Morre Paul Williams, padrinho da crítica no rock

Morreu no último dia 27 o crítico musical Paul Williams. Fundador da lendária revista Crawdaddy, Williams é considerado o padrinho da crítica sobre rock por ser um dos primeiros a escrever seriamente sobre o assunto.

No universo dylanesco, fez vários textos em sua revista e em outras publicações, além de escrever alguns livros sobre Bob Dylan. Entre os destaques, está “Dylan – What Happened?”, de 1979, sobre a recente conversão ao cristianismo de Bob Dylan. O livro foi escrito após o crítico assistir a uma série de shows, as primeiras apresentações após a conversão, e lançado poucas semanas depois.

Um dos leitores do livro foi o próprio Dylan, que o convidou para passar alguns dias no backstage de alguns shows em 1980.

Recentemente li este livro e outros textos de Paul Williams compilados no livro “Bob Dylan: Watching The River Flow”. Ele não é jornalista formado e isso só conta a favor de sua escrita. É incrível como você entra de cabeça nos devaneios de Paul e se sente numa mesa de bar. Em algumas resenhas, ele escreve vários parágrafos sobre assuntos relacionados, mas não diretamente ligados ao disco, e reserva apenas algumas linhas para um resumo didático – como se apenas quisesse te instigar a mais ouvir do que ler a música.

É uma grande perda, mas também um grande legado de Paul Williams para a história da crítica do rock.

Rolling Stone lança edição especial de colecionador sobre Bob Dylan

A Rolling Stone americana lançou recentemente uma edição especial para colecionador só sobre Bob Dylan. Na publicação, um compilado de entrevistas e textos já publicados na revista desde seu início, em 1967.

Confira os principais destaques da edição:

  • Primeira menção à Dylan, na RS #2 (Novembro/1967), sobre John Wesley Harding;
  • Primeira entrevista, na RS #47 (Novembro/1969);
  • Nota sobre os boatos das gravações em Woodstock – depois chamadas de Basement Tapes – (Junho/1968);
  • Nota sobre a turnê Rolling Thunder Revue, por Larry Sloman (1975);
  • A mais recente, em 2012, após o lançamento de Tempest.
  • Guia para a vida, por Bob Dylan – reunião de frases separadas por temas;
  • As 100 melhores músicas (atualização da lista das 70 músicas, publicada em 2011);
  • Alguns números curiosos da vida e obra de Dylan.

Segundo o editor-chefe da Rolling Stone Brasil, Pablo Miyazawa, está nos planos o lançamento da publicação especial no Brasil, mas não agora (“talvez no segundo bimestre”, ele disse).

Para os ansioso (como eu), a revista importada pode ser encontrada no Ebay.

Update (Setembro/2013): Já está nas bancas do Brasil a versão em português!

Academia Americana de Artes e Letras elege Bob Dylan

Bob Dylan foi eleito membro honorário da Academia Americana de Artes e Letras, sendo o primeiro roqueiro a entrar para a organização. Como escreveu Hillel Italie, se Bob fosse britânico, certamente seria Sir Dylan.

Fundada em 1898, a Academia reúne artistas de literatura, música e artes visuais e durante muito tempo nomeava apenas músicos relacionados ao Erudito. Segundo a diretora executiva Virgnia Dajani, “O conselho de diretores considerou a diversidade do trabalho dele e reconheceu seu lugar icônico na cultura norte-americana”. A diretora também comentou a dificuldade em rotular Dylan.

“Bob Dylan é um artista com múltiplos talentos cujo trabalho cruza várias disciplinas e desafia as categorizações”.

O empresário de Dylan, Jeff Rosen, não comentou a decisão de Dylan em aceitar a filiação (ato necessário para dar prosseguimento à sua eleição) e nem falou sobre a possível presença de Bob no jantar da Academia que acontece em maio, em New York. A própria diretora acha pouco provável a ida de Dylan ao evento. Vale lembrar que Bob iniciará uma turnê pelos Estados Unidos em abril.

Entre outros artistas eleitos honorários estão a atriz Meryl Streep e o cineasta Martin Scorcese, que filmou The Last Waltz e dirigiu No Direction Home, além de ter sido homenageado por Dylan no começo do ano passado.