Em turnê pela América do Sul, Bruce Springsteen tem em sua biografia uma relação bem próxima a Bob Dylan. Além de ser influenciado por Bob, Bruce foi escolhido para ocupar a vaga de “novo Dylan”.
“O irmão que eu nunca tive”

Em 1988, Bruce Springsteen foi escolhido para empossar Bob Dylan ao Rock and Roll Hall of Fame. Ao iniciar seu discurso, Bruce relembrou a primeira vez que ouviu o homenageado:
“A primeira vez que eu ouvi Bob Dylan eu estava no carro com minha mãe ouvindo rádio e então veio aquele tiro da caixa de bateria que soava como alguém arrombava com o pé a porta da sua mente: ‘Like a Rolling Stone’. Minha mãe – ela era tão rígida com rock’n’roll, ela gostava do estilo – sentou durante um minuto e então olhou para mim e disse: ‘Este cara não sabe cantar’. Mas eu sabia que ela estava errada. Eu sentei lá e eu não disse nada, mas eu sabia que eu estava ouvindo para a voz mais dura até então. Era magra e soava de alguma forma simultaneamente jovem e adulta.”
Então Bruce afirma que sem Bob a história do rock ficaria orfã de alguns alicerces: Sgt. Peppers, dos Beatles; Pet Sound, dos Beach Boys; “God Save the Queen”, dos Sex Pistols; “What’s Going On”, de Marvin Gaye; e tantos outros.
No final de sua fala, Springsteen pega emprestado uma frase que Bob Dylan escreveu em “Lenny Bruce”: “Você foi o irmão que eu nunca tive”.
O “novo Dylan”

John Hammond, que mais de uma década atrás havia assinado Bob Dylan, contratou Bruce Springsteen para a Columbia em 1972. Há uma história que três anos depois, durante a Rolling Thunder Revue em novembro de 1975, Bob Dylan se encontrou com Bruce no camarim. Ao cumprimentá-lo, Bob teria dito: “Olá, ouvi dizer que você é o novo eu”.
Em 1978, Bob Dylan foi acusado de “pegar emprestado” algumas características do “The Boss”. Uma delas foi a inclusão de um saxofonista na gravação de Street Legal e a turnê subsequente. A outra foi a utilização de discursos que precediam as canções – a maioria deles misturando passagens autobiográficas e ficção.
Há uma influência que é inegável: em 1981, Bob Dylan optou por chamar o co-produtor de Bruce, Chuck Plotkin, para ajudá-lo na gravação do álbum Shot Of Love. Na turnê após o lançamento do disco, ao comentar sobre as apresentações, Bob afirmou: “Eu me sinto muito conectado a este show. Eu sinto que eu tenho algo a oferecer. Ninguém mais faz este show – nem Bruce, nem ninguém”.
Mais uma: em 1990, durante um show que durou mais de quatro horas (as apresentações de Bruce são conhecidas por chegar a mais de três horas), Bob Dylan arriscou uma versão de “Dancing In The Dark”.
Bob Dylan vs. Bruce Springsteen?

É inevitável a comparação entre Bob e Bruce. Ambos estão diretamente conectados a minorias e a suas lutas por justiça. No caso de Bob, sua ligação é mais íntima na luta pelos direitos civis dos negros e nas mazelas da humanidade. Bruce acaba representando algo mais próximo do jovem da década de 70 e 80: a classe média trabalhadora, o proletário que com seu suado salário consegue sair com a namorada para uma sexta-feira de diversão.
Em um nível maior ou menor, os dois compartilham de um carisma que os fazem parecer como nós. Ou o contrário: nós nos achamos mais parecidos com eles. Tanto Bob quanto Bruce dão voz a um sentimento que é comum a todos que realmente se importam.
Vídeos:
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