‘Eat The Document’ e ‘Renaldo & Clara’ na íntegra

O britânico Matthew Ingate, de apenas 17 anos, postou no Youtube dois vídeos tão raros quanto famosos de Bob Dylan:

Eat The Document

O que era para ser uma espécie de continuação de Dont Look Back, Eat The Document também foi filmado por D.A. Pennebaker, porém a maioria da direção ficou por conta de Bob Dylan.

O filme não tem uma continuidade aparente e acaba sendo uma porção de cenas aleatórias, começando com Bob Dylan rindo e cheirando algo em cima de um piano (Pennebaker afirmou que seria metanfetamina em pó).

A grande importância deste documentário são os registros da turnê de 66, que Dylan fez pela Inglaterra acompanhado da banda The Hawks (que se tornaria The Band) na metade elétrica de seus shows. Na época, muitos fãs acharam uma traição o distanciamento de Bob com o folk e principalmente a inclusão de uma banda de rock, tido como comercial, na sonoridade dylanesca.

Eat The Document mostra as vaias nos shows, parte da ironia de Dylan com a imprensa e apresenta o posicionamento forte e agressivo de Bob diante da platéia, com o registro histórico de músicas como Baby Let Me Follow You Down, Like a Rolling Stone e Ballad of a Thin Man.

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Renaldo & Clara

Como bem descreve Nigel Williamson, Renaldo & Clara “é um filme que desafia a lógica e as convenções. Parte documentário de turnê, parte drama improvisado sem narrativa e parte construção obscura de mito”. Filmado durante a Rolling Thunder Revue, entre 1975 e 76, Renaldo & Clara passou por uma edição pesada para rodar em pouquíssimos cinemas, já que a versão original (esta que está no Youtube) tem 3 horas e 44 minutos.

As partes encenadas são confusas e estranhas. Bob é Renaldo, Sara Dylan faz sua esposa, Clara. Além de Baez, que faz diversos papéis, outras pessoas participam, como Ronnie Hawkins e Allen Ginsberg (que lê seu poema Kaddish e visita o túmule de Jack Kerouac).

Assim como Eat The Document, as imagens dos shows são as mais interessantes. Renaldo & Clara possui várias cenas de Dylan com a cara pintada de branco (e as vezes usando uma máscara) e sua Rolling Thunder. É o registro da fase mais performática de Bob.

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[Vídeo] Funny Bob

Para compensar os longos posts que ultimamente tenho escrito, compartilho um vídeo com compilações de situações dylanescas engraçadas. Tem algumas pérolas no meio.

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A trilha sonora começa com Syd Barrett e seu Bob Dylan Blues e termina com a versão reggae para Times They Are A-Changin’ (além da bizarra cena com Dylan na flauta doce).

May your song always be sung

Ontem, em Londres, Bob Dylan finalizou sua turnê mundial que começou no dia 3 de abril, em Taipei (Taiwan). A edição de 2011 de sua Never Ending Tour teve 88 apresentações e passou por vários continentes.

1º Semestre

Os shows do começo do ano foram uma continuação da estrutura da turnê de 2010. Tirando a primeira apresentação, quando abriu com Gotta Serve Somebody, a música de abertura era invariavelmente Gonna Change My Way Of Thinking.

Na apresentação do dia 20/06, em Israel, Bob fez uma ótima interpretação da canção, com um vocal forte e um bom solo de órgão. Cultivando um recente cavanhaque grisalho, Bob demonstrou um certo carisma e até esboçou alguns sorrisos.

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Para o show seguinte, em Milão, Bob mudaria a canção de abertura, escolhendo a mesma música que utilizou no show de ontem, Leopard-Skin Pill-Box Hat.

No primeiro semestre, o cantor também se apresentou na Austrália e tocou pela primeira vez na China, em meio à polêmica do desaparecimento do artista chinês Ai Wei Wei.

2º Semestre

Na segunda metade do ano, Bob fechou a turnê européia e iniciou seus shows pelos Estados Unidos. Parte da turnê americana teve como convidado o cantor Leon Russell.

Em outubro, Dylan voltou ao Velho Continente, mas dessa vez para se apresentar principalmente na Europa Oriental. Para o show de abertura, convidou Mark Knopfler, que no decorrer da turnê também passou a acompanhar Dylan na guitarra, nas primeiras músicas.

A última música

Um fato inédito – e belo – ocorreu no show de ontem. Para fechar suas apresentações de 2011, Bob escolheu a jovial Forever Young e recebeu Mark Knopfler para acompanhar nos vocais, pela primeira vez na turnê.

O ponto alto do dueto foi quando Mark fez uma singela homenagem a Bob, cantando para ele o verso “may your song always be sung”. O público foi ao delírio. Pelas imagens, Bob parece intacto com o ato, provavelmente apenas com aquele seu pseudo-sorriso.

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No final, sem falar uma palavra, Bob permanece no centro do palco, faz sua saudação padrão, pede aplausos para Mark e vai embora, com seu semblante típico.

Update

Eis o áudio completo do último show: