Bob Dylan visita boxeador (e tira foto!)

Surpreendentemente, Bob Dylan fez hoje uma visita à academia de Freddie Roach, chamada Wild Card, em Los Angeles, e tirou uma foto com o boxeador Manny Pacquiao.

Foto: Chris Farina

O perfil do Instagram @trboxing tratou de registrar o momento e postar a foto.

Bob Dylan tem uma antiga relação com o boxe. Além de defender Rubin “Hurricane” Carter e tirar fotos com Muhammad Ali, sabe-se que Dylan faz boxe há alguns anos e, reza a lenda, possui até uma academia em Santa Mônica.

 

 

Artigo científico disseca interpretação de Dylan

people_rings_2011Steven Rings é Ph.D em musicologia e atualmente atua como professor associado da faculdade de música da Universidade de Chicago. Entre suas produções acadêmicas, estão textos sobre o também musicólogo Jankélévitch, além dos compositores eruditos Debussy, Brahms e Bartók.

Surpreendentemente, Rings publicou recentemente um artigo na revista eletrônica MTO – Music Theory Online – sobre Bob Dylan. Já em sua introdução, há uma certa crítica – ou questionamento – sobre a ausência de Dylan nas discussões acadêmicas de música. Bob Dylan é comumente analisado nas áreas de crítica literária, mas pouco se fala de sua contribuição para a área da música.

Intitulado “A Foreign Sound to Your Ear: Bob Dylan Performs ‘It’s Alright, Ma (I’m Only Bleeding)’, 1964–2009”, o artigo de Steven tem como objetivo analisar uma única música e suas metamorfoses ao longo de 45 anos.

Para um leitor dylanesco, é interessante ver as análises e interpretações da música de Bob sob uma ótica acadêmica – que necessita de embasamentos, dialogismos e defesas muito concretas. E está aí uma das maiores contribuições de Steven Rings para nós.

Análise teórica

AnaliseTeorica

O artigo apresenta detalhes na estrutura da música e sua melodia. Através de gráficos e imagens, Rings analisa os acordes usados, as linhas melódicas e as variações delas ao longo dos anos.

São detalhes bem técnicos, que só os músicos entenderão, mas apresenta uma outra maneira de ver as interpretações de Dylan.

Gráficos e Tabelas

Tabela1

Para mostrar as mudanças de “It’s Alright, Ma” ao longo dos anos, são incluídos alguns gráficos e tabelas com as quantidades de vezes que a música foi executada, seu tom harmônico, e um breve descritivo do ritmo usado.

Espectograma

Spectograma

Aqui talvez seja a parte mais incrível do artigo. Para ilustrar as variações no timbre de Bob, um som mais anasalado, mais rouco e assim por diante, Rings usou um espectograma que analisa os detalhes do som, sendo possível enxergar exatamente essas características de timbres.

Além do espectograma, também são usados trechos das músicas para facilitar a visualização.

Para quem já leu vários textos sobre as interpretações de Bob Dylan, encontrar algo tão meticuloso e teórico quanto esse artigo é no mínimo curioso. A linguagem acadêmica é bem mais fria do que encontramos nos livros, mas alguns detalhes técnicos e teóricos acabam nos dando uma nova visão e amplitude do detalhe do trabalho de Bob Dylan no palco, ano após ano.

Conclusão: o amálgama estilístico atemporal dylanesco

Steven Rings finaliza seu artigo sustentando duas ideias principais. A primeira é a suspensão da identidade da canção. Ao mudar o arranjo constantemente, Bob cria uma tensão reflexiva – tanto para a audiência quanto para os músicos. É preciso estar atento para saber contemplar, e executar, o caminho trilhado pela obra.

“Canção e performance estão suspensos em uma alta dialética móvel, reciprocamente mediando uma a outra: a canção ao mesmo tempo molda, possibilita e restringe cada momento performático.”

A segunda ideia é a compilação atemporal de estilos. Bob Dylan, principalmente nas últimas décadas, parece se distanciar do próprio passado e trazer a canção-objeto para um outro patamar, mesclando inúmeras referências que não dizem respeito a si próprio, mas aos alicerces da ampla base cultural da qual Dylan usa como referência.

“Este esforço de um lado tende para a exclusão da autoria – com a mistura de músicas originais com canções tradicionais de ‘anônimos’, apagando suas distinções e ao mesmo tempo preservando em um nível sintético mais elevado, o de ‘Bob Dylan’ em seu último disfarce: o antigo cantor e curador de um passado musical quase mítico.”

Para finalizar, lembro um trecho de uma música bem mais recente do que “It’s Alright, Ma”, datada de 2009.

I’m listening to Billy Joe Shaver,
and I’m reading james Joyce.
Some people they tell me
I got the blood of the land in my voice.
(“I Feel A Change Coming On”)

Wander Wildner lança clipe dylanesco

Wander Wildner - O Breakfast do Tio Dylan

O cantor gaúcho Wander Wildner lançou hoje o clipe da música “O Breakfast do Tio Dylan”, presente em seu disco mais recente Mocochinchi Folksom.

[youtube=https://www.youtube.com/watch?v=G5sZXuXalpA]

Na letra, há referência à Lízia e à especulações sobre o que Bob Dylan comeria no café-da-manhã (temática também abordada na recente matéria da revista Esquire). Lízia não só é citada na música como também aparece belíssima no clipe, acordando com pijama dylanesco.

Para quem não sabe, Lízia é filha do dylanófilo Eduardo Bueno, que já a levou para vários shows de Bob – entre eles o último de Porto Alegre.