Resenhas e documentário sobre “Another Self Portrait”

Another Self Portrait

Algumas semanas antes do lançamento, a Columbia resolveu entregar para alguns críticos o próximo volume da “Bootleg Series”. Initulado “Another Self Portrait, o álbum é uma compilação se sobras de estúdios e remixagens entre 1969 e 1971.

Na semana passada, a Columbia lançou um clipe de “Pretty Saro” e ontem a gravadora publicou um vídeo com um documentário de quase 12 minutos sobre o disco, com entrevistas dos músicos Al Kooper e David Bromberg, além do produtor Bob Johnston.

[vimeo=https://vimeo.com/72494889]

No vídeo acima, Bromberg dá sua impressão sobre o nome do disco: “Para mim parece que ele chamou o disco de Self Portrait porque esta era a música de onde ele saiu”. Já sobre o álbum New Morning, Bromberg explica que “ele sabia o queria. Ele não necessariamente falava para nós, mas ele sabia”.

4,5 de 5 estrelas

“Another Self Portrait” já foi resenhado por algumas revistas e todos parecem ter gostado bastante. David Fricke da Rolling Stone deu 4,5 de 5 estrelas ao álbum e disse que é “um dos mais importantes, coerentes e gratificantes discos de Dylan já lançados”. Jim Beviglia da American Songwriter deu 4 de 5 estrelas e afirmou que “Another Self Portrait” parece querer consertar os excessos de produção e as canções escolhidas para o disco de 1970.

O disco será lançado no dia 27 de agosto.

Happy Birthday, Dear Charlie

Charlies Sexton (2013)

Ontem, 11 de agosto, foi o aniversário de 45 anos de Charlie Sexton. Não se sabe exatamente se ele ainda é guitarrista do Bob Dylan (apesar de ter sido substituído por Duke Robillard no começo do ano – período em que tocou com Jakob – , a partir de julho ele passou a substituir Duke alternando com o músico Colin Linden).

Ao ler seu verbete na enciclopédia de Michel Gray, é possível ter uma noção de seu talento. Assim como seu irmão Will, tornou-se guitarrista prodígio desde muito jovem. Fez amizade com Stevie Ray Vaughan e seu irmão Jimmy; lançou seu primeiro disco aos 16 (Pictures for Pleasures, de 1985); fez uma turnê com David Bowie em 1987, entrou na banda Arc Angels no começo dos anos 1990 e fundou o Charlie Sexton Sextet em 1995. Além de tudo isso, produziu e escreveu músicas para inúmeros filmes.

Bob & Charlie

Tony, Charlie & Bob

A história da parceria entre Bob Dylan e Charlie Sexton começou nos anos 1980. Segundo o “Who’s Who” do Expecting Rain, Charlie participou de algumas demos em 1983. Em 1996, Charlie subiu ao palco como convidado em um show de Bob em Austin, Texas – cidade em que Sexton foi criado.

Segundo Gray, nas entrevistas que Bob Dylan fez para divulgar seu box Biograph, Bob afirmou: “Eu gostaria de ver Charlie Sexton se tornar uma grande estrela, mas a máquina toda deveria quebrar neste exato momento antes disso acontecer”.

Ele possui três passagens na banda de Dylan, computando mais que 500 apresentações:

  • Entre 5 de junho de 1999 a 22 de novembro 2002, quando substituiu Bucky Baxter;
  • Entre 5 de outubro de 2009 e 21 de novembro de 2012, quando substituiu Danny Freeman;
  • A partir de 2 de julho de 2013, quando entrou no lugar de Duke Robillard.

Charlie também participou de algumas gravações com Dylan:

Um dos diferenciais de Charlie Sexton na banda de Bob era sua interação com o chefe. Era comum vê-lo chegar próximo do teclado de Dylan e iniciar uma espécie de duelo. Em outros momentos, Charlie brincava com Bob no palco

https://www.youtube.com/watch?v=PeVBioYfcrw

Além da diversão que é assistí-lo, Charlie é um guitarrista muito talentoso, criando belas ambiências nas canções de Dylan.

Happy Birthday, Dear Charlie

Em 2010, no show em Billings, Montana, Bob Dylan surpreendeu a todos no bis. Após Tony Garnier cochichar no seu ouvido, Bob anunciou que aquela noite era aniversário de Charlie Sexton. O público foi a loucura enquanto Charlie se envergonhava no palco.

Bob então pediu para que todos cantassem duas vezes um “Happy Birthday” ao guitarrista:

(o vídeo, que infelizmente está com a data errada, foi dica do Pedro Queiroz lá no Facebook).

Balanço da turnê AmericanaramA

AmericanaramA

Terminou no último domingo, em Mountain View (Califórnia), a turnê AmericanaramA. A excursão que contou com Bob Dylan, Wilco, My Morning Jackets foi vista em 27 cidades desde seu início, no dia 26 de junho. Eu tive o privilégio de ver três edições (em Atlanta, Nashville e Memphis).

Abaixo, alguns destaques dylanescos da turnê:

Repertório intacto

Se em turnês anteriores Bob Dylan criava um clima de tensão – para muitos prazeroso – a respeito de seu repertório, em 2013 ele escolheu a mesmice tão frequente para outros artistas.

Apesar das pouquíssimas alterações feitas, Bob Dylan ousou ao dar ênfase não aos “anos dourados”, mas à sua discografia mais recente – principalmente se levar em conta que ele dividia os palcos com duas bandas relativamente jovens (ou às vezes justamente por isso: preferiu trazer para a estrada as canções contemporâneas de seus colegas e suas audiências). O fato é: mais da metade do repertório se constituiu de canções pós-Time Out Of Mind, de 1997. Do disco mais recente, Tempest, Dylan escolheu três faixas: “Soon After Midnight”, “Duquesne Whistle” e “Early Roman Kings”.

Com essa constante, houve quem fizesse especulações. Há quem imagine que um disco ao vivo esteja se formando; ou talvez Dylan estivesse esperando que seu novo guitarrista aprendesse um set básico antes de complicas. Torço pela primeira opção. E se a segunda for a correta, Bob receberia uma péssima notícia.

Entra-e-sai guitarrístico

Bob Dylan iniciou os shows de 2012 com uma mudança em sua banda. Ao invés de convocar Charlie Sexton, chamou Duke Robillard, guitarrista com forte influência blues que já havia tocado com Dylan no disco Time Out of Mind. Contudo, no show em Memphis, misteriosamente Duke foi substituído por Charlie Sexton. Algumas especulações foram feitas da razão pela mudança. A partir de postagens de Duke no Facebook, ficou claro que houve algum conflito. Mesmo ele afirmando que não tenha sido de cunho musical, alguns fãs opinaram que o guitarrista estava invadindo os solos de gaita de Bob.

Depois de tocar alguns shows, Charlie foi substituído durante a passagem da turnê pelo Canadá. Dessa vez, a escolha foi ainda mais surpreendente: Colin Linden. O guitarrista canadense nunca havia tocado com Dylan, mas em seu currículo possui projetos com T-Bone Burnett, Lucinda Williams e The Band. Alguns shows antes de sua primeira participação, algumas testemunhas viram um cara com o mesmo semblante na mesa de som ao lado do palco, ouvindo os sons num fone de ouvido e fazendo anotações – provavelmente Colin tomando nota das canções e os diversos caminhos trilhados pelo bando dylanesco.

A partir daí, houve um certo rodízio entre Colin Linden e Charlie Sexton, que alternava entre apresentações com Bob e shows com o grupo de country/folk Court Yard Hounds.

Bob Dylan & convidados… juntos?

Nos últimos shows da turnê, Bob Dylan chamou ao palco Jim James (My Morning Jacket), Jeff Tweedy (Wilco) e de vez em quando algum músico da banda de abertura.

Em Toronto, escolheram a tradicional “Twelve Gates to The City”. A partir do show em Virginia, a trupe escolheu a belíssima “The Weight” dos ex-funcionários de Dylan, The Band.

Bobby Vee

Bobbies: Vee & Dylan

Em sua cidade natal, Duluth, Bob Dylan resolveu não só presentear seu berço como fazer uma homenagem a uma de suas influências. Bobby Vee recrutou Bob quando ele ainda era um Zimmerman para tocar piano em alguns shows no fim dos anos 50.

Antes de tocar “Suzie Baby”, de Vee, Dylan discursou (sim, ele falou! Até então nem um “thank you” havia sido feito na turnê):

“Eu já toquei ao redor do mundo com tudo quanto é gente. Todo mundo desde Mick Jagger até Madonna. Mas a mais bela pessoa que eu já dividi o palco foi com Bobby Vee. Ele costumava cantar uma música chamada ‘Suzie Baby’”.

A nova turnê de Bob Dylan está marcada para começar dia 10 de outubro e viajará pela Europa.