno navio.

“The Titanic sails at dawn”

A frase acima, tirada da música “Desolation Row”, não será a única referência ao navio naufragado a cem anos na obra dylanesca. Segundo rumores, Bob Dylan gravou uma música de 14 minutos sobre o transatlântico.

10 músicas, 68 minutos

No total, serão 10 músicas e o disco, que ainda não tem nome divulgado, terá 68 minutos de duração. Além da gigante sobre o gigante, há rumores que Dylan gravou uma canção de 9 minutos.

Segundo a revista, porém, o disco só será lançado em setembro, data limite para a inscrição no Grammy e próxima das festividades do fim-do-ano.

Os 71 anos de Bob Dylan (ou como ele nunca olha para trás)

Surpreende-se aquele que pensa que o bom e genuíno artista de rock (e suas variáveis) deve morrer aos 27 anos. Tudo bem, temos Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Kurt Cobain e, o primeiro de todos, Robert Johnson; contudo, também temos bons exemplos de músicos que estão na ativa até hoje: Keith Richards, Mick Jagger, Paul McCartney, Leonard Cohen, Neil Young, Tom Waits e, obviamente, Bob Dylan.

Contudo, engana-se quem acha que todos esses músicos dos anos 1960 revivem a década mais importante da música pop. Basta dizer que todos os vivos acima citados lançam novos discos com músicas tão boas quanto os revisitados hits (guardadas as devidas proporções, eu sei). Mas há pelo menos um que vai além de tudo isso (acho que não preciso dizer que este blog é tendencioso, certo?)

Como já foi falado, escrito e vaiado, Bob Dylan se destaca de todos os mencionados (vivos ou não) pela maneira como se reinventa. É comum dizer, e até foi feito um filme sobre isso, que Dylan possui várias vidas. E, depois de largar uma dessas personas, Bob Dylan segue em frente, sem nunca olhar para trás.

Vídeo feito no ano passado para homenagear os 70 anos de Dylan.

Distanciando-se da ruminação da própria arte, Bob Dylan parece ser um Woody Allen da música, só que ainda mais sofisticado. Mesmo soando contraditório, ele é um sonegador do próprio passado ao mesmo tempo que dialoga com tudo o que já fez. Revisita suas músicas mas, ao invés de requentar todo o sabor criado, refaz todo o prato e cria novos aromas para as mais de 500 receitas.

Pode soar intelectualoide e pomposamente verborrágico, mas é possível entender parte dessas mutações dylanescas através de Walter Benjamin. Em “A obra de arte na época de suas técnicas de reprodução”, o pensador alemão critica a reprodutibilidade da Arte e da sua conversão a um fenômeno de massa. Para ele, as reproduções perdem o frescor, o chamado hic et nunc (aqui e agora, em latim). Readaptando as ideias de Benjamin, podemos dizer que Bob mantém o hic et nunc de sua obra ao revisitá-la com diferentes abordagens a cada dia.

Mesmo aos 71 anos, que Bob Dylan completa hoje, ele mantém o instinto de mudança (change), palavra recorrente nas canções dylanescas. E nós, o que podemos esperar?

“I feel a change coming on

And the fourth part of the day is already gone”

Que venham mais e mais partes.