Sinead O’Connor deixa escapar lançamento de DVD dylanesco em 2014

Bob Dylan 30th Anniversary Concert Celebration

A cantora Sinead O’Connor relatou no começo do mês um contato que recebeu da Sony sobre um lançamento inesperado: o concerto de 1992 em homenagem aos 30 anos do disco de estréia de Dylan.

Ela informou que o lançamento será em entre março e abril e sairá nas versões CD, DVD e Blu-Ray. A Sony e, segundo Sinead, o próprio empresário de Bob, Jeff Rosen, ligaram para ela para informá-la que apesar de ela não ter cantado sua canção escolhida no dia, eles conseguiram uma versão de “I Believe In You” cantada por ela um dia antes, durante os ensaios.

Leia aqui porque Sinead O’Connor cantou Marley, e não Dylan, no evento.

Sua música será um bonus track do CD – ela não informou se estará também em imagem.

Sinead O'Connor, em 2011

Sinead relata com bastante empolgação e entusiasmo o contato feito pela equipe de Dylan. Por conta do contexto crítico em que ela estava, a ligação parece ter sido feita para questionar se a cantora teria problemas com o lançamento.

Então ela começa a refletir sobre a influência de Bob Dylan, com foco no disco cristão Slow Train Coming, em sua formação. O texto é um pouco atropelado, mas interessante pela naturalidade. Vale a pena ler.

Ainda não há informações oficiais sobre o lançamento de Bob Dylan 30th Anniversary Concert Celebration.

Guitarra de Dylan é vendida por quase US$ 1 milhão

A Fender Stratocaster supostamente usada por Bob Dylan durante sua histórica aparição no Newport Folk Festival de 1965 foi arrematada em um leilão da Christie’s por US$965.000 (cerca de R$2.220.000), maior preço já pago a uma guitarra em leilão.

Leia “O Folk Rock (ou Cavalo de Tróia em Newport)”

Mais do que um instrumento usado por Bob, a guitarra se tornou famosa pelo seu contexto. Em 1965, contrariando a tendência do festival voltado para o folk e para a música acústica (apesar de alguns músicos de blues levarem bandas), Bob Dylan empunhou uma guitarra e trouxe uma banda de rock para tocar “Maggie’s Farm” e “Like a Rolling Stone”.

A guitarra, acompanhada de algumas letras escritas a mão, reapareceu pela primeira vez em 2012, a partir um programa da PBS chamado “History Detectives”. Após o início das investigações do reality show, um advogado em nome de Bob Dylan enviou o seguinte recado à PBS:

“Bob está de posse da guitarra que ele usou no Newport Folk Festival em 1965. Ele realmente teve várias guitarras Stratocasters que foram roubadas dele por essa época, assim como algumas letras escritas à mão. Além disso, Bob lembra-se de dirigir ao Newport Folk Festival, ao lado de dois amigos, e não voando [como afirmou o dono da guitarra]”.

Assista ao episódio de History Detective sobre a guitarra:

Abaixo, algumas imagens das letras encontradas (clique aqui para acessar o álbum). Segundo o Guardian, uma delas é “Darkness Of Your Room”, um rascunho do que se tornaria “Absolutely Sweet Marie”. Outras três letras foram encontradas, mas só seriam divulgadas oficialmente na década de 80: “Medicine Sunday” (o rascunho está como “Midnight Train”), “Jet Pilot” e “I Wanna Be Your Lover”.

Letras

Retrospectiva 2013 (Parte 1): A turnê dylanesca

Em 2013, Bob iniciou sua turnê no dia 5 de abril em Buffalo e terminou na última quinta-feira, 28 de novembro (véspera do feriado americano de Ação de Graças), em Londres.

Ao todo fez 82 shows (seu menor número desde 1993), distribuídos em três fases:

Bob Dylan & The Dawes

Um número limitado de cartazes como este são vendidos nos shows.

Nos primeiros shows do ano, Bob Dylan fez dois convites ao palco: o primeiro foi ao guitarrista Duke Robillard, que substistuiu Charlie Sexton (que por sua vez resolveu se unir a Jakob Dylan); o segundo foi aos jovens do grupo The Dawes, que abriu os 31 shows: inicialmente foram divulgados apenas 12 apresentações, mas a turnê se extendeu para mais 11 datas, terminando no dia 5 de maio.

Ouça e veja cenas dos dois primeiros shows.

AmericanaramA

Poster que comprei como lembrança.

Depois de um hiato de 51 dias, Bob e seu bando voltaram aos palcos no dia 26 de junho com o festival AmericanaramA, que tinha como bandas de abertura My Morning Jacket e Wilco, além dos convidados esporádicos Bob Weir, Richard Thompson Electric Trio e Ryan Bingham.

Tive o prazer de testemunhar três shows do AmericanaramA e fiz resenhas para as apresentações em Atlanta, Nashville e Memphis – este último com a participação de Charlie Sexton, que alternaria o posto surpreendentemente deixado por Duke com Colin Linden até o último show do festival, 4 de agosto.

Além das mudanças no posto guitarrístico da banda de Dylan, Bob convidou em alguns shows os vocalistas do Wilco e My Morning Jacket para cantar “The Weight”, dos seus ex-colegas The Band.

Leia: um balanço do AmericanaramA

Turnê européia

Royal Albert Hall

A partir do dia 10 de outubro, Bob Dylan iniciou sua excursão européia. Como novidade, um intervalo de 10 a 15 minutos no meio da apresentação e a inclusão de mais músicas do recente Tempest. O repertório esteve basicamente intacto entre os shows – com grande exceção nas duas apresentações em Roma, quando uma revolução no setlist ocorreu e Bob Dylan tocou diversas canções até então inéditas no ano.

Charlie Sexton reconquistou seu posto de guitarrista e tocou em todos os shows no Velho Continente.

Entre os destaques, está a volta de Bob Dylan ao Royal Albert Hall, mesmo local que, em 1966, foi hostilizado e chamado de Judas por optar pelo som elétrico e empunhar uma guitarra. No final do último show, inacreditavelmente, Bob Dylan se aproximou do público e comprimentou alguns felizardos:

Acervo completo

Optei por um panorama bem sucinto da turnê deste ano, mas quem quiser saber quase todos os detalhes dos shows que Dylan fez este ano, sugiro o blog “Bob-No-Live 2013”, aparentemente japonês. Nele, fotos, áudios e vídeos de quase todas as apresentações de 2013.

Abaixo, algumas fotos da turnê (todas tiradas do blog citado acima e a maioria de autoria do talentoso Paolo Brillo)