Memorabilia dylanesca (e opções acessíveis)

Colecionadores obsessivos procuram não só objetos raros, mas peças únicas e quase sagradas. Com livros, o fetichista literato padrão busca as primeiras edições de clássicos. Colecionadores de vinis fazem a mesma coisa com as bolachas – querem as primeiras prensagens ou versões em acetato (usadas para audições de teste).

Essa busca por artefatos únicos se expande para documentos diversos. Autógrafos, cartas, dedicatórias e tudo o que é possível para caracterizar um vínculo direto com o artista.

O site Record Mecca tem como objetivo aguçar as papilas degustativas de colecionadores destemidos (e abastados) do mundo da música. Fotos, discos, autógrafos e todo o tipo de registro histórico estão à venda por valores “diferenciados”.

Abaixo, uma pequena seleção dos artigos dylanescos contidos no site:

Recorte de jornal com “comentário” de Dylan

Um pedaço do exemplar do jornal “San Francisco Chronicle”, de 2 de dezembro de 1965. No recorte, além de uma entrevista de Bob Dylan, há um autógrafo seu com um comentário “The Answer’s still blowin’ in the wind!” [A resposta ainda está soprando ao vento]. A caligrafia foi examinada pelo especialista James Blanco, que examinou mais de 100 exemplos da escrita de Dylan.

Preço: US$ 9.000,00

Ingresso e programação do histórico show do “Judas”

Neste caso, apesar de não possuir uma característica única, é um documento histórico relevante. O item contém o ingresso e a programação do show de 17 de maio de 1966. Neste dia, época do embate elétrico entre Dylan e os entusiastas do Folk, um rapaz da platéia grita “Judas” para Dylan. Além de aparecer no documentário No Direction Home e no quarto volume de Bootleg Series, Bob lembrou desta agressão verbal em sua recente entrevista à Rolling Stone.

Preço: US$ 900,00

Primeira prensagem de Blonde On Blonde em ótimo estado

O site indica que o exemplar da primeira prensagem está em perfeitas condições. O encarte contém a foto da atriz italizana Claudia Cardinale, que pediu para ter sua foto retirada das edições seguintes.

Preço: US$350,00

The Times They Are A-Changin’ autografado

Disco com o autógrafo de Bob Dylan solicitado por Michael Wehrmann, considerado um especialista em conseguir assinaturas de famosos. O álbum vem com um certificado do próprio Wehrmann, que contou que costumava pedir autógrafos a Dylan apenas uma vez ao ano. Bob, por sua vez, aceitava assinar alguns itens.

Preço: 6.000,00

Manuscrito de repertório de ensaio

Um manuscrito de Bob Dylan contendo uma seleção de músicas que ele possívelmente incluiria nos shows. Por usar diferentes canetas, o documento aparenta ter sido escrito durante um período de tempo. Além dos nomes das canções, há o tom (ou os acordes) das músicas. Pelo repertório, parece ser dos shows do começo dos anos 90, já que existem canções de Under The Red Sky. Será que ela faz parte dos ensaios da turnê de 1991 (quando Dylan fez seu maior show)?

Preço: US$6.000,00

I’ve never had much money

Se sua situação financeira – ou seu fanatismo – não contempla esse investimento, existem outras formas de ter algo menos exclusivo, mas quase tão interessante. Alguns livros possuem reproduções de vários documentos. Os mais interessantes são, obviamente, manuscrito das letras.

Eis duas opções:

The Bob Dylan Scrapbook, 1956-1966

 

Lançado pela Simon & Schuster – mesma editora que publicou Chronicles V.1 -, o Scrapbook faz parte dos lançamentos do documentário No Direction Home, de Martin Scorcese. O livro abrange desde a adolescência de Dylan até 1966, ano em que Dylan lançou Blonde On Blonde.

O que mais impressiona são as quantidades de fac-símiles, como letras, cartazes, autógrafos e até uma miniatura de Dylan (usada como publicidade). Também possui um CD com trechos de entrevistas da época. Vale a pena ir atrás.

Treasures of Bob Dylan

Com lançamento para outubro, “Treasures” segue a mesma linha, mas cobre também outras décadas da carreira de Dylan. Entre os fac-símiles, inclui poster de Hard Rain, ingresso da turnê de 1974, credencial de 1978, ingresso de um dos famosos shows no Supper Club e repertório de um dos shows de 2000. Parece bem interessante.

Drifter’s Escape – o acidente de 1966

Em 2012, fez 46 anos do dia que Bob Dylan sofreu acidente de moto que mudaria o percurso de sua carreira drasticamente.

No início de 1966, Bob e The Band fizeram uma turbulenta turnê elétrica que passou pelos Estados Unidos, Europa e até Austrália, recebendo vaias na maioria dos lugares. O baterista Levon Helm foi substituído por Mickey Jones por se assustar com as frequentes ameaças do público (foi nessa turnê que Dylan foi chamado de “Judas”, por exemplo).

Após o fim da turnê, Bob conseguiu algumas semanas de folga do palco. Porém, a pressão ainda era imensa. Albert Grossman acabara de agendar mais 60 shows para o segundo semestre do ano; a ABC-TV adiantara US$ 100 mil para um especial de TV; a editora Macmillian pressionava Dylan para que ele terminasse logo o livro Tarantula, que ele insistia em adiar seu lançamento.

Com tudo isso em mente, no dia 29 de julho de 1966 Bob Dylan sofreu um acidente com sua moto inglesa Triumph 500. Por sorte, ele era seguido por Sara Dylan.

As reais implicações do acidente à saúde de Dylan nunca foram descobertas. Entre os inúmeros biógrafos, há os extremos de quem acredita que o acidente quase o matou e também quem diga que tudo não passou de uma farsa dylanesca para ele sair do foco por um tempo.

Para compor a fotografia do acidente, quatro referências em biografias:

Anthony Scaduto

Quando foi lançado em 1972, o livro escrito pelo jornalista da editoria de polícia e auto-intitulado “mafia expert” Anthony Scaduto foi considerado a primeira biografia séria escrita sobre um rockstar. Com um ar detetivesco, Scaduto entrevistou inúmeras pessoas, algumas delas testemunhando de forma anônima.

Em seu livro, Scaduto defende a ideia de que o acidente foi realmente grave: cortes no rosto, concussão no cérebro (que deu a Dylan uma breve amnésia), ferimentos internos e pescoço quebrado. Depois de ficar uma semana no hospital, Bob ainda ficaria mais um mês de cama em sua casa em Woodstock. Os médicos disseram a Sara Dylan e ao empresário Albert Grossman que se a fratura no pescoço tivesse sido com alguns centímetros de diferença, certamente o teria matado.

Robert Shelton

No Direction Home é considerada por muitos a biografia definitiva de Bob Dylan, mesmo abordando a vida do cantor até o início dos anos 80. Amigo de Dylan, Robert foi imprescindível para o início do sucesso do cantor. Semanas depois da publicação de uma resenha de Shelton sobre Dylan, Bob conseguiu seu contrato com a major Columbia, algo impensável para qualquer músico de Greenwich Village.

Em seu livro, Shelton destaca a dificuldade em se saber com exatidão o que foi real e o que foi invenção nos detalhes do acidente. Segundo o irmão de Dylan, David, o acidente existiu, mas “Bob nunca disse ter quebrado o pescoço. Foi Albert quem quebrou o pescoço”.

Bob disse a Shelton que “aconteceu em uma manhã depois de eu ficar acordado por três dias. Derrapei numa poça de óleo”, mas o jornalista verificou que para outras pessoas, Dylan afirmou que estava pilotando na Striebel Road, perto de sua casa em Woodstock, e levava sua moto para a oficina quando a roda traseira travou e ele voôu por sobre o veículo.

Robert colheu alguns relatos de pessoas que visitaram Dylan na época: Allen Ginsberg foi levar livros e disse que Bob não lhe pareceu gravemente ferido; Um editor da Macmillan afirmou que Bob se recuperava de um acidente terrível e que não pôde usar os olhos por um tempo; O diretor D.A. Pennebaker foi visitá-lo e o viu com um aparelho ortopédico.

Clinton Heylin

Em seu livro Behind the Shades Revisited, Clinton Heylin faz uma compilação funcional, com infinitas citações das mais diversas pessoas, contruindo um rico panorâma.

Heylin é o único que afirma que a moto do acidente era uma Triumph 650 Bonneville e ressalta que Dylan nunca foi famoso por ser um motociclista habilidoso. Durante uma entrevista em 1987, Bob afirma que teve um pânico quando olhou diretamente para o sol e que, ao freiar, a roda travou e ele vôou. Ele conta também que ficou uma semana no hospital e depois foi transferido para o sótão de um médico.

Dylan contou ao jornalista Al Aronowitz que viu sua vida passar em sua frente enquanto voava da moto para o chão. Ele tinha certeza que morreria. Para Heylin, D.A. Pennebaker relata que Dylan não parecia tão machucado pelo acidente, mas irritado com todo mundo.

Daniel Mark Epstein

Recém-lançada, A Balada de Bob Dylan é uma ótima leitura e trata de várias passagens dylanescas de maneira poética e muito bem narrada.

Em seu livro, Epstein enfatiza que não há registros médicos no hospital próximo e nenhum policial foi chamado e dá uma nova abordagem ao acidente, reduzindo-o a um ato de completa falta de destreza de Dylan:

“Graças aos céus não houve nenhum acidente de moto na vizinhança naquela manhã. Havia uma motocicleta e havia um poeta muito fatigado e desajeitado que queria andar nela. Ele disse que não dormia havia três dias. O veículo empoeirado, fora de uso, estava na garagem de Albert Grossman em Bearsville; não estava pronto para ser usado pois os pneus estavam murchos. Bob Dylan estava levando a pesada moto da casa de Grossman pela Striebel Road em direção a Glasco Trunpike, onde iria consertá-la, e Sara estava seguindo-o no carro. De algum modo Dylan perdeu o equilíbrio na estrada escorregadia e a motocicleta caiu sobre ele. Foi assim que ele se machucou. Esse foi o acidente de motocicleta.”

A reclusão dylanesca

Apesar dos diferentes relatos sobre o fatídico acidente, todos os livros compartilham da mesma conclusão: real ou fingimento, Bob Dylan certamente usou do evento para se distanciar da mídia e, principalmente, conseguir evitar toda a pressão que sofria.

Scaduto, por exemplo, afirma que “o acidente deu-lhe uma chance de resolver as coisas na sua cabeça, para tentar decidir para onde ele queria ir a partir daqui”. Para o jornalista, Dylan confessou: “Você estava certo sobre quando você descreveu todas essas pressões, mas você realmente tocou a superfície As pressões eram inacreditáveis. É algo que você não consegue imaginar ao menos que vivencie. Cara, [essa pressão] dói muito”.

Shelton conclui: “Mesmo se o caso fosse tão grave quanto o noticiado, o acidente se tornou uma metáfora, um tempo para mudanças, uma possibilidade de libertação, o começo de sete anos e meio de retirada para uma existência mais tranquila.”

No livro de Heylin, o capítulo sobre o acidente abre com uma citação de Dylan sobre a ocasião: “Quando eu tive aquele acidente… eu acordei, retomei meus sentidos e percebi que eu estava trabalhando para todos esses sanguessugas. E eu não queria aquilo. E também, eu tinha uma família”.

Epstein embasa sua hipótese de farsa ao citar uma entrevista de Dylan para a Rolling Stone em 1969, quando dá a entender que o acidente pode ter sido mais simbólico do que literal. Para Jann Wenner, Bob afirma: “Eu ainda não havia sentido a importância desse acidente até, no mínimo, um ano depois que ele aconteceu. Eu compreendi que ele foi um acidente de verdade”.

Bob Dylan usou esse tempo para descansar e se recompor mentalmente. O início 1967 foi usado para ensaios despretenciosos com The Band e tornaria-se o disco The Basement Tapes (lançado em 1975). Em outubro de 1967, Bob Dylan viajaria para Nashville para gravar John Wesley Harding, um álbum que marca seu distanciamento, no auge da psicodelia, ao rock.

Assim nascia, mais uma vez, um novo Dylan.

I Ain’t Dead Yet – o centenário de Woody Guthrie

Há cem anos, no dia 14 de julho de 1912, Woodrow Wilson Guthrie nascia. Os documentos mostram que sua cidade natal era Okemah, Oklahoma, mas tanto a vida como seu país o promoveram a patrimônio cultural dos Estados Unidos.

Entre 1936 e 1954, Woody compôs mais de 1000 músicas. Curiosamente, no manuscrito original de sua canção mais famosa – que muitos a consideram um “hino alternativo” dos EUA -, “This Land Is Your Land”, há uma nota de rodapé que indica: “*Tudo que você pode escrever é aquilo que você vê”. E foi exatamente o que Guthrie fez: andou por todos os lados de seu país e, assim, conseguiu criar um panorâma definitivo, tendo como pano de fundo sua pátria e o ponto-de-vista dos oprimidos e sem posses.

O primeiro contato de Bob Dylan com Woody Guthrie foi em Dinkytown, bairro boêmio de Minneapolis. Ele já conhecia alguns discos de Woody com seus amigos Cisco Houston e Sonny Terry, mas nunca ouvira Guthrie cantar sozinho. Em “Crônicas – Volume I”, Dylan descreve o momento em que foi apresentado aos discos solos de Woody:

“Todas essas canções juntas, uma depois da outra, fizeram minha cabeça rodar. Fiquei boquiaberto. Foi como se a terra se abrisse. Eu tinha ouvido Guthrie antes, mas basicamente apenas uma canção aqui e ali – na maioria, coisas que ele cantava junto com outros artistas. Não o ouvira de verdade, não desse modo arrasa quarteirão. Não pude acreditar. Guthrie tinha um grande controle sobre tudo. Era muito poético, durão e ritmado. Havia muita intensidade, e sua voz era como um estilete. Não era como nenhum dos outros cantores que eu já ouvira, tampouco suas canções. Seus maneirismos, o modo como tudo fluía de sua língua, aquilo tudo meio que me derrubou. (…) Nenhuma única canção medíocre no pacote. Woody Guthrie despedaçava tudo em seu caminho. Para mim foi uma epifania, como se uma pesada âncora tivesse acabado de mergulhar nas águas do porto.”

A partir daí, Dylan passou a se alimentar de tudo aquilo que Guthrie tivesse feito. Foi então que seu amigo Dave Whittaker, um poeta beat que vagava por Dinkytown, emprestou a autobiografia de Woody, Bound For Glory. O livro descreve parte de sua infância e as várias tragédias na Família Guthrie, incluindo a morte da irmã e o incêncio que destruiu sua casa. Woody também fala de suas aventuras na estrada como um andarilho e seu modo improvisado de conseguir dinheiro para sustento.

A música e a literatura de Guthrie aguçou a típica curiosidade dylanesca. Para Bob, ele parecia um artista remoto, mas Whittaker contou que Woody estava internado em um hospital em New Jersey, vítima da Doença de Huntington.

Bob não pensou duas vezes e tudo estava certo.

Talkin’ New York Blues

No dia 29 de janeiro de 1961, apenas cinco dias após chegar em New York, Bob viajou durante uma hora e meia e caminhou o último kilômetro até a Greystone Park Psychiatric Hospital. Lá, encontrou um ídolo enfraquecido e quase vencido bela doença, mas ainda assim tocou algumas canções de Woody e iniciou uma série de visitas frequentes. Foi nessa época que recebeu um documento que comprovava que Guthrie não estava morto: um bilhete escrito “I ain’t dead yet. Woody Guthrie”.

Mary, ex-mulher de Woody, levaria-o para casa todos os fins-de-semana. Lá, além de ver os filhos Arlo e Nora, ele também poderia tomar banho, trocar de roupas e receber visitas de grandes amigos, como Pete Seeger e seu sucessor Ramblin’ Jack Elliott. Dylan também seria um visitante assíduo e absorveria o máximo que poderia de tudo aquilo.

Nora Guthrie contou a Epstein uma passagem em que ilustra o comportamento de Dylan com seu ídolo. Para ela, que na época tinha 11 anos, Bob fez sua travessia para estar ao lado de Woody e ajudá-lo a fortalecer sua dignidade. Não era um ato egoísta.

“Woody estava tentando acender um cigarro, sua mão voando por todo canto enquanto ele segurava o isqueiro, e todos dizendo ‘eu acenderei para você’, e Dylan cortou todos e disse ‘não, ele quer fazer isso sozinho’. Então, todos o deixaram fazer; e ele fez e olhou pra todos com satisfação, como que para dizer, ‘Vejam só! Eu ainda consigo acender meu cigrarro!’”

Hey, Hey, Woody Guthrie I wrote you a song

Logo após os encontros com Woody, Bob compôs suas primeiras canções folk – que entrariam no seu disco de estréia. “Song to Woody” foi inspirada na canção “1913 Massacre” de Guthrie e contém um verso de outra música, “Pastures of Plenty” (“that come with the dust and are gone with the wind”). Nela, Bob descreve o mundo que está para surgir e agradece Woody e seus amigos.

Outra canção foi “Talkin’ New York Blues”, que utiliza de um formato largamente difundido por Woody: um blues falado e com teor cômico. Em sua composição, Bob conta sua chegada a Big Apple e seus apuros para conseguir conquistar seu espaço. Também há um empréstimo de frase: “Now, a very great man once said/ That some people rob you with a fountain pen” foi inspirada na canção “Pretty Boy Floyd”. Bob a tocaria em um tributo ao cantor em 1987:

Essas não fora, suas únicas obras explicitamente sobre Woody. Em sua primeira grande apresentação, em 12 de abril de 1963 no Town Hall, Bob comentou que escreveu algumas palavras sobre Woody para um livro que estava por sair. O poema chama-se “Last Thoughts On Woody Guthrie” e Dylan separou sete minutos para fazer seu tributo.

I ain’t got no home in this world anymore

Após seu exílio midiático em 1966 e de alguns ensaios despretensiosos com The Band na mansão Big Pink, Bob só entraria em estúdio novamente no dia 17 de outubro de 1967, para gravar o surpreendente introspectivo “John Wesley Hardin’”. O álbum é composto basicamente com canções alegóricas e contam histórias de andarilhos, vagabundos, ladrões e foras-da-lei em geral. Coincidência ou não, Woody morreria dez dias antes de Bob iniciar as gravações.

Com uma personalidade reclusa desde o acidente de moto de 1966, Bob só subiu ao palco em janeiro de 1968, quando se apresentou com The Band no Tributo a Woody Guthrie. Na ocasião, tocou três músicas: “Grand Coulee Dam”, “Mrs. Roosevelt” e “I Ain’t Got No Home”, que contem a seguinite estrofe:

Well, as I look around, it’s mighty plain to see
This wide open world, she’s a funny old place to be;
The gamblin’ man is rich, the workin’ man is poor,
And I ain’t got no home in this world anymore.

Como bem disse Michael Gray em sua enciclopédia, mais do que ser uma influência estilística na maneira de tocar e até no sotaque que Dylan absorveu, Guthrie foi essencial ao tratar de temas sérios e engajados.

É para Woody Guthrie que Bob Dylan deve boa parte de sua moralidade, presente até em suas obras mais recentes.

E são essas morais, esses códigos de conduta, que fazem com que aquele primeiro bilhete persista: a insistência para um mundo melhor. “I ain’t dead yet. Woody Guthrie”.