Morre Paul Williams, padrinho da crítica no rock

Morreu no último dia 27 o crítico musical Paul Williams. Fundador da lendária revista Crawdaddy, Williams é considerado o padrinho da crítica sobre rock por ser um dos primeiros a escrever seriamente sobre o assunto.

No universo dylanesco, fez vários textos em sua revista e em outras publicações, além de escrever alguns livros sobre Bob Dylan. Entre os destaques, está “Dylan – What Happened?”, de 1979, sobre a recente conversão ao cristianismo de Bob Dylan. O livro foi escrito após o crítico assistir a uma série de shows, as primeiras apresentações após a conversão, e lançado poucas semanas depois.

Um dos leitores do livro foi o próprio Dylan, que o convidou para passar alguns dias no backstage de alguns shows em 1980.

Recentemente li este livro e outros textos de Paul Williams compilados no livro “Bob Dylan: Watching The River Flow”. Ele não é jornalista formado e isso só conta a favor de sua escrita. É incrível como você entra de cabeça nos devaneios de Paul e se sente numa mesa de bar. Em algumas resenhas, ele escreve vários parágrafos sobre assuntos relacionados, mas não diretamente ligados ao disco, e reserva apenas algumas linhas para um resumo didático – como se apenas quisesse te instigar a mais ouvir do que ler a música.

É uma grande perda, mas também um grande legado de Paul Williams para a história da crítica do rock.

Ouça Bob Dylan fazendo rap!

Além de ter escrito o primeiro rap da história, Bob Dylan já fez sua colaboração ao mundo do hip-hop em 1986. Kurtis Blow convidou Dylan para participar do disco Kingdom Blow, na faixa “Street Rock”.

Ouça:

Em Crônicas, V.1, Bob Dylan fala sobre sua iniciação no rap e cita sua parceria com Blow.

“Danny [Daniel Lanois, produtor de Time Out Of Mind e Oh Mercy] me perguntou quem eu andava escutando ultimamente, e eu disse Ice-T. Ele ficou surpreso, mas não deveria. Poucos anos antes, Kurtis Blow, um rapper do Brooklyn que tinha um sucesso chamado “The Breaks”, havia me pedido para participar de um de seus discos, e ele me familiarizou com aquele lance, Ice-T, Public Enemy, N.W.A., Run-D.M.C. Esses caras definitivamente não estavam por aí de bobeira. Estavam batendo tambores, arrebentando, arremessando cavalos nos despenhadeiros. Eram todos poetas e sabiam o que estava rolando. Alguém diferente estava fadado a aparecer mais cedo ou mais tarde, alguém que conhecesse esse mundo, tivesse nascido e crescido com ele… que tivesse tudo e mais um pouco a ver com ele. Alguém com uma cabeça aberta e arejada e com poder na comunidade. Ele seria capaz de se equilibrar com uma perna só em uma corda bamba estendida ao longo do universo e você o reconheceria quando ele chegasse – não haveria outro como ele. O público seguiria naquele caminho, e não se poderia censurá-lo por isso.”

Será que esse “messias” um dia será o neto de Bob, Pablo Dylan? Só o tempo dirá…

Rolling Stone lança edição especial de colecionador sobre Bob Dylan

A Rolling Stone americana lançou recentemente uma edição especial para colecionador só sobre Bob Dylan. Na publicação, um compilado de entrevistas e textos já publicados na revista desde seu início, em 1967.

Confira os principais destaques da edição:

  • Primeira menção à Dylan, na RS #2 (Novembro/1967), sobre John Wesley Harding;
  • Primeira entrevista, na RS #47 (Novembro/1969);
  • Nota sobre os boatos das gravações em Woodstock – depois chamadas de Basement Tapes – (Junho/1968);
  • Nota sobre a turnê Rolling Thunder Revue, por Larry Sloman (1975);
  • A mais recente, em 2012, após o lançamento de Tempest.
  • Guia para a vida, por Bob Dylan – reunião de frases separadas por temas;
  • As 100 melhores músicas (atualização da lista das 70 músicas, publicada em 2011);
  • Alguns números curiosos da vida e obra de Dylan.

Segundo o editor-chefe da Rolling Stone Brasil, Pablo Miyazawa, está nos planos o lançamento da publicação especial no Brasil, mas não agora (“talvez no segundo bimestre”, ele disse).

Para os ansioso (como eu), a revista importada pode ser encontrada no Ebay.

Update (Setembro/2013): Já está nas bancas do Brasil a versão em português!