Destaques da última fase da turnê de 2012

Bob Dylan terminou ontem, 21/11, sua turnê de 2012. Para finalizá-la, fez uma série de shows nos EUA e Canadá. Entre 5 de outubro e 21 de novembro (47 dias), Bob Dylan and His Band fizeram 33 apresentações.

Essa leva de concertos foi a primeira após o lançamento de Tempest (o disco foi lançado no dia 11 de setembro e Dylan havia se apresentado dois dias antes). Para abrir, Bob convidou Mark Knopfler, que também abriu alguns shows de 2011.

Abaixo, alguns destaques nessa última fase:

05/10 (Winnipeg, Canadá) – Primeira estréia de Tempest: Scarlet Town. Ouça aqui.

09/10 (Edmonton, Canadá) – Em homenagem a Gordon Lightfoot, Dylan toca brilhantemente a música “Shadows” a pedidos. Lightfoot teria influenciado a sonoridade de John Wesley Harding e Bob gravou sua versão de “Early Mornin’ Rain” no disco Self-Portrait:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=Psb-91TDN2c]

10/10 (Calgary, Canadá) – Pela primeira vez desde 2006 Dylan tocou “Joey”, do disco Desire. Ouça abaixo o show completo (“Joey” é a sexta música).

17/10 (San Francisco, EUA) – Ouça o show completo aqui.

19/10 (Berkeley, EUA) – Ouça o show completo aqui.

24/10 (San Diego, EUA) – Finalmente Mark Knopfler divide o palco com Dylan (assim como fez em 2011). A canção escolhida foi “Summer Days”.

27/10 (Las Vegas, EUA) – Bob Dylan escolhe uma canção tradicional que gravou em World Gone Wrong: “Delia”. A música não parece ter sido escolhida a toa para a cidade, já que seus primeiros versos são: “Delia was a gambling girl, gambled all around/ Delia was a gambling girl, she laid her money down/ All the friends I ever had are gone”.

Ouça a bela versão de “Delia”:

Abaixo, o vídeo de “Tangled Up In Blue” (com variações na letra):
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=J5vXLv1jPf8]

03/11 (Omaha, EUA) – Ouça aqui: , , , .

05/11 (Madison, EUA) – Às vésperas da eleição presidencial americana, durante a última música, “Blowin’ In the Wind”, Bob Dylan disse algumas coisas por conta da presença do presidente Barack Obama. E no dia seguinda, pela primeira vez, postou o comentário em sua página no Facebook, dizendo:

Here’s pretty close to what I said last night in Madison. I said from the stage that we had to play better than good tonight, that the president was here today and he’s a hard act to follow. Also, that we’re not fooled by the media and we think it’s going to be a landslide. That’s pretty much all of it.
– Bob Dylan

Confira aqui:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=fzgwITYM7uI]

07/11 (St. Paul, EUA) – Depois de vários shows, Dylan estreia a segunda música de Tempest. Foi a vez de “Early Roman Kings”.

Veja um trecho da ótima interpretação de “Things Have Changed” (com Mark Knopfler na guitarra):

Ouça o show completo:

09/11 (Chicago, EUA) – Na música de abertura, Dylan e banda escolheram um instrumental. E a decisão é óbvia: “Sweet Home Chicago”.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=aXEtocxAibw]

13/11 (Detroit, EUA) – Com uma interpretação mais calma e arranjos menos brutos que a do disco, Dylan estreia “Pay In Blood” ao vivo.
[youtube=https://www.youtube.com/watch?v=RvIvWYmZsao]

20/11 (Washington, EUA) – No penúltimo show do ano, Bob Dylan toca duas canções de Tempest: “Early Roman Kings” e, pela primeira vez, “Soon After Midnight”, com um canto ainda mais reconfortante que a do álbum.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=0qqWHsP05SY]

21/11 (Brooklyn, EUA) – Último show da turnê. Mark Knopfler toca em três músicas, mas não participa da canção que fecha o ano (ao contrário de 2011, quando cantou com Dylan “Forever Young”). Pela primeira vez nessa fase, Bob toca mais que 15 músicas na apresentação.

Que venha 2013!

Bob Dylan cria quadro com montagem bizarra

A Galeria Gagosian está preparando a segunda exposição em menos de um ano com obras de Bob Dylan. A primeira, The Asia Series, gerou muita polêmica e acusações de plágio, já que algumas pinturas tinham sido “baseadas” de fotografias antigas, algumas até de Cartier Bresson.

A nova exposição chama-se “Revisionist Art: Thirty Works by Bob Dylan” e será inaugurada no próximo dia 28 de novembro, em New York.

A primeira obra divulgada é tão excêntrica quanto o próprio Dylan. Intitulada “Study for the artwork Baby Talk Magazine: Strengthen Your Baby” é uma montagem feita por Bob de uma revista fictícia com manchetes bizarras: “Como fortalecer seu bebê”, “Novos desodorantes infantis” e “Face Lift para bebês”.

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Como disse Alice Jones: “Gagosian deve se interessar por Dylan, ou pelo menos pelo dinheiro que ele traz”.

Agora é imaginar quais serão as outras 29 obras…

[Vídeo] Dylan gravando We Are The World

Inspirados em Bob Geldof e sua Band Aid (que culminaria no Live Aid, além de influenciar a criação do Farm Aid), Lionel Richie e Michael Jackson montaram em 1985 o USA for Africa (United Support Artists for Africa). Reunindo 47 artistas, o supergrupo gravou a canção “We Are the World”, feita para arrecadar fundos contra a fome na África.

A música, composta pelos dois criadores do USA for Africa, recebeu a produção de Quincy Jones e participação de inúmeros artistas importantes, como Ray Charles, Bruce Springsteen, Tina Turner, Stevie Wonder e, inevitável pelo seu papel como “porta-voz da geração”, Bob Dylan.

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“Please check your egos at the door”

As gravações ocorreram no fim de janeiro de 1985. A partir de uma base feita anteriormente, os músicos gravavam sua parte e repetiam a letra quase que infinitamente.

Enquanto a maioria dos artistas chegavam em suas limousines – exceto Bruce Springsteen, que chegou em um caminhão – fixado na porta do estúdio, um aviso já explicava a tônica no clima da ação beneficente com as celebridades: “Por favor deixe seu ego na porta”.

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“That wasn’t any good”

Na sessão de gravação com Bob Dylan, estavam no estúdio o produtor Quincy Jones, o co-autor Lionel Richie e algumas outras pessoas que circulavam (como Diana Ross). Já no início, Dylan pediu a ajuda de Stevie Wonder para o ajudar a decorar a melodia.

Após alguns takes e depois de muitos elogios e aplausos, Dylan resmungou: “isso não foi nada bom”. Parecia que ele tinha levado o recado da porta a sério.

É interessante ver uma fração mínima, mas muito intrigante, do processo de criação de Dylan no estúdio. Cada versão possui uma alteração mínima, comprovando aquilo que todo músico que tocou com Bob diz: ele nunca reproduz identicamente a interpretação.

Veja a gravação de Bob Dylan para “We Are The World”

“I don’t think people can save themselves”

Como de costume, Bob Dylan fez questão de dar seu toque opinativo, conflitando a ideologia da ação – e funcionando como um prefácio do que faria durante o Live AId. Em uma entrevista, Dylan declarou:

“Pessoas comprando uma música e o dinheiro indo para pessoas com fome na África… é uma ideia que vale a pena, mas eu não estava convencido a respeito da letra da música. Para falar a verdade, eu não acho que pessoas podem ajudar elas mesmas.”

Ironicamente ou não, Bob recebeu no final do ano passado um tributo de mais de 70 artistas em homenagem aos 50 anos da Anistia Internacional, ONG mundial defensora dos direitos humanos.

Abaixo, o clipe oficial de “We Are The World”: