Resenha: Bob Dylan em Belo Horizonte

Abaixo, o texto do Mariano do Arquivo de Vinis sobre o a apresentação de Bob Dylan em Belo Horizonte:

Bluegrass, folk, blues e country-rock misturados: veículos sonoros para carrear versos antiguíssimos de uma genealogia só: Homeros, Virgílios, Ovídios, Dantes, Camões, Donnes, Villons, Gregórios, Alves, Souzas, Rimbauds, Baudelaires, Maiakovskis, Bandeiras, Drummonds, Eliots, Pounds, Torquatos, Leminskis, Ginsbergs, Dylan Thomas e o singular BOB DYLAN !!

Banda absolutamente coesa, swingando como os melhores combos de jazz e com o adicional tempero do rock e do blues.

Aos primeiros acordes de Leopard-Skin Pill-box Hat senti que a noite prometia. Há uns 10 metros do palco, em posição central, percebi uma boa equalização entre a voz de Dylan e os instrumentos, algo que felizmente se manteve até a última canção.

A primeira boa surpresa da noite foi a inclusão do clássico It’s All Over Now, Baby Blue, com linha melódica alterada, mas mantendo o seu forte apelo e já cativando o público de vez .

Após a bela Things Have Changed, uma emocionante interpretação de Tangled Up in Blue mostrou que o Bardo estava de corpo e alma nas Alterosas mineiras. A balada dos corações despedaçados foi sucedida por três canções gravadas nos anos 2000: Beyond Here Lies Nothin’, Spirit on the Water e High Water, sólidos exemplos da perenidade criativa de Mr. Zimmerman.

Partida defitivamente ganha, uma leve dança e o gestual de mão no peito alternavam-se como as trocas de instrumentos: gaita, guitarra e teclado (e como Dylan se diverte com este instrumento!).

Excelência mantida com Desolation Row, Simple Twist of Fate, Highway 61 Revisited, Man in the Long Black Coat (outro ponto alto do show) e a segunda surpresa da noite com o comportamento do público e do cantor durante a execução de Like a Rolling Stone. Dylan, como todo mundo sabe, muda muito o andamento das músicas durante as apresentações ao vivo, o que não facilita a vida do “público cantante” (eu particularmente gosto apenas de ouvir), porém a mineirada cantou com tanta ênfase o conhecido refrão, que o próprio Dylan se rendeu e aceitou a “parceria”. Nosso idiossincrático menestrel, que não diz oi nem tchau, interagiu à sua maneira.

All Along the Watchtower e o bis Rainy Day Women #12 &35 encerraram a noite e eu termino este breve relato com uma pequena digressão: seja com flauta de Pã, Lira de Orfeu ou com a gaita e o teclado de um um judeu norte-americano errante, em sua jornada sem fim, Homero são vários e um deles estava ali.

Mariano

5 thoughts on “Resenha: Bob Dylan em Belo Horizonte

  1. O fato dele simplesmente mudar as versões das musicas dele ,é devido ao fato do cara ser um gênio,tipo Leonardo da Vinci,,Picasso ,Mozart etc…ele não é uma pessoa normal,gente q aparece de século em século…o problema é q ele não aguenta tocar a musica milhares de vezes nas turnês ,durante 50 anos do mesmo jeito….é ser pouco criativo,o q não se atribui a ele…uma pessoa capaz de se reinventar ,e mudar a sua obra e se encantar com ela, “não importando se quem pagou quis ouvir…” e assim vem trilhando seu caminho encantando adolecentes de 14,15 anos igual vc viu no show de BH e q sabiam tudo de Bob Dylan,então ta ae a diferença dele para nós pobres mortais…Things have change ,Dylan se reinventa,esta em constante mutação,é um poeta q segue o seu tempo ,e é isso q fascina, eu vi os show dele no Brasil em 90,91,98,2008 e ontem,e te confesso q nunca vi o Dylan tão empolgado no show com uma platéia tão empolgada…
    A Mineirada foi 10 !!!
    E o Dylan…ah…ele é o BOB DYLAN….

  2. A mineirada sempre aprontando….quero fazer uma pergunta bem simples: em nosso país ,qual é a cidade preferida de Bob???
    Resposta:Porto Alegre,E SABE O PORQUE????

    POR QUE AQUI É A TERRA DO BOM E VELHO ROCK AND ROLL!!!
    E PODEM ME COBRAR ,O MELHOR SHOW DA TOUR SERÁ AQUI,A EXEMPLO DE 91 E 98.

    #BOBLIVEINPOA2012

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